quinta-feira, 1 de julho de 2010
Prefeito de Nova Iorque comanda coalizão de empresários que pedem a reforma imigratória
Além de prefeitos, grupo é formado pelos CEO’s de grandes multinacionais.
Reprodução
Michael Bloomberg, prefeito de Nova Iorque.
A luta pela reforma imigratória ganhou fortes aliados. O prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, junto com os principais executivos das gigantes News Corp., Boeing, Disney e Hewlett Packard, anunciou na quinta-feira (24) a formação da Partnership for a New American Economy. A coalizão quer demonstrar a importância dos imigrantes para o país e pressionar o governo federal a aprovar a reforma imigratória.
De acordo com matéria da Associated Press (AP), há outras grandes companhias e mais prefeitos envolvidos na campanha. O grupo vai lutar para que os imigrantes indocumentados consigam se legalizar. A meta principal do Partnership é reformular a lei de imigração, mostrando que ela pode solucionar e estimular a economia americana.
Em um comunicado oficial, os executivos disseram que as empresas deles e a nação dependem dos imigrantes.
“É nossa grande força como uma nação, e também um fator decisivo para o crescimento da economia. Para nos mantermos competitivos no século 21, precisamos de uma reforma de imigração eficaz, que convide as pessoas a contribuírem com o sucesso que nós partilhamos, o de construir o seu próprio sonho americano”, declarou o presidente do conselho e diretor-geral da Walt Disney Co., Robert Iger.
Para comprovar que os imigrantes são a força econômica dos EUA, o Partnership pretende conduzir pesquisas, realizar foruns, publicar estudos e pagar campanhas de educação pública.
Não é de hoje que Michael Bloomberg critica o governo federal por causa das leis imigratórias. Em 2006, o ex-executivo principal da Bloomberg LP disse que os 12 milhões de imigrantes indocumentados do país deveriam ter a oportunidade de virar cidadãos americanos. Segundo o prefeito, a economia seria devastada se estes imigrantes fossem deportados. Bloomberg aproveitou para alfinetar os legisladores que queriam deportar os imigrantes indocumentados, dizendo que eles viviam “num mundo de fantasia”.
Política de imigração é suicida
Em declaração mais recente, o bilionário prefeito de Nova Iorque chamou o sistema imigratório americano de “suicídio nacional”.
“Não consigo pensar em outras formas de destruir este país que não sejam tão diretas e impactantes como a política de imigração. Educamos os melhores e mais brilhantes, e não damos a eles o green card”, disse Bloomberg.
Entre as propostas do Partnership estão: melhorar o uso da tecnologia para prevenir a imigração ilegal, desenvolver um sistema fácil que verifique quem é elegível para trabalhar no país, proteger as fronteiras e responsabilizar as empresas que violarem as leis. Além disso, a coalizão deseja mais oportunidades para os imigrantes no mercado de trabalho americano, e um caminho para a legalização de todos os imigrantes indocumentados.
Juntos, os executivos da Partnership faturam mais de $220 bilhões anuais em vendas, e empregam mais de 650 mil pessoas.
De acordo com Jason Post, porta-voz de Bloomberg, ainda não foi gasto nenhum dinheiro com a Partnership. Ainda segundo Post, não está confirmado se o grupo será uma organização sem fins lucrativos, um comitê de ação política ou ainda uma organização do tipo 501 (c) 4, que não tem fins lucrativos e é isenta do imposto de renda.
O australiano Rupert Murdoch, presidente do conselho e executivo principal da News Corp., expressou tudo o que pensa. “Como um imigrante, acredito que este país possa e deva adotar novas políticas imigratórias de acordo com nossas necessidades de emprego, proporcionar um caminho para o status legal dos indocumentados e por um fim à imigração ilegal”, disse ele.
Da redação do ComunidadeNews.com
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Agência de refugiados da ONU questiona eficácia de alívio de bloqueio a Gaza
23 de junho de 2010 | 11h 36
Reuters
BEIRUTE - O chefe da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados palestinos disse nesta quarta-feira, 23, que a eficácia das medidas de Israel para aliviar o bloqueio a Gaza são questionáveis.
