A análise dos atuais fluxos migratórios, suas origens e consequências, revela questões de ordem sociocultural, econômica e política que ocupam destaque na mídia, alardeiam movimentos sociais de defesa dos direitos humanos e tornam-se objeto de pesquisa científica de inúmeras áreas. Este colóquio interdisciplinar é organizado pelo GAIRE - Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados e seus parceiros. O evento é voltado para profissionais e estudantes da Comunicação Social, mas participantes de outras áreas também são bem-vindos.
Data: 16 de Outubro (Noite) e 17 de Outubro (Manhã e Tarde).
Local: Auditório do Museu de Direitos Humanos do Mercosul - Rua 7 de Setembro, Praça da Alfândega, 1020 - Porto Alegre, Rio Grande do Sul - Brasil.
Contato: gaireprojetos@gmail.com
Organização: Grupo de Assessoria e Imigrantes e a Refugiados
Apoio: Museu de Direitos Humanos do Mercosul
Mais informações no evento no facebook: https://www.facebook.com/events/892580050822727/
Certificados de 12 horas complementares poderão ser solicitados (se assim desejável pelo participante) na sexta-feira do evento ao custo de R$ 10,00 (dez reais). Não é necessário pagamento do certificado para participação do evento, isto é, o evento é gratuito. Entretanto, é sempre necessária inscrição, pois temos vagas limitadas de acordo com a capacidade do auditório. As inscrições são, portanto, limitadas. Sugerimos respostas simples e objetivas, de 50 a 200 caracteres. Cabe ressaltar que elas não serão divulgadas. A proposta é gerar reflexão e análise da opinião pessoal. Inscrições incompletas NÃO serão computadas, pois as respostas serão utilizadas como atividade do encontro.
Inscrições no link: http://goo.gl/forms/ rJpHc8o1UT
Você NÃO receberá um e-mail de confirmação após o término da inscrição. O término e envio do formulário indica que você está automaticamente inscrito. Pedimos que realize a inscrição caso tenha certeza que participará do evento. Se realizada a inscrição e não puder participar, envie e-mail a gaireprojetos@gmail.com para que possamos reabrir vagas a novos interessados.
Programação:
18:30 - Sexta-feira (16 de Outubro)
Prof. Giuliana Redin - Relações Internacionais - UFSM. Professora do Programa de Pós- Graduação Stricto Sensu da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Professora Adjunta do Departamento de Direito e Curso de Relações Internacionais da UFSM. Coordenadora do MIGRAIDH, Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional da UFSM. Líder do Grupo de Pesquisa CNPq Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional.
Súmula: Política Nacional Imigratória, Novo Marco Legal e os Desafios a partir da Agenda dos Direitos Humanos; Política Nacional para Refugiados e Cartagena +30; Novos Fluxos Imigratórios, Complexidades e Desafios Político-Jurídicos. Migrações, refúgio e seus conceitos jurídicos.
Laura Sartoretto - Direito UFRGS - Mestranda em Direito Internacional Público, Pós-graduada em Direito Internacional Público pela University College London - UCL. Advogada do Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados GAIRE/UFRGS. Membro da Cátedra Sérgio Vieira de Mello da UFGRS,
Súmula: refúgio, migração forçada e asilo. Compreensão histórica e atual da proteção dos refugiados no âmbito internacional, regional (Europa e América Latina) e nacional. O Sistema Europeu Comum de Asilo e a "armadilha de Dublin". O refugiado no Brasil: histórico e situação atual. Histórico da criação e atuação do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) e pessoas de interesse do ACNUR. Relação entre o Direito Internacional Humanitário com o Direito Internacional dos Refugiados. Conflitos Internacionais que geram fluxos forçados de pessoas e as missões humanitárias.
Mediação: Roberta Baggio - Professora adjunta da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Doutora em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (2008). Coordenadora docente do Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados (GAIRE/UFRGS).
09:00 até 12:00 h - Sábado (17 de Outubro)
Prof. Denise Cogo - ESPM/São Paulo - Denise Cogo é professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM-SP (Escola Superior de Propaganda e Marketing), onde coordena o grupo de pesquisa Interculturalidade, cidadania, comunicação e consumo e atua como editora da Revista Comunicação Mídia e Consumo (B1 - Qualis Capes).
