terça-feira, 29 de setembro de 2015



A análise dos atuais fluxos migratórios, suas origens e consequências, revela questões de ordem sociocultural, econômica e política que ocupam destaque na mídia, alardeiam movimentos sociais de defesa dos direitos humanos e tornam-se objeto de pesquisa científica de inúmeras áreas. Este colóquio interdisciplinar é organizado pelo GAIRE - Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados e seus parceiros. O evento é voltado para profissionais e estudantes da Comunicação Social, mas participantes de outras áreas também são bem-vindos. 

Data: 16 de Outubro (Noite) e 17 de Outubro (Manhã e Tarde). 
Local: Auditório do Museu de Direitos Humanos do Mercosul - Rua 7 de Setembro, Praça da Alfândega, 1020 - Porto Alegre, Rio Grande do Sul - Brasil. 
Contato: gaireprojetos@gmail.com 
Organização: Grupo de Assessoria e Imigrantes e a Refugiados
Apoio: Museu de Direitos Humanos do Mercosul
Mais informações no evento no facebook: https://www.facebook.com/events/892580050822727/

Certificados de 12 horas complementares poderão ser solicitados (se assim desejável pelo participante) na sexta-feira do evento ao custo de R$ 10,00 (dez reais). Não é necessário pagamento do certificado para participação do evento, isto é, o evento é gratuito. Entretanto, é sempre necessária inscrição, pois temos vagas limitadas de acordo com a capacidade do auditório. As inscrições são, portanto, limitadas. Sugerimos respostas simples e objetivas, de 50 a 200 caracteres. Cabe ressaltar que elas não serão divulgadas. A proposta é gerar reflexão e análise da opinião pessoal. Inscrições incompletas NÃO serão computadas, pois as respostas serão utilizadas como atividade do encontro. 
Inscrições no link: http://goo.gl/forms/rJpHc8o1UT

Você NÃO receberá um e-mail de confirmação após o término da inscrição. O término e envio do formulário indica que você está automaticamente inscrito. Pedimos que realize a inscrição caso tenha certeza que participará do evento. Se realizada a inscrição e não puder participar, envie e-mail a gaireprojetos@gmail.com para que possamos reabrir vagas a novos interessados. 


Programação:

18:30 - Sexta-feira (16 de Outubro)

Prof. Giuliana Redin - Relações Internacionais - UFSM. Professora do Programa de Pós- Graduação Stricto Sensu da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Professora Adjunta do Departamento de Direito e Curso de Relações Internacionais da UFSM. Coordenadora do MIGRAIDH, Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional da UFSM. Líder do Grupo de Pesquisa CNPq Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional.
Súmula: Política Nacional Imigratória, Novo Marco Legal e os Desafios a partir da Agenda dos Direitos Humanos; Política Nacional para Refugiados e Cartagena +30; Novos Fluxos Imigratórios, Complexidades e Desafios Político-Jurídicos. Migrações, refúgio e seus conceitos jurídicos. 

Laura Sartoretto - Direito UFRGS - Mestranda em Direito Internacional Público, Pós-graduada em Direito Internacional Público pela University College London - UCL. Advogada do Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados GAIRE/UFRGS. Membro da Cátedra Sérgio Vieira de Mello da UFGRS,
Súmula: refúgio, migração forçada e asilo. Compreensão histórica e atual da proteção dos refugiados no âmbito internacional, regional (Europa e América Latina) e nacional. O Sistema Europeu Comum de Asilo e a "armadilha de Dublin". O refugiado no Brasil: histórico e situação atual. Histórico da criação e atuação do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) e pessoas de interesse do ACNUR. Relação entre o Direito Internacional Humanitário com o Direito Internacional dos Refugiados. Conflitos Internacionais que geram fluxos forçados de pessoas e as missões humanitárias.

Mediação: Roberta Baggio - Professora adjunta da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Doutora em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (2008). Coordenadora docente do Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados (GAIRE/UFRGS).


09:00 até 12:00 h - Sábado (17 de Outubro) 

Prof. Denise Cogo - ESPM/São Paulo - Denise Cogo é professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM-SP (Escola Superior de Propaganda e Marketing), onde coordena o grupo de pesquisa Interculturalidade, cidadania, comunicação e consumo e atua como editora da Revista Comunicação Mídia e Consumo (B1 - Qualis Capes). 
Súmula: a partir de alguns referenciais iniciais sobre teorias das mídias, da sociedade rede e da comunicação e cultura digitais, nos propomos a sistematizar alguns fundamentos para a compreensão dos processos de construção, representação e visibilidade midiáticas das migrações transnacionais. Em um segundo momento, analisaremos três dimensões das relações entre mídias e migrações transnacionais, enfatizando os impactos dessa visibilidade midiática na cidadania dos migrantes: a produção de narrativas sobre as migrações pelas organizações midiáticas “tradicionais”; as interações dos imigrantes com as mídias a partir do consumo, interpretações e ressignificações dessas narrativas; e as produções midiáticas próprias de migrantes, redes migratórias e organizações de apoio às migrações situadas no âmbito do que denominamos de ativismo migrante. A partir dessas três dimensões, serão propostos alguns exercícios de análise sobre alguns episódios atuais envolvendo a construção e visibilidade midiáticas da realidade das migrações transnacionais no Brasil e no mundo.