Filippo Grandi, comissário-geral da Agência de Ajuda e Trabalho da ONU (UNRWA, na sigla em inglês) para os refugiados palestinos, classificou o embargo como "absurdo, contraproducente e ilegal" e citou elementos no plano de relaxamento de Israel que não esclarecem como o bloqueio poderia ser totalmente levantado.
"Eles falam em itens cuja entrada será permitida por algum tempo, dependendo de quem os enviar. Isso é bastante complicado. Vimos várias declarações sobre como eles vão aliviar o bloqueio, mas o problema são os detalhes. Temos que ver como isso será feito, e ainda não vimos isso", disse Gandi, acrescentando que a agência "quer ver fatos, e não apenas declarações".
Israel concordou em aliviar o bloqueio a Gaza mantido desde 2007 por pressões internacionais que se intensificara, após o episódio do dia 31 de maio, quando militares israelenses atacaram uma frota internacional que levava ajuda humanitária ao território palestinos e deixaram nove civis turcos mortos.
O governo de Israel mantém o bloqueio à Faixa de Gaza desde que o Hamas, grupo militante palestino, tomou o controle do território à força. O Hamas não reconhece a existência do Estado de Israel e é considerado por este país, pelos EUA e pela União Europeia como uma organização terrorista.
Com o bloqueio, o governo israelense impões restrições de viagens e entrada de ajuda à Faixa de Gaza. Israel só permite a entrada de ajuda humanitária a Gaza através de pontos controlados na fronteira terrestre entre os territórios. Os israelenses dizem que agora todos os bens que não possam ser desviados para fins militares podem entrar em Gaza. Cimento e metais são alguns dos materiais que, segundo o Estado judeu, podem ser usados pelo Hamas para a construção de armas.
Grupos de direitos humanos e outros críticos, porém, veem o bloqueio como uma punição coletiva para o 1,5 milhão de palestinos que vivem em Gaza. Israel nega que haja uma crise humanitária em Gaza, como palestinos, defensores de direitos humanos e a ONU dizem.
Analistas dizem que as novas regras para o embargo ainda dificultam a importação de materiais de construção para reerguer prédios na região costeira de Gaza, que sofreu vários danos na guerra entre Israel e o Hamas no início de 2009.
Grandi disse que a agência pede a Israel que abra suas fronteiras terrestres, principalmente o terminal de carga de Karni, no nordeste dos limites. O local é grande o bastante para receber carregamentos em escala industrial de cimento e outros materiais. Atualmente, caminhões com a ajuda são desviados para passagens menores.
Tópicos: Gaza, Israel, Palestinos, Bloqueio, ONU, Internacional, Oriente médio
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Pesquisadora diz que EUA perseguem imigrantes
Dayanne Mikevis, do R7
A pesquisadora Saskia Sassen, professora de sociologia da Columbia University e da London School of Economics, acredita que o espaço de oportunidades que era visto por imigrantes em países como os Estados Unidos tem se transformado gradativamente em um de perseguição. Saskia, atualmente uma das maiores estudiosas dos efeitos da globalização, esteve no Brasil na semana passada para uma palestra no Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo).
- Há a construção de um novo espaço de imigração, de um espaço que era de oportunidades para um de perseguição.
Saskia mostrou que o orçamento dos EUA com a patrulha de fronteiras subiu de R$ 273,2 mil (US$ 151 mil) em 1986 para R$ 14,2 bilhões (US$ 7,9 bilhões) em 2008. Os homens encarregados do trabalho eram 3.700 na primeira data e foram para 18 mil na segunda.
O tempo de vigilância por trecho de fronteira subiu de 24 minutos para 201 no período. E o orçamento do Serviço de Naturalização e Imigração dos EUA (INS) aumentou de R$ 8,5 bilhões (US$ 4,7 bilhões) para R$ 63,3 bilhões (US$ 35 bilhões), de acordo com os dados apresentados pela pesquisadora.