Súmula: a partir de alguns referenciais iniciais sobre teorias das mídias, da sociedade rede e da comunicação e cultura digitais, nos propomos a sistematizar alguns fundamentos para a compreensão dos processos de construção, representação e visibilidade midiáticas das migrações transnacionais. Em um segundo momento, analisaremos três dimensões das relações entre mídias e migrações transnacionais, enfatizando os impactos dessa visibilidade midiática na cidadania dos migrantes: a produção de narrativas sobre as migrações pelas organizações midiáticas “tradicionais”; as interações dos imigrantes com as mídias a partir do consumo, interpretações e ressignificações dessas narrativas; e as produções midiáticas próprias de migrantes, redes migratórias e organizações de apoio às migrações situadas no âmbito do que denominamos de ativismo migrante. A partir dessas três dimensões, serão propostos alguns exercícios de análise sobre alguns episódios atuais envolvendo a construção e visibilidade midiáticas da realidade das migrações transnacionais no Brasil e no mundo.
Prof. Liliane Dutra Brignol - professora do Departamento de Ciências da Comunicação, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, Santa Maria - RS), onde integra o corpo docente do Programa de Pós-graduação em Comunicação, atuando na linha de pesquisa Mídia e identidades contemporâneas.
Súmula: procuramos refletir sobre representação midiática da migração no contexto gaúcho, com foco para o caso dos migrantes senegaleses em cidades gaúchas, situando a compreensão de identidade e representação na perspectiva dos estudos culturais. Parte-se de mapeamento e análise da cobertura da mídia, em sites de oito jornais brasileiros, entre 2014 e 2015. Casos específicos de matérias publicadas no período são analisados. De modo geral, discutimos sobre a manutenção de uma cobertura que mantém um caráter discriminatório, ou que aborda as políticas de migração e cidadania migrante apenas como problemas a serem resolvidos. Por outro lado, sobretudo nos jornais de cidades do interior gaúcho com forte presença deste coletivo migrante, começa a ser percebida uma abordagem em termos de integração e contribuição do migrante.
Mediação: Aline Passuelo - Doutoranda e Mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia (UFRGS), Socióloga voluntária no Grupo de Assessoria a Migrantes e a Refugiados (GAIRE) do Serviço de Atendimento Jurídico (SAJU).
14:00 até 17:30 - Sábado (17 de Outubro)
Natália Ledur Alles: Doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com período de doutorado-sanduíche realizado no Instituto de Comunicação da Universitat Autònoma de Barcelona (2014-2015). Mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS.
Súmula: embora não seja uma temática que receba grande atenção dos meios de comunicação brasileiros, a migração – predominantemente de mulheres – com objetivo de atuar no mercado do sexo nos países europeus é um assunto frequentemente abordado na mídia internacional, com enquadramentos que percebem esses sujeitos entre os polos da culpabilização e da vitimização e reforçam a marginalização e a estigmatização dos trabalhadores do sexo e imigrantes. A criminalização da prostituição e a confusão conceitual entre prostituição, tráfico de pessoas e exploração sexual de crianças e adolescentes desqualificam o trabalho sexual como meio relativamente autônomo de sobrevivência para mulheres e faz com que as prostitutas, migrantes ou não, sofram com a discriminação dos demais habitantes das cidades. Nesse sentido, merece destaque a reflexão sobre como o combate ao tráfico de pessoas e sua repercussão midiática contribuem para que todas as prostitutas migrantes sejam vistas como vítimas ao desconsiderar a agência de muitas mulheres que desejam ou planejam ser profissionais do sexo em outros países. Por outro lado, é relevante observar que a construção social da prostituição como atividade moralmente condenada que é tratada como delito aumenta a vulnerabilidade das mulheres migrantes, visto que há uma abusiva e constante associação da imigração feminina como destinada a atuar no mercado do sexo (JULIANO, 2004). Portanto, a partir da análise de alguns exemplos de matérias publicadas sobre o assunto, pretendemos propor uma reflexão sobre como o combate e as tentativas de criminalização da prostituição afetam e prejudicam as mulheres migrantes.
Bibiana Nilson: Mestranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Ciências da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2013) e Licenciada em Letras - Habilitação Alemão - Português pela Unisinos. Jornalista colaboradora do GAIRE - Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados.
Súmula: Diálogos: Após discussões a respeito de conceitos relativos às migrações e representações na mídia, chega a hora de dialogar com quem é representado: os participantes terão a oportunidade de conversar diretamente com migrantes.
Atividade final: Além da avaliação dos dois dias de atividades, propõe-se neste fechamento, um exercício crítico-reflexivo, através do qual os participantes poderão avaliar o desenvolvimento de seu conhecimento com relação ao tema migrações transnacionais e mídia, bem como problematizar seus papéis enquanto comunicadores nesse contexto.