segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ACNUR elogia projetos para refugiados no Brasil

O modelo de assistência a refugiados e solicitantes de refúgio adotado no Brasil poderá inspirar iniciativas de integração em outros países da América Latina. A opinião é da Diretora do ACNUR paras Américas, Marta Juarez, que acaba de concluir uma visita oficial de sete dias ao país. Ela esteve no Brasil por ocasião do Encontro Internacional sobre Proteção de Refugiados, Apátridas e Movimentos Migratórios Mistos nas Américas, ocorrido em Brasília no último dia 11 de novembro, e que lançou nas Américas as comemorações do 60º Aniversário do ACNUR. Após deixar Brasília, Marta Juarez visitou projetos do ACNUR em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ela elogiou a prioridade dada à integração local dos refugiados. “É muito positiva a articulação no Brasil entre o ACNUR, seus parceiros implementadores e diferentes setores sociais. As parcerias permitem ao refugiado ter acesso a moradia temporária, serviços sociais, educação e cursos de capacitação profissional. Com isso, pode buscar emprego e contribuir com a comunidade que o acolheu”, afirmou Marta Juarez em São Paulo, durante visita a projetos implementados pelo ACNUR, em parceria com a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo. A recente política do ACNUR para situações de refúgio no contexto urbano ressalta que as cidades são um “espaço legítimo de proteção” e que os resultados para estas populações vulneráveis dependem da cooperação com diferentes atores. O Brasil abriga hoje cerca de 4.300 refugiados de 76 nacionalidades diferentes, todos em cidades de pequeno, médio e grande porte. A legislação nacional garante a refugiados e solicitantes de refúgio o acesso às políticas públicas disponíveis para todos os brasileiros, e também a chamada proteção legal, por meio de documentos de identidade e carteira de trabalho e a garantia de não-devolução ao país de origem. O modelo tripartite de proteção e assistência e proteção a refugiados adotado no Brasil permite uma interação entre o Poder Público, a sociedade civil e a comunidade internacional, por meio do ACNUR. “A América Latina pode ajudar a promover e a colocar em ação o conceito de proteção das pessoas de interesse do ACNUR nos meios urbanos, e o Brasil é exemplo para a região”, acrescentou Marta Juarez. “Há ótimos exemplos de refugiados integrados com sucesso, e tanto no Brasil como nas Américas as comunidades têm sido acolhedoras e o governo local está trabalhando efetivamente para apoiá-los”, afirma. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, Marta Juarez visitou as instituições que lidam diretamente com a população refugiada, apoiando a busca por abrigo, orientação profissional, moradia, saúde, educação e trabalho, reunindo-se com as Cáritas Arquidiocesanas das duas cidades – parceiras históricas do ACNUR no Brasil. Na capital paulista, reuniu-se com as equipes de trabalho de instituições parceiras da Cáritas, como a Casa do Migrante, o Centro Social Nossa Senhora Aparecida, o Arsenal da Esperança e o Serviço Social do Comércio (SESC), além de conhecer as iniciativas de universidades associadas à Cátedra Sérgio Vieira de Mello, que promove o estudo da temática do refúgio e facilita o acesso de refugiados a cursos universitários. Ela também se encontrou com solicitantes de refúgio e participou de uma audiência com o arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. No Rio de Janeiro, a Diretora do ACNUR para as Américas teve reuniões com a Cáritas Arquidiocesana local e com Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro. No Brasil, a Cáritas é uma das principais parceiras implementadoras do ACNUR. Durante toda sua missão, ela esteve acompanhada do Representante do ACNUR no Brasil, Andres Ramirez. Por meio de um convênio com o ACNUR, a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo mantém o Centro de Acolhida para Refugiados, que presta orientação jurídica e social, encaminhando-os para serviços públicos de saúde e educação. “Nossa missão é promover a inclusão do indivíduo de forma integral”, afirma Doroti Alves, diretora da Cáritas. “Trabalhamos com as políticas públicas disponíveis para todos os brasileiros, permitindo aos refugiados que conquistem seu espaço na sociedade e transformem sua realidade”, completa. A coordenadora do Centro de Acolhida ressalta a importância dos parceiros da sociedade civil. “Sempre priorizamos a integração das entidades de proteção, pois as parcerias possibilitam que a sociedade veja o refugiado com outros olhos, percebendo suas capacidades e contribuição cultural”, diz Cezira Furtim. Para ela, as ferramentas disponíveis por meio destes arranjos possibilitam ao refugiado inserir-se no mercado de trabalho e conquistar sua autonomia, acelerando a integração. Os esforços de assimilação começam pelo idioma. O SESC São Paulo oferece cursos de português gratuitos, além de toda uma estrutura de cultura e lazer – como internet gratuita e alimentação a preços reduzidos. “Nosso trabalho é todo voltado à promoção da cultura cidadã e inclusão social”, afirma Danilo Miranda, Diretor Regional do SESC São Paulo, que se reuniu com a equipe do ACNUR. Ele explica que o objetivo é fazer o refugiado participar dos programas já existentes, assim pode trocar experiências e estabelecer vínculos com o público geral que freqüenta a instituição. “Queremos que o refugiado se sinta parte de um todo, e não alguém segregado ou rotulado”, diz. “Apesar das conquistas, existe ainda muito a ser feito. Um grande desafio é aumentar a inserção do refugiado no mercado de trabalho, garantir melhores condições de moradia para esta população e desburocratizar o acesso a políticas públicas”, analisa o Representante do ACNUR no Brasil, Andres Ramirez. Karin de Pecsi e Fusaro, em São Paulo.
Fonte: ACNUR