Saskia ressaltou que os imigrantes são muito importantes para a economia local. Ela vê como equivocados os argumentos de que eles não fazem girar no país o dinheiro que ganham porque enviam remessas. A pesquisadora mostrou que, em volume, muitos países desenvolvidos são grande recebedores de remessas, caso de França (4º), Espanha (6º), Bélgica (7º), Alemanha (8º), e Reino Unido (9º).
O Brasil fica em 13º lugar, e os Estados Unidos aparecem entre os 20 primeiros, na 19º posição. A lista é encabeçada por Índia, China e México, respectivamente.
As regiões que abrigam os imigrantes que mais enviam dinheiro tampouco são aquelas que mais debatem a questão da imigração. Sassia apresentou dados mostrando que o Oriente Médio e a África do Norte são os campeões nesse quesito, seguidos pelo sul da Ásia.
Ato Patriótico abriu precedente para a lei do Arizona
Saskia ainda afirmou que o Ato Patriótico (Patriot Act), estabelecido pelos EUA após os atentados que atingiram o país no 11 de Setembro, abriu uma brecha legal para que os Estados fizessem sua legislação em relação a assuntos migratórios.
Da data até 2007, foram 204 leis e 1.700 outras normas sobre o tema em foros legislativos estaduais. Além disso, 23 Estados colaboram com o governo em prisões destinadas aos imigrantes.
Saskia ainda lembrou a controversa lei do Estado do Arizona, que autoriza a polícia a abordar qualquer um que considere suspeito de ser ilegal. O texto, que entra em vigor em julho, teve rejeição até mesmo do presidente dos EUA, Barack Obama, que declarou que o país precisa de uma reforma migratória profunda.
A principal crítica da lei, que vai criminalizar a imigração ilegal a partir de 29 de julho, é a de que ela pode estimular comportamentos baseados na raça.
Colaborou Clarissa Machado, estagiária do R7
Fonte: Record News
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Para ACNUR, 2009 foi o “pior” ano da repatriação voluntária em duas décadas
GENEBRA/BRASÍLIA, 15 de junho de 2010 (ACNUR) - Ao final de 2009, o número de pessoas forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições totalizou 43,3 milhões em todo o mundo, a maior cifra de deslocamentos forçados por estes motivos desde a metade dos anos 90. O número consta do relatório Tendências Globais 2009, divulgado hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em todo o mundo.
O relatório revela ainda que o número de refugiados repatriados voluntariamente para seus países de origem caiu ao nível mais baixo em 20 anos. A íntegra do relatório está disponível em: http://www.unhcr.org.
Produzido anualmente pelo ACNUR, o documento indica que o número médio de refugiados no mundo permanece relativamente estável (15,2 milhões), sendo dois terços sob os cuidados do ACNUR e o restante sob o mandato da UNRWA (agência da ONU que se dedica exclusivamente a refugiados palestinos). Por causa da crescente persistência dos conflitos, mais da metade dos refugiados sob os cuidados do ACNUR estão em situações de refúgio prolongado – há mais de cinco anos no exílio.
“Conflitos importantes, como no Afeganistão, na Somália e na República Democrática do Congo não mostram sinais de solução”, disse hoje o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Conflitos que pareciam estar terminando ou em vias de serem solucionados, como no sul do Sudão ou no Iraque, estão estagnados. Como resultado, 2009 foi o pior ano, em duas décadas, para a repatriação voluntária”.
O relatório do ACNUR mostra que apenas 251 mil refugiados retornaram para casa em 2009 – o menor número desde 1990. Nos últimos dez anos, os retornos voluntários chegavam a cerca de 01 milhão, por ano.
“A maioria dos refugiados do mundo tem vivido no exílio há cinco anos ou mais. Inevitavelmente, esta proporção crescerá, uma vez que menos refugiados têm condições de retornar para casa”, adicionou Guterres, referindo-se aos mais de 5,5 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR que em situações prolongadas de refúgio.
O número de pessoas deslocadas por conflitos em seus próprios países (os chamados deslocados internos) cresceu 4%, chegando a 27,1 milhões ao final de 2009. Os persistentes conflitos na República Democrática do Congo (RDC), Paquistão e Somália explicam esta realidade, de acordo com o relatório Tendências Globais 2009.
