segunda-feira, 31 de maio de 2010

Estudante africana é agredida a chutes dentro da Universidade Federal da Paraíba

Publicada em 25/05/2010 às 12h16m
Marcelle Ribeiro, O Globo, TV Cabo Branco

JOÃO PESSOA, SÃO PAULO - A estudante de Letras Kadija Lu, de 23 anos, foi xingada de "negra-cão" e agredida a chutes dentro do campus da Universidade Federal da Paraíba na noite desta segunda-feira. O agressor, um vendedor de cartões de crédito, foi ouvido pela polícia e liberado. A delegada Juvanira Holanda, da 4ª Delegacia Distrital de João Pessoa, informou que ele não responderá por racismo nem por lesão corporal. Segundo ela, o rapaz está sendo investigado apenas por injúria e vias de fato.

Para a delegada, chamar uma pessoa de 'negro' não configura crime de racismo e chutar o abdômen não é lesão corporal. Segundo a delegada, uma testemunha afirmou que o acusado disse "pega essa negra-cão" durante a confusão que se formou no campus, quando a estudante foi tomar satisfação com o vendedor de cartões por um gesto obsceno que ele teria feito para ela.

- Não houve racismo. Para caracterizar racismo tem que ter uma série de coisas. Não é só chegar e falar "sua branca", "seu negro" ou "seu negro safado". Só caracteriza racismo quando, por exemplo, você impede o acesso de um negro a educação - afirmou a delegada.

De acordo com a delegada, o acusado negou ter chamado a estudante de negra, pois ele também diz ser negro, e afirma que a estudante o empurrou e correu atrás dele.

- O que houve foi uma discussão simples - disse a delegada.

Kadija Tu é africana e estuda na universidade graças a um convênio entre o Brasil e a Guiné Bissau, seu país se origem. Segundo testemunhas, ela andava por um dos corredores do Centro de Educação do campus quando foi abordada pelo vendedor. Ele teria dado uma "cantada" na estudante e, depois, feito gestos obscenos contra ela. A jovem exigiu respeito e se indignou, ele teria então partido para agressões verbais e xingamentos racistas que culminaram na agressão física.
Estudantes intervieram e acionaram o setor de segurança da UFPB. Kadija precisou ser levada para o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. A assessoria de imprensa do hospital diz que ela levou vários chutes no abdômen e permanece em observação.

Já o agressor foi detido pela Polícia Militar e levado para a 4ª Delegacia Distrital do Geisel.

A delegada disse que a estudante correu atrás do vendedor ao ir tirar satisfação, depois que descobriu que os gestos feitos antes eram obscenos. Juvanira afirmou ainda que a estudante foi internada no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena devido a seu estado emocional.

- Ela está bem. Está internada porque ficou preocupada, não tem família no Brasil, ficou com o estado emocional abalado. Mas vou mandar um perito fazer exames nela - afirmou a delegada.

Juvanira disse que o rapaz foi liberado porque os delitos de injúria e vias de fato são de menor potencial ofensivo, e têm pena máxima de até 2 anos.
Em frente ao Hospital, outros estudantes africanos fazem vigília a espera de notícias sobre a amiga. Sergi Katembera, que tem 24 anos e é do Congo, explicou que por não serem familiares da jovem os colegas não tiveram acesso ao interior do hospital, mas ele lembra que Katija não tem nenhum parente no Brasil.
Sergi disse também que já amanhã a comunidade africana na UFPB, em companhia de colegas brasileiros, vão decidir que tipo de protesto farão para denunciar o caso.

- Não podemos admitir que atos como este se repitam. É uma vergonha - lamentou

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Guantánamo, tortura e imigração mantêm críticas da AI aos EUA

Os centros de detenção em Guantánamo (Cuba) e Bagram (Afeganistão), a tortura e os maus-tratos em prisões em solo americano, além da prisão de imigrantes, continuaram sendo em 2009 a vergonha dos Estados Unidos em matéria de direitos humanos, como denunciou hoje a Anistia Internacional (AI).
No capítulo dedicado aos EUA, o relatório anual da AI sobre a situação dos direitos humanos no mundo, publicado hoje, denuncia também o sistema de execuções, a discriminação no atendimento médico às mulheres grávidas e pertencentes a comunidades desfavorecidas e o embargo a Cuba.

Um total de 198 suspeitos de terrorismo continuavam reclusos em Guantánamo no fim de 2009, oito anos após a criação do centro de detenção, apesar do compromisso (não cumprido) do presidente Barack Obama de fechá-lo antes de 22 de janeiro 2010, segundo a AI.

A entidade lembra, além disso, que no ano passado começou o processo de revisar todos os casos dos presos de Guantánamo - criado depois dos atentados terroristas de 11 de setembro - com vistas a determinar que detidos poderiam ser postos em liberdade e levados a outros países.

Durante 2009, 49 presos foram transferidos de Guantánamo para outros lugares, segundo a AI, que lembra a morte, em junho, do iemenita Mohammed al-Hanashi, "com o que se elevou a cinco o número de detidos que aparentemente se suicidaram na base".

O relatório também dá conta de que "centenas de pessoas, entre elas vários menores de idade, continuavam sob custódia das Forças Armadas americanas na base aérea de Bagram (Afeganistão) sem acesso a advogados nem a tribunais".