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Partido lança campanha xenófoba na internet e provoca polêmica na Suíça

O partido nacionalista suíço SVP (Partido do Povo da Suíça) causou polêmica ao produzir uma campanha antiimigração que alerta os suíços de como será o país daqui há alguns anos caso a entrada de imigrantes seja facilitada.

Em um cartaz, que foi divulgado pela internet, o partido compara duas fotografias: uma que mostra quatro modelos nuas de costas prestes a mergulhar no lago Zurique e outra na qual um grupo de mulheres imigrantes – que utilizam véus muçulmanos -, se banham de roupa possivelmente no mesmo lago. Abaixo das fotos um texto indica que a primeira delas foi tirada em 2010 e a segunda seria uma viagem ao tempo até o ano de 2030, quando a Suíça estaria tomada por imigrantes.

A campanha foi produzida em razão do referendo que acontecerá no país na próxima semana e visa decidir se os estrangeiros que tenham sido considerados culpados de assassinato, estupro, tráfico de drogas e outros delitos graves devem ser deportados ou não. A iniciativa foi proposta pelo SVP que garante que os estrangeiros representam mais de um quinto da população suíça, que atualmente chega aos 7,7 milhões de pessoas.

De acordo com o jornal The Daily Telegraph, pesquisas recentes mostram que 54% dos eleitores suíços votaria a favor da medida, enquanto 43% são contra. Porém, mesmo com maioria a favor da deportação dos estrangeiros que forem condenados a campanha xenófoba desagradou os suíços.

Discórdia

Além de ter sido criticada como "preconceituosa" e "machista", a campanha tem uma foto - a que mostra as modelos nuas - utilizada sem autorização do autor, o fotógrafo erótico Petter Hegre, que nao consentiu com a campanha.

Esta nao é a primeira vez que o SVP causa discórdia com suas campanhas publicitárias. Em 2007, o partido produziu um cartaz em que um grupo de ovelhas brancas chutava uma ovelha negra para fora da bandeira da Suíça.

O SVP é o partido que tem maior bancada entre os suíços no Parlamento Europeu e é uma das maiores forças políticas do país. Com cerca de 90 mil membros, obteve o voto de 29% dos eleitores em 2007, última eleição parlamentar do país. Desde sua fundação apoia medidas contra a imigração, já tendo votado contra medidas como a legalização da imigração em dezembro de 1996, a regularização da imigração, em setembro de 2000, a concessão de nacionalidade suíça a estrangeiros de terceira geração e a naturalização de jovens estrangeiros de segunda geração, ambos em setembro de 2004.