O documento também revela que um número cada vez maior de refugiados está vivendo em cidades, principalmente no mundo em desenvolvimento, o que contrasta com a percepção comum de que estas pessoas estariam inundando as nações industrializadas.
O número de novos solicitantes de refúgio no mundo chegou a quase 01 milhão, sendo que a África do Sul é o hoje o principal destino de solicitantes de refúgio no mundo – cerca de 220 mil novos pedidos no ano passado.
O relatório Tendências Globais 2009, que revisa tendências e padrões de deslocamentos relacionados a conflitos, também analisa as pessoas apátridas e revela que o número de pessoas reconhecidas nesta situação ao final de 2009 era de 6,6 milhões – embora cifras extra-oficiais estimem uma população de apátridas de até 12 milhões de pessoas.
O ACNUR protege, assiste e busca soluções para os refugiados. A persistência de conflitos torna mais difícil o retorno voluntário aos países de origem, o que geralmente é a situação preferida para países de refúgio e refugiados.
Em relação ao reassentamento – que transfere refugiados de um país e os realoca permanentemente em outro – o ACNUR submeteu um número recorde de pedidos o ano passado (128 mil indivíduos), o maior nos últimos 16 anos. Ao final de 2009, 112.400 refugiados haviam sido recebidos por programas de reassentamento em 19 países.
Refúgio no Brasil
De acordo com as estatísticas do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), divulgadas essa manhã, o Brasil possui 4.294 refugiados (cerca de 30% são mulheres). Deste total, 3.895 foram reconhecidos por vias tradicionais de elegibilidade e 399 foram beneficiados pelo Programa de Reassentamento Solidário. Todos vivem em cidades brasileiras.
Os refugiados de origem africana compõem a maioria desta população (64,9%), seguidos de refugiados do continente americano (22,3%), da Ásia (10,3%) e da Europa (2,2%).
Em relação às nacionalidades, os maiores grupos são formados por angolanos (1.688 pessoas, ou 39,3% do total), colombianos (589 pessoas – 13,7%), congoleses (420 pessoas – 9,8%), liberianos (259 pessoas – 6%) e iraquianos (199 pessoas – 4,6%).
Cabe ao CONARE a implementação no Brasil da Convenção da ONU sobre o Estatuto dos Refugiados (de 1951), como também orientar e coordenar as ações necessárias à eficácia da proteção, assistência e apoio jurídico aos refugiados que se encontram no país.
Presidido pelo Ministério da Justiça e com a participação de integrantes dos Ministérios das Relações Exteriores, Trabalho, Saúde e Educação, do Departamento da Polícia Federal, da sociedade civil e do ACNUR (neste caso, com direito a voz e sem direito a voto), o CONARE analisa e decide sobre as solicitações de refúgio, podendo também decidir pela cessação ou revogação da condição de refugiado. Sua atuação se pauta pela Lei 9.474/97, que o criou e define outros mecanismos de implementação da Convenção.
De acordo com a Lei 9.474/97, será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:
I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país;
II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior;
III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.
No Brasil, o ACNUR desenvolve programas de integração local e reassentamento, atuando em parceria com o CONARE, o setor privado e entidades da sociedade civil organizada – como a ASAV.
Por: ACNUR
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Fuga de 100 mil no Quirguistão
Estes confrontos são os piores episódios de violência registrados desde a revolta de abril (87 mortos), que derrubou o presidente Kurmanbek Bakiyev e levou ao poder o governo interino atual, que pretende realizar um referendo sobre uma nova Constituição, em 27 de junho.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2937189.xml&template=3916.dwt&edition=14895§ion=1014
Número de refugiados forçados é o maior em duas décadas
O número de pessoas forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições em 2009 foi o maior em duas décadas e totalizou 43,3 milhões em todo o mundo. É a maior cifra de deslocamentos forçados por estes motivos desde a metade dos anos 90. A informação é do relatório Tendências Globais 2009, divulgado hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em todo o mundo.