Em território americano, pelo menos 47 pessoas morreram após serem submetidas pela Polícia à descarga de armas de eletro-choque, elevando o número de vítimas a 390 desde 2001.

Além disso, a AI denuncia as condições de reclusão em algumas prisões americanas, como a de Tamms (Illinois), onde "dezenas de presos - muitos deles com problemas mentais - permaneciam reclusos 23 horas por dia em regime de isolamento há dez anos ou mais".

Quanto aos imigrantes, a organização pró-direitos humanos condena que, contra as normas internacionais, "se tenha detido de forma sistemática dezenas de milhares de imigrantes, incluindo os que pediam asilo". Os estrangeiros, continua o texto, foram submetidos a "condições adversas sem acesso adequado a cuidados médicos, físicos ou aconselhamento jurídico." Embora Obama tenha levantado algumas restrições para viajar a Cuba, manteve o embargo de 47 anos, que limita o acesso a remédios, pondo "em perigo a saúde de milhões de pessoas", assinala a AI.

Ao longo de 2009 foram executadas 52 pessoas, o que elevou a 1.188 o número de execuções nos EUA desde 1976. Desde daquele ano, 130 condenados à morte foram libertados após demonstrarem inocência, nove deles no ano passado, segundo o relatório da Anistia.

Fonte: Terra Notícias

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4451536-EI294,00.html

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Capital jamaicana tem dia de guerra em caça a chefão do tráfico

KINGSTON, Jamaica (AFP) - Violentos confrontos entre grupos armados que protegem um suposto chefão do tráfico de drogas e a Polícia jamaicana provocaram nesta terça-feira a morte de pelo menos 60 pessoas, transformando Kinsgton em um campo de batalha.

Dois caminhões levaram "cerca de cinquenta" corpos nesta terça-feira ao necrotério do Hospital Público de Kingston, disse uma enfermeira à AFP. O número foi confirmado por um socorrista.

Um correspondente da AFP viu um terceiro caminhão nas imediações do necrotério, cheio de corpos com ferimentos causados por tiros, incluindo um bebê. Outra enfermeira declarou que esse terceiro caminhão transportava 12 cadáveres.

As forças de segurança enfrentam gangues que resistem desde segunda-feira com violência à ordem de detenção de Christopher "Dudus" Coke, procurado pelos Estados Unidos por tráfico de armas e drogas.

Até o momento, a Polícia reconheceu a morte de 27 pessoas. O primeiro-ministro da ilha, Bruce Golding, lamentou a perda de vidas e prometeu restabelecer a lei e a ordem na nação caribenha.

Nesta terça-feira, o governo pediu aos moradores da capital que permaneçam em suas casas. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, saudou o compromisso do governo de garantir os direitos civis durante os enfrentamentos.

Os combates continuam sendo travados nas proximidades de um hospital da cidade para onde foram levados os corpos, indicaram testemunhas à AFP.

Os seguidores armados do chefão tentaram entrar no centro médico, mas seu acesso foi impedido, o que gerou um novo confronto com a polícia.

Apoiada por tropas do Exército e com a ajuda de helicópteros, a Polícia iniciou na segunda-feira um assalto ao bairro pobre do oeste de Kingston, fortaleza do traficante.

A operação foi executada depois que na semana passada o governo assinou o pedido de extradição e no domingo declarou estado de emergência.

Soldados armados com fuzis patrulhavam a turbulenta zona de Tiboli Gardens, revistando casa por casa em busca de Coke.

As ruas de Kingston, sempre barulhentas e alegres, estavam completamente desertas enquanto os helicópteros cruzavam os céus da capital.

As escolas e lojas permaneceram fechadas e os táxis se negam a transportar passageiros.

Nesta terça-feira, várias companhias aéreas cancelaram seus voos na capital desta ilha caribenha de 2,8 milhões de habitantes.

A embaixada dos Estados Unidos instruiu seus cidadãos a não viajarem para a Jamaica e suspendeu seus serviços não-essenciais.

Cerca de 211 pessoas foram presas na zona de Tiboli Gardens e nos arredores de Denham Town durante o ataque lançado pelas forças de segurança na segunda-feira.

Para os moradores de Tiboli Gardens, área violenta e pobre da capital, Coke -que se define como um simples comerciante- é um herói solidário aos vizinhos.

Aqueles que o apoiam se armaram até os dentes, atacaram delegacias de polícia e ergueram barricadas ao redor de Tivoli Gardens, bairro onde nasceu o primeiro-ministro.

"Devem entender, estamos travando uma guerra", indicou o chefe de Polícia Glenmore Hindos.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos classifica Coke como um dos "narcotraficantes mais perigosos".

Ele é acusado de liderar desde 1990 um gangue internacional denominada "The Shower Posse", que vende maconha e pasta base de cocaína em Nova York e para outros lugares dos Estados Unidos.

Foi formalmente processado em agosto nos Estados Unidos por conspiração para traficar drogas e armas ilegais. Se for considerado culpado, será condenado à prisão perpétua.



Fonte: Yahoo Notícias


http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100526/mundo/jamaica_eua_viol__ncia_droga