Em 2007, provocou indignação internacional ao propor a proibição da construção de minaretes (torres de mesquitas), chegando a ser alertado pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que proíbe a discriminação com base na raça, cor, religião ou nacionalidade.

Fonte: palavras perdidas

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Mais detidos e indiciados por exploração sexual de brasileiras

Durou toda a noite o interrogatório dos quatro policiais detidos, na segunda- feira, acusados de pertencer a uma rede internacional de tráfico de mulheres brasileiras com fim de exploração sexual na Espanha. E, hoje de manhã, houve uma quinta detenção. A chamada “Operação Carioca” foi iniciada há um ano e já conta com mais de 50 detidos e indiciados. Os detidos esta semana trabalham nos departamentos de Segurança Cidadã e de Polícia Judicial, em Lugo (Galícia). As detenções foram resultado de conversas telefônicas gravadas, que mostraram uma ampla participação da polícia nesta rede criminosa, que negociava com, pelo menos, cinco prostíbulos da Galícia, no noroeste da Espanha. As brasileiras eram obrigadas a exercer a prostituição em um regime de escravidão, sob ameaça de violência física e promessas de regularização do visto de residência e trabalho. A cúpula policial da Brigada de Imigração de Lugo também estaria vinculada diretamente a esta rede internacional de tráfico de mulheres. Logo depois da detenção de um ex-policial (Armando Lorenzo), os investigadores da “Operação Carioca” gravaram uma conversa telefônica entre duas das vítimas da rede, na qual uma explica para a outra que “Armando foi preso de bobeira, mas Linares, Evaristo e Castro faziam favores”. Castro, que seria Eduardo Castro, número 2 do departamento, acaba de ser detido; e Evaristo Rodríguez, o chefe da Brigada de Imigração da Polícia Nacional de Lugo, foi indiciado pela juíza Pilar de Lara Cifuentes, que investiga o caso. Linares seria Alberto Linares, chefe da Área de Trabalho do Governo de Lugo. Outro indiciado é o policial Francisco Fernández, que trabalhava no aeroporto madrilenho de Barajas, no controle de imigração, e é acusado de receber 300 euros por cada mulher que permitia entrar na Espanha.
Fonte: oglobo

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Repórter da BBC relata passagem por província afegã ocupada pelo Talebã

O correspondente da BBC em Cabul Daud Qarizadeh viajou recentemente à província de Helmand, uma das mais problemáticas do Afeganistão.

O objetivo da viagem era analisar a situação na província seis meses depois da operação conduzida por milhares de soldados americanos, britânicos e afegãos para tentar expulsar os militantes do Talebã da região.

Durante a viagem, Qarizadeh visitou campos de refugiados e conversou com autoridades locais. Veja o relato abaixo.

"Foi uma certa manhã bem cedo que, após meses de planejamento, eu, meu cinegrafista e uma colega do serviço afegão da BBC embarcamos em um voo comercial para a cidade de Lashkargah – a capital da província de Helmand, no sul do Afeganistão.

Era a realização de um sonho, mas os sentimentos eram contraditórios – eu estava nervoso e ansioso. Helmand é a província que os insurgentes do Talebã escolheram como sua base no sul do Afeganistão, assim como o maior produtor de ópio do mundo.

O principal objetivo da viagem a Helmand era avaliar a situação no local seis meses depois da operação Moshtarak, na qual milhares de soldados americanos, britânicos e afegãos tentaram eliminar a presença do Talebã nos distritos de Marjah e Nad Ali.

Depois de pouco mais de uma hora de voo da capital, Cabul, pousamos no aeroporto de Lashkargah, construído recentemente. Nosso colaborador local já está lá para nos receber.

Nos registramos em um hotel gerenciado pelo governo, o Bost Hotel. É um dos dois principais hotéis em Lashkargah e está em uma rua na qual a segurança é pesada, onde ficam o gabinete e a residência do governador.

No segundo dia de viagem, planejamos uma visita ao campo de refugiados de Mukhtar, em um bairro afastado de Lashkargah.