Porém, os deslocamentos voluntários, de refugiados repatriados voluntariamente para seus países de origem caiu ao nível mais baixo em 20 anos.
O documento indica que o número médio de refugiados no mundo permanece relativamente estável (15,2 milhões), sendo dois terços sob os cuidados do ACNUR e o restante sob o mandato da UNRWA (agência da ONU que se dedica exclusivamente a refugiados palestinos). Por causa da crescente persistência dos conflitos, mais da metade dos refugiados sob os cuidados do ACNUR estão em situações de refúgio prolongado - há mais de cinco anos no exílio.
O relatório do ACNUR mostra que apenas 251 mil refugiados retornaram para casa em 2009 - o menor número desde 1990. Nos últimos dez anos, os retornos voluntários chegavam a cerca de 01 milhão, por ano.
O número de pessoas deslocadas por conflitos em seus próprios países (os chamados deslocados internos) cresceu 4%, chegando a 27,1 milhões ao final de 2009. Os persistentes conflitos na República Democrática do Congo (RDC), Paquistão e Somália explicam esta realidade, de acordo com o relatório Tendências Globais 2009.
O documento também revela que um número cada vez maior de refugiados está vivendo em cidades, principalmente no mundo em desenvolvimento, o que contrasta com a percepção comum de que estas pessoas estariam inundando as nações industrializadas.
O número de novos solicitantes de refúgio no mundo chegou a quase 01 milhão, sendo que a África do Sul é o hoje o principal destino de solicitantes de refúgio no mundo - cerca de 220 mil novos pedidos no ano passado.
O relatório Tendências Globais 2009, que revisa tendências e padrões de deslocamentos relacionados a conflitos, também analisa as pessoas apátridas e revela que o número de pessoas reconhecidas nesta situação ao final de 2009 era de 6,6 milhões - embora cifras extra-oficiais estimem uma população de apátridas de até 12 milhões de pessoas.
Fonte: estadao.com.br
segunda-feira, 7 de junho de 2010
FRONTEIRAS FECHADAS
A lei anti-imigração que divide os americanos.
Críticos afirmam que iniciativa do Estado do Arizona promove o racismo, mas maioria a aprova.
Em meio a protestos contra a mais repressiva lei estadual anti-imigração dos EUA, o presidente americano, Barack Obama, e a governadora do Estado do Arizona, Jan Brewer, se reuniram na última quinta-feira em Washington para discutir o delicado tema. O Arizona, um dos quatro Estados americanos que fazem fronteira com o México, tornou-se nos últimos anos um dos principais pontos de entrada de imigrantes ilegais vindos desse país. Hoje, abriga estimados 460 mil ilegais.
Jan sancionou em 23 de abril uma lei que permite à polícia comum checar – enquanto estiver investigando um crime – a situação legal de qualquer pessoa se houver uma suspeita “razoável’’ de que ela esteja ilegalmente no país. A medida vem gerando protestos e boicotes dentro e fora do país – os opositores da lei, criticada por Obama e por diversas organizações de defesa dos direitos civis, afirmam que a medida promove o racismo e a discriminação com base na aparência das pessoas.
No entanto, a maioria da população dos EUA apoia a aprovação da lei, segundo várias pesquisas. Dos 994 americanos consultados pelo Centro de Estudos Pew em maio, 73% disseram ser favoráveis a que a polícia possa exigir que qualquer pessoa mostre seus documentos migratórios, enquanto 23% afirmaram ser contra.
A governadora alega que a legislação é necessária para fortalecer o controle da fronteira com o México, devido à ausência de uma política clara americana no tema da imigração, lacuna que Obama quer corrigir com a aprovação de uma reforma migratória. Na reunião da semana passada, o presidente reiterou sua preocupação com a lei do Arizona. Segundo ele, caberá ao Departamento de Justiça avaliar o pedido de derrubada dessa legislação, feito por parlamentares. Caso contrário, ela entrará em vigor em 29 de julho.
