sexta-feira, 29 de novembro de 2013

ONU faz apelo em favor das crianças sírias traumatizadas pela guerra

Elas respondem por metade dos 2,2 milhões de refugiados sírios registrados na região: uma geração inteira de crianças sírias traumatizadas, isoladas e privadas de educação, advertiu nesta sexta-feira a ONU em um relatório.


ONU diz que o mundo deve agir para salvar da catástrofe uma geração de pessoas inocentes

Foto: JOSEPH EID / AFP



— Se não agirmos rapidamente, uma geração de pessoas inocentes será sacrificada por causa desta guerra terrível — alertou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Antonio Guterres, ao apresentar o primeiro estudo abrangente conduzido pelo ACNUR sobre as crianças sírias desde o início do conflito, em março de 2011.

— O mundo precisa agir para salvar da catástrofe uma geração de crianças sírias traumatizadas, isoladas e cercadas pelo sofrimento — alertou por sua vez a enviada especial do ACNUR, Angelina Jolie.

De acordo com o relatório, cerca de 294.300 crianças sírias encontraram refúgio na Turquia, 385 mil no Líbano, 291.200 na Jordânia, 77.120 no Iraque, 56.150 no Egito e mais de 7.600 na África do Norte.

Mais de 3,7 mil entre elas estão desacompanhadas ou foram separadas de seus pais. Além disso, mais de 70 mil famílias de refugiados sírios vivem sem o pai.

Os autores do estudo, que puderam entrevistar crianças sírias apenas na Jordânia e no Líbano, dizem ter recebido informações sobre meninos treinados para lutar quando retornarem para a Síria.

Além disso, constataram que muitas famílias de refugiados sem recursos financeiros enviam seus filhos para trabalhar e garantir a sua sobrevivência.

Na Jordânia e no Líbano, os pesquisadores descobriram que as crianças, algumas com apenas sete anos de idade, enfrentam longas horas de trabalho em troca de baixos salários e, muitas vezes, em condições perigosas.

Desta forma, no campo de refugiados jordaniano de Zaatari, a maioria dos 680 pequenos comércios empregam crianças.

E um estudo realizado em onze das doze províncias da Jordânia mostra que quase um em cada dois familiares de refugiados sobrevive em parte ou totalmente graças ao salário de uma criança.

Como resultado, a maioria das crianças sírias no exílio não vão à escola. Mais da metade das crianças em idade escolar que vivem na Jordânia não frequentam salas de aulas.

No Líbano, cerca de 200 mil crianças refugiadas sírias com idade suficiente para ir para a escola podem permanecer até o final de 2013 sem acesso à educação.

Outra sintoma que tem provocado grande preocupação é o grande número de bebês nascidos no exílio sem certidão de nascimento - um documento essencial para prevenir a apatridia.

Após quase mil dias de um conflito que fez mais de 120 mil mortos, o ACNUR faz um apelo à comunidade internacional a apoiar os países vizinhos da Síria para manter suas fronteiras abertas e melhorar seus serviços de atendimento às vítimas do conflito.

Guterres pede ainda aos outros países que ofereçam mais habitações e admitam, por razões humanitárias, as famílias de refugiados com crianças gravemente feridas.




Fonte: Zero Hora e AFP
Foto: JOSEPH EID / AFP

domingo, 10 de novembro de 2013

GAIRE participa da Jornada Inaugural da Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFRGS


No dia 6 de novembro de 2013 ocorreu a Jornada Inaugural da Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFRGS. A Cátedra visa o incentivo à pesquisa e à produção acadêmica relacionada ao Direito Internacional dos Refugiados e conta com ações nos três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão. O GAIRE - Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados/SAJU – é o representante da extensão dentro desse projeto.


A Cátedra Sérgio Vieira de Mello, da qual a UFRGS agora faz parte, foi criada em 2003 por iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), como iniciativa de homenagear o Diplomata Sérgio Vieira de Mello, que dedicou boa parte de sua carreira ao trabalho com refugiados.

Prof. Dr. Tupinambá Pinto de Azevedo, discursando na abertura da Jornada 

Em sua inauguração na UFRGS, falou o Prof. Dr. Tupinambá Pinto de Azevedo, docente responsável por trazer a iniciativa à UFRGS. Em seguida, um painel sobre refúgio, migrações e direitos humanos trouxe para debate Profa. Dra. Denise Fagundes Jardim (NACi/UFRGS), Dra. Fernanda Hahn (Defensoria Pública da União),  Profa. Gabriela Mezzanoti (CSVM Unisinos) e Marina Finger (GAIRE/UFRGS) - sob moderação do Prof. Dr. Fábio Morosini, da Faculdade de Direito da UFRGS.

Marina Finger (à esq.), do GAIRE, compõe a mesa sobre refúgio, migrações e direitos humanos




Por fim, a Conferência Magna – “Sérgio Vieira de Mello e seu Legado” – foi proferida pelo Sr. Andrés Alfonso Ramirez Silva, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados no Brasil – ACNUR.


Alguns membros do GAIRE acompanhados do Sr. Andrés Alfonso Ramirez Silva, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados no Brasil
Para saber mais sobre a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, veja aqui a página do projeto organizada pelo ACNUR.