O campo é como uma cidade e abriga cerca de 5 mil famílias de todo o país que tiveram que abandonar suas casas devido à guerra ou desastres naturais.

Algumas famílias que tiveram que deixar suas casas devido a Operação Moshtarak em Marjah também vivem no campo. Me reuni com duas destas famílias e eles reclamaram dos soldados afegãos e estrangeiros em Marjah.

Mirza Mohammad, um jovem que é a única fonte de sustento para a família, me disse que o Talebã fez disparos perto de sua casa, mas os soldados afegãos e estrangeiros vieram e o acusaram de cooperar com o Talebã e até de ser um integrante do grupo insurgente. Mohammad disse que deixou Marjah depois que soldados do governo deram ordem para que ele abandonasse sua casa.

Agora Mohammad vive com sua família em uma casa improvisada. Ele não tem acesso à saneamento, água potável ou educação para seus filhos.

Visitas ao governador

Campo de refugiados abriga cerca de 5 mil famílias em bairro de Lashkargah
No terceiro dia de viagem nos reunimos com o governador e o entrevistamos a respeito da situação de Helmand depois da Operação Moshtarak.

O governador Gulab Mangal afirmou que a segurança na província melhorou muito depois da operação. Mangal contou que Marjah era o centro nervoso do Talebã em Helmand, de onde os insurgentes coordenavam os ataques suicidas em todo o Afeganistão e também montavam as bombas em fábricas improvisadas.

Nos reunimos com o governador no mesmo dia em que ele se encontrou com idosos e moradores de toda a província.

O governador Mangal tem uma agenda cheia. Ele participa de reuniões como essa três dias por semana, e ainda se reúne com representantes de forças estrangeiras para coordenar as operações.

Mangal ouve pessoalmente as reclamações de seus visitantes e promete fazer de tudo para resolver seus problemas. Mas, as questões levantadas pelos visitantes são problemáticas demais para uma resolução fácil.

No complexo onde fica o gabinete de governo, encontrei várias pessoas que fizeram viagens longas e perigosas para encontrar o governador. Eles eram de partes diferentes de Helmand, como Marjah, Naad, Ali, Nava, Musa Qala e outros distritos problemáticos.

Todos eles queriam contar suas histórias, histórias surpreendentes e chocantes que eu nunca ouvi pessoalmente durante o tempo em que estive no Afeganistão.

Um dos homens na multidão era de Greshk, um homem barbado de turbante branco, que estava indignado com a polícia afegã.

Ele me contou, em off, que a polícia estuprou seu filho de 15 anos e ele estava lá para reclamar com o governador Mangal. A raiva e frustração eram visíveis em seu rosto.

O homem afirmou que, se o governador não fizer nada, ele vai se juntar ao Talebã, assim como seu filho. Ele também disse que os dois até estavam prontos para realizar ataques suicidas.

Prisões e pedidos

Encontrei outra pessoa do distrito de Musa Qala, que foi prisioneiro em uma prisão do Talebã, por ter cooperado com o governo. Ele afirmou que a maior parte de seu distrito está sob o controle do Talebã.

Segundo ele, o governo está presente apenas no centro do distrito e Talebã exerce um governo paralelo na região. De acordo com o homem, o Talebã julga e condena as pessoas, sentencia à prisão e é responsável pela execução.

Também encontrei um idoso, de cerca de 70 anos. Ele está lutando para conseguir a libertação de seu filho que foi preso por soldados afegãos e estrangeiros sob acusação de cooperar com o Talebã.

O homem, exausto, contou que seu filho é inocente e, para tentar sua libertação, ele já foi a todos os lugares. O gabinete do governador era sua última esperança.

Mas, segundo o idoso, a corrupção o deixou sem esperanças. Ele conta que, em todos os lugares onde passou, pediram dinheiro, mas ele é muito pobre para comprar a libertação de seu filho.

No dia seguinte eu estava em um avião de volta para Cabul, deixando para trás milhares de pessoas em Helmand, que lutam pelo direito de viver pacificamente e estão pagando o preço da guerra enter o Talebã e as forças de coalizão."

Fonte: bbcbrasil