Outra decisão importante do encontro foi o compromisso de Obama de enviar uma grande quantidade de militares ao Estado e de retomar a construção de uma cerca entre EUA e México, que havia sido iniciada no governo de George W. Bush. Na opinião da americana Sherri McCarthy, 52 anos, PhD em Psicologia e professora da Northern Arizona University, no campus de Yuma, a 25 quilômetros da fronteira com o México, essas são duas medidas que vão incrementar a economia estadual:
– Dificuldades econômicas são o motivo por trás da assinatura dessa lei. E parece que foi um sucesso, já que a governadora teve um encontro com Obama e conseguiu bons resultados – pondera Sherri, que já trabalhou na UFRGS (confira entrevista à direita).
A fronteira com o México, aliás, já foi um grande gerador de riquezas para o Arizona, lembra Sherri:
– Antes do 11 de Setembro, o Arizona tinha uma fronteira livre, e muitos moravam no México e estudavam ou trabalhavam nos EUA e vice-versa. Gradativamente, no governo Bush, ficou cada vez mais difícil de cruzar a fronteira, e isso foi muito ruim para a economia do Arizona. Muitos perderam seus empregos – comenta.
LAURA SCHENKEL (laura.schenkel@zerohora.com.br)
Reação contrária
Confira alguns argumentos dos opositores à nova legislação:
- As novas normas, além de criminalizar imigrantes, ainda permitem, entre outros pontos, que os policiais, ao abordarem os suspeitos por algum outro motivo, peçam para ver os documentos de imigração.
- O presidente americano, Barack Obama, classificou a medida de “desvirtuada” e “irresponsável”. Orientou membros de sua equipe a monitorar de perto a lei para “examinar eventuais violações dos direitos civis e outras implicações”.
- O democrata Phil Gordon, prefeito de Phoenix, capital do Arizona, diz que a lei é “ruim” e “discriminatória” – e que não reflete a vontade dos moradores do Estado.
- Um abaixo-assinado online (http://bit.ly/aYSiIQ), organizado pela Care2, alerta que os policiais vão abordar as pessoas com base na sua aparência, o que seria altamente discriminatório. A entidade prega que as pessoas não viajem ao Arizona, não fechem negócios e não marquem eventos nesse Estado até que a lei seja revogada.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2927671.xml&template=3898.dwt&edition=14832§ion=1014
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Estudante africana é agredida a chutes dentro da Universidade Federal da Paraíba
Marcelle Ribeiro, O Globo, TV Cabo Branco
JOÃO PESSOA, SÃO PAULO - A estudante de Letras Kadija Lu, de 23 anos, foi xingada de "negra-cão" e agredida a chutes dentro do campus da Universidade Federal da Paraíba na noite desta segunda-feira. O agressor, um vendedor de cartões de crédito, foi ouvido pela polícia e liberado. A delegada Juvanira Holanda, da 4ª Delegacia Distrital de João Pessoa, informou que ele não responderá por racismo nem por lesão corporal. Segundo ela, o rapaz está sendo investigado apenas por injúria e vias de fato.
Para a delegada, chamar uma pessoa de 'negro' não configura crime de racismo e chutar o abdômen não é lesão corporal. Segundo a delegada, uma testemunha afirmou que o acusado disse "pega essa negra-cão" durante a confusão que se formou no campus, quando a estudante foi tomar satisfação com o vendedor de cartões por um gesto obsceno que ele teria feito para ela.
- Não houve racismo. Para caracterizar racismo tem que ter uma série de coisas. Não é só chegar e falar "sua branca", "seu negro" ou "seu negro safado". Só caracteriza racismo quando, por exemplo, você impede o acesso de um negro a educação - afirmou a delegada.
De acordo com a delegada, o acusado negou ter chamado a estudante de negra, pois ele também diz ser negro, e afirma que a estudante o empurrou e correu atrás dele.
- O que houve foi uma discussão simples - disse a delegada.
Kadija Tu é africana e estuda na universidade graças a um convênio entre o Brasil e a Guiné Bissau, seu país se origem. Segundo testemunhas, ela andava por um dos corredores do Centro de Educação do campus quando foi abordada pelo vendedor. Ele teria dado uma "cantada" na estudante e, depois, feito gestos obscenos contra ela. A jovem exigiu respeito e se indignou, ele teria então partido para agressões verbais e xingamentos racistas que culminaram na agressão física.