Prof. Liliane Dutra Brignol - professora do Departamento de Ciências da Comunicação, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, Santa Maria - RS), onde integra o corpo docente do Programa de Pós-graduação em Comunicação, atuando na linha de pesquisa Mídia e identidades contemporâneas.
Súmula: procuramos refletir sobre representação midiática da migração no contexto gaúcho, com foco para o caso dos migrantes senegaleses em cidades gaúchas, situando a compreensão de identidade e representação na perspectiva dos estudos culturais. Parte-se de mapeamento e análise da cobertura da mídia, em sites de oito jornais brasileiros, entre 2014 e 2015. Casos específicos de matérias publicadas no período são analisados. De modo geral, discutimos sobre a manutenção de uma cobertura que mantém um caráter discriminatório, ou que aborda as políticas de migração e cidadania migrante apenas como problemas a serem resolvidos. Por outro lado, sobretudo nos jornais de cidades do interior gaúcho com forte presença deste coletivo migrante, começa a ser percebida uma abordagem em termos de integração e contribuição do migrante.

Mediação: Aline Passuelo - Doutoranda e Mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia (UFRGS), Socióloga voluntária no Grupo de Assessoria a Migrantes e a Refugiados (GAIRE) do Serviço de Atendimento Jurídico (SAJU).


14:00 até 17:30 - Sábado (17 de Outubro)

Natália Ledur Alles: Doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com período de doutorado-sanduíche realizado no Instituto de Comunicação da Universitat Autònoma de Barcelona (2014-2015). Mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS.
Súmula: embora não seja uma temática que receba grande atenção dos meios de comunicação brasileiros, a migração – predominantemente de mulheres – com objetivo de atuar no mercado do sexo nos países europeus é um assunto frequentemente abordado na mídia internacional, com enquadramentos que percebem esses sujeitos entre os polos da culpabilização e da vitimização e reforçam a marginalização e a estigmatização dos trabalhadores do sexo e imigrantes. A criminalização da prostituição e a confusão conceitual entre prostituição, tráfico de pessoas e exploração sexual de crianças e adolescentes desqualificam o trabalho sexual como meio relativamente autônomo de sobrevivência para mulheres e faz com que as prostitutas, migrantes ou não, sofram com a discriminação dos demais habitantes das cidades. Nesse sentido, merece destaque a reflexão sobre como o combate ao tráfico de pessoas e sua repercussão midiática contribuem para que todas as prostitutas migrantes sejam vistas como vítimas ao desconsiderar a agência de muitas mulheres que desejam ou planejam ser profissionais do sexo em outros países. Por outro lado, é relevante observar que a construção social da prostituição como atividade moralmente condenada que é tratada como delito aumenta a vulnerabilidade das mulheres migrantes, visto que há uma abusiva e constante associação da imigração feminina como destinada a atuar no mercado do sexo (JULIANO, 2004). Portanto, a partir da análise de alguns exemplos de matérias publicadas sobre o assunto, pretendemos propor uma reflexão sobre como o combate e as tentativas de criminalização da prostituição afetam e prejudicam as mulheres migrantes.

Bibiana Nilson: Mestranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Ciências da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2013) e Licenciada em Letras - Habilitação Alemão - Português pela Unisinos. Jornalista colaboradora do GAIRE - Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados.
Súmula: Diálogos: Após discussões a respeito de conceitos relativos às migrações e representações na mídia, chega a hora de dialogar com quem é representado: os participantes terão a oportunidade de conversar diretamente com migrantes.
Atividade final: Além da avaliação dos dois dias de atividades, propõe-se neste fechamento, um exercício crítico-reflexivo, através do qual os participantes poderão avaliar o desenvolvimento de seu conhecimento com relação ao tema migrações transnacionais e mídia, bem como problematizar seus papéis enquanto comunicadores nesse contexto.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Nota de Repúdio

Nota de Repúdio

O Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados SAJU/UFRGS lamenta e repudia o ato desumano de violência praticado contra o imigrante senegalês Cheikh Oumar Foutyou Diba, 25 anos, que teve suas pernas incendiadas, enquanto dormia, na Avenida Rio Branco, no centro de Santa Maria (RS) na manhã do último sábado (12). Repudiamos todo e qualquer ato de xenofobia, racismo e discriminação. 

O GAIRE lamenta a inexistência de políticas públicas eficientes que possam beneficiar pessoas em situação de rua. Ratificamos a necessidade de melhores políticas voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade, independentemente de nacionalidade e origens. Esperamos do poder público melhor implementação de políticas que visem à integração de imigrantes em nossa sociedade. Esperamos também que o crime seja totalmente esclarecido e os responsáveis identificados.


O GAIRE manifesta seu sentimento de consternação e solidariedade com a comunidade migrante senegalesa no Brasil, em especial Cheikh Oumar Foutyou Diba, vítima de prática de ato de desumanidade, crueldade e violência na cidade de Santa Maria-RS. Estamos disponíveis para prestar toda e qualquer assessoria jurídica de que Cheick, seus amigos e familiares possam necessitar.

14 de Setembro de 2015.


Notícia em:
http://diariodesantamaria.clicrbs.com.br/rs/geral-policia/noticia/2015/09/meus-amigos-brasileiros-me-queimaram-disse-senegales-atacado-em-santa-maria-4846732.html