Estudantes intervieram e acionaram o setor de segurança da UFPB. Kadija precisou ser levada para o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. A assessoria de imprensa do hospital diz que ela levou vários chutes no abdômen e permanece em observação.
Já o agressor foi detido pela Polícia Militar e levado para a 4ª Delegacia Distrital do Geisel.
A delegada disse que a estudante correu atrás do vendedor ao ir tirar satisfação, depois que descobriu que os gestos feitos antes eram obscenos. Juvanira afirmou ainda que a estudante foi internada no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena devido a seu estado emocional.
- Ela está bem. Está internada porque ficou preocupada, não tem família no Brasil, ficou com o estado emocional abalado. Mas vou mandar um perito fazer exames nela - afirmou a delegada.
Juvanira disse que o rapaz foi liberado porque os delitos de injúria e vias de fato são de menor potencial ofensivo, e têm pena máxima de até 2 anos.
Em frente ao Hospital, outros estudantes africanos fazem vigília a espera de notícias sobre a amiga. Sergi Katembera, que tem 24 anos e é do Congo, explicou que por não serem familiares da jovem os colegas não tiveram acesso ao interior do hospital, mas ele lembra que Katija não tem nenhum parente no Brasil.
Sergi disse também que já amanhã a comunidade africana na UFPB, em companhia de colegas brasileiros, vão decidir que tipo de protesto farão para denunciar o caso.
- Não podemos admitir que atos como este se repitam. É uma vergonha - lamentou
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Guantánamo, tortura e imigração mantêm críticas da AI aos EUA
No capítulo dedicado aos EUA, o relatório anual da AI sobre a situação dos direitos humanos no mundo, publicado hoje, denuncia também o sistema de execuções, a discriminação no atendimento médico às mulheres grávidas e pertencentes a comunidades desfavorecidas e o embargo a Cuba.
Um total de 198 suspeitos de terrorismo continuavam reclusos em Guantánamo no fim de 2009, oito anos após a criação do centro de detenção, apesar do compromisso (não cumprido) do presidente Barack Obama de fechá-lo antes de 22 de janeiro 2010, segundo a AI.
A entidade lembra, além disso, que no ano passado começou o processo de revisar todos os casos dos presos de Guantánamo - criado depois dos atentados terroristas de 11 de setembro - com vistas a determinar que detidos poderiam ser postos em liberdade e levados a outros países.
Durante 2009, 49 presos foram transferidos de Guantánamo para outros lugares, segundo a AI, que lembra a morte, em junho, do iemenita Mohammed al-Hanashi, "com o que se elevou a cinco o número de detidos que aparentemente se suicidaram na base".
O relatório também dá conta de que "centenas de pessoas, entre elas vários menores de idade, continuavam sob custódia das Forças Armadas americanas na base aérea de Bagram (Afeganistão) sem acesso a advogados nem a tribunais".
Em território americano, pelo menos 47 pessoas morreram após serem submetidas pela Polícia à descarga de armas de eletro-choque, elevando o número de vítimas a 390 desde 2001.
Além disso, a AI denuncia as condições de reclusão em algumas prisões americanas, como a de Tamms (Illinois), onde "dezenas de presos - muitos deles com problemas mentais - permaneciam reclusos 23 horas por dia em regime de isolamento há dez anos ou mais".
Quanto aos imigrantes, a organização pró-direitos humanos condena que, contra as normas internacionais, "se tenha detido de forma sistemática dezenas de milhares de imigrantes, incluindo os que pediam asilo". Os estrangeiros, continua o texto, foram submetidos a "condições adversas sem acesso adequado a cuidados médicos, físicos ou aconselhamento jurídico." Embora Obama tenha levantado algumas restrições para viajar a Cuba, manteve o embargo de 47 anos, que limita o acesso a remédios, pondo "em perigo a saúde de milhões de pessoas", assinala a AI.
Ao longo de 2009 foram executadas 52 pessoas, o que elevou a 1.188 o número de execuções nos EUA desde 1976. Desde daquele ano, 130 condenados à morte foram libertados após demonstrarem inocência, nove deles no ano passado, segundo o relatório da Anistia.
Fonte: Terra Notícias
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4451536-EI294,00.html
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Capital jamaicana tem dia de guerra em caça a chefão do tráfico
KINGSTON, Jamaica (AFP) - Violentos confrontos entre grupos armados que protegem um suposto chefão do tráfico de drogas e a Polícia jamaicana provocaram nesta terça-feira a morte de pelo menos 60 pessoas, transformando Kinsgton em um campo de batalha.
Dois caminhões levaram "cerca de cinquenta" corpos nesta terça-feira ao necrotério do Hospital Público de Kingston, disse uma enfermeira à AFP. O número foi confirmado por um socorrista.
Um correspondente da AFP viu um terceiro caminhão nas imediações do necrotério, cheio de corpos com ferimentos causados por tiros, incluindo um bebê. Outra enfermeira declarou que esse terceiro caminhão transportava 12 cadáveres.
As forças de segurança enfrentam gangues que resistem desde segunda-feira com violência à ordem de detenção de Christopher "Dudus" Coke, procurado pelos Estados Unidos por tráfico de armas e drogas.
Até o momento, a Polícia reconheceu a morte de 27 pessoas. O primeiro-ministro da ilha, Bruce Golding, lamentou a perda de vidas e prometeu restabelecer a lei e a ordem na nação caribenha.
Nesta terça-feira, o governo pediu aos moradores da capital que permaneçam em suas casas. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, saudou o compromisso do governo de garantir os direitos civis durante os enfrentamentos.
Os combates continuam sendo travados nas proximidades de um hospital da cidade para onde foram levados os corpos, indicaram testemunhas à AFP.
Os seguidores armados do chefão tentaram entrar no centro médico, mas seu acesso foi impedido, o que gerou um novo confronto com a polícia.
Apoiada por tropas do Exército e com a ajuda de helicópteros, a Polícia iniciou na segunda-feira um assalto ao bairro pobre do oeste de Kingston, fortaleza do traficante.
A operação foi executada depois que na semana passada o governo assinou o pedido de extradição e no domingo declarou estado de emergência.
Soldados armados com fuzis patrulhavam a turbulenta zona de Tiboli Gardens, revistando casa por casa em busca de Coke.
As ruas de Kingston, sempre barulhentas e alegres, estavam completamente desertas enquanto os helicópteros cruzavam os céus da capital.
As escolas e lojas permaneceram fechadas e os táxis se negam a transportar passageiros.
Nesta terça-feira, várias companhias aéreas cancelaram seus voos na capital desta ilha caribenha de 2,8 milhões de habitantes.
A embaixada dos Estados Unidos instruiu seus cidadãos a não viajarem para a Jamaica e suspendeu seus serviços não-essenciais.
Cerca de 211 pessoas foram presas na zona de Tiboli Gardens e nos arredores de Denham Town durante o ataque lançado pelas forças de segurança na segunda-feira.
Para os moradores de Tiboli Gardens, área violenta e pobre da capital, Coke -que se define como um simples comerciante- é um herói solidário aos vizinhos.
Aqueles que o apoiam se armaram até os dentes, atacaram delegacias de polícia e ergueram barricadas ao redor de Tivoli Gardens, bairro onde nasceu o primeiro-ministro.
"Devem entender, estamos travando uma guerra", indicou o chefe de Polícia Glenmore Hindos.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos classifica Coke como um dos "narcotraficantes mais perigosos".
Ele é acusado de liderar desde 1990 um gangue internacional denominada "The Shower Posse", que vende maconha e pasta base de cocaína em Nova York e para outros lugares dos Estados Unidos.
Foi formalmente processado em agosto nos Estados Unidos por conspiração para traficar drogas e armas ilegais. Se for considerado culpado, será condenado à prisão perpétua.
Fonte: Yahoo Notícias
http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100526/mundo/jamaica_eua_viol__ncia_droga