sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dissidentes libertados dizem não ver abertura em Cuba

Os ex-prisioneiros políticos cubanos que chegaram nesta semana à Espanha afirmaram em entrevista à BBC que sua libertação não é um sinal de mudança nas condições políticas do país.

Nove dissidentes chegaram na terça-feira em Madri, após um acordo fechado na semana passada entre o governo cubano, a Igreja Católica de Cuba e diplomatas espanhóis, que prevê a libertação gradual de 52 prisioneiros.

Normando Hernandez, um dos ex-prisioneiros, afirmou que os motivos do governo de Cuba precisam ser compreendidos.

"Cuba não está se abrindo para a democracia", disse.

"Pessoalmente, acredito que é um truque do governo de Cuba. As necessidades econômicas da ilha são enormes. A situação social é crítica."

"Por isso é que é importante chamar a atenção das comunidades internacionais para este aspecto do governo cubano, para que eles não sejam enganados novamente", disse Hernandez à BBC em Madri.

Hernandez foi preso em 2003, supostamente por organizar uma universidade independente de jornalismo em Cuba.

O dissidente disse à BBC que sua saúde foi muito prejudicada pela alimentação e pelas condições sanitárias ruins a que esteve submetido durante seus sete anos de prisão.

Futuro

Os exilados cubanos agora vivem em acomodações temporárias, nos arredores da capital espanhola.

Muitos deles estão acompanhados das esposas depois de sete anos de separação, mas, segundo Hernandez, o futuro dos refugiados é incerto.

Alguns dos ex-prisioneiros acreditam que não será fácil encontrar emprego no país.

Outros falam em tentar se mudar para os Estados Unidos. Todos afirmam que prefeririam voltar à Cuba.



Fonte: www.oglobo.com

segunda-feira, 12 de julho de 2010

EUA mudam foco para empregador no combate à imigração ilegal

CHICAGO (Reuters) - O governo dos Estados Unidos está adotando uma nova abordagem para controlar trabalhadores ilegais, examinando calmamente os registros de milhares de empresas suspeitas de contratar imigrantes sem documentos ao invés de realizar as chamativas batidas nos locais de trabalho.

Uma reportagem do jornal The New York Times disse neste sábado que o governo de Barack Obama conduziu tais exames em mais de 2.900 empresas até agora - um número que seria bem maior que a quantidade de empresas afetadas pelas patrulhas de imigração em fábricas e fazendas durante os oito anos de governo do predecessor republicano de Obama, George W. Bush.

A agência responsável por investigar casos de imigração ilegal (a ICE, pela sigla em inglês) já impôs 3 milhões de dólares em multas a empresas infratoras.

Segundo o jornal, o governo obriga as empresas a demitir todo imigrante ilegal descoberto em suas folhas de pagamento - não apenas aqueles trabalhando durante o exame - e torna mais difícil para as empresas substituir os funcionários demitidos com outros trabalhadores desautorizados.

O NYT disse, porém, que a maioria dos trabalhadores descobertos pela investigação não estão sendo deportados ao perderem o emprego, e que o governo não tem feito mais acusações criminais a imigrantes ilegais de ficha limpa.

O diretor da agência, John Morton, disse ao jornal que a proposta dos exames é criar "uma cultura de consentimento" em que os empregadores verificariam de forma rotineira a situação legal de seus trabalhadores. Ele disse que a agência está mais interessada em encontrar grandes empregadores de ilegais.

Com eleições ao Congresso norte-americano em novembro, a imigração ilegal se tornou uma preocupação crescente. Tradicionalmente, os hispânicos tendem a votar pelos democratas, mas o Partido Republicano vem ganhando espaço entre eles.

O Departamento de Justiça dos EUA entrou com processo nesta semana contra o Estado do Arizona, por causa de uma nova lei estadual que exige que a polícia comum (e não a polícia federal especializada em imigração) investigue a situação de imigração de qualquer um minimamente suspeito de ser imigrante ilegal.


(Reportagem de James B. Kelleher)

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/07/10/eua-mudam-foco-para-empregador-no-combate-imigracao-ilegal-917118579.asp

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Itália é acusada de deixar Líbia maltratar refugiados

Por Silvia Aloisi

ROMA (Reuters) - A oposição italiana acusou nesta terça-feira o governo de fazer vista grossa ao destino de 245 refugiados da Eritreia devolvidos ao mar por patrulhas italianas e agora detidos na Líbia sob "condições desumanas."

Grupos de direitos humanos pediram ao governo italiano que ofereça asilo aos cidadãos da Eritreia, alegando que muitos foram maltratados durante sua detenção.

Desde o ano passado, entrou em vigor um acordo pelo qual a Itália deve deportar para a Líbia os imigrantes interceptados no mar.

"O que acontece com esses cidadãos eritreus é vergonhoso", disse Paolo Ferrero, do partido Refundação Comunista. "É o enésimo exemplo de como o governo está efetivamente negando o direito ao asilo."

Por iniciativa dos partidos de oposição, o governo deverá ir na quarta-feira ao Parlamento se explicar.

Em carta aberta divulgada nesta terça-feira, o comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Thomas Hammarberg, disse ter recebido relatos de que os migrantes são objeto de violência da polícia militar líbia, deixando muito deles gravemente feridos.

Hammarberg pediu aos ministérios de Interior e Relações Exteriores da Itália que esclareçam com urgência a situação com as autoridades líbias.

Os dois ministros disseram em carta conjunta ao jornal Il Foglio que Roma interveio junto à Líbia para identificar os eritreus e tentar encontrar emprego para eles na Líbia, de modo que não sejam repatriados à força.

Mas os ministros ressaltaram que é necessário respeitar a soberania líbia, e defenderam que a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras organizações internacionais também se envolvam no problema.


Fonte: oglobo.com

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Prefeito de Nova Iorque comanda coalizão de empresários que pedem a reforma imigratória

06/30/2010 09:08:28 AM
Além de prefeitos, grupo é formado pelos CEO’s de grandes multinacionais.
Reprodução

Michael Bloomberg, prefeito de Nova Iorque.

A luta pela reforma imigratória ganhou fortes aliados. O prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, junto com os principais executivos das gigantes News Corp., Boeing, Disney e Hewlett Packard, anunciou na quinta-feira (24) a formação da Partnership for a New American Economy. A coalizão quer demonstrar a importância dos imigrantes para o país e pressionar o governo federal a aprovar a reforma imigratória.

De acordo com matéria da Associated Press (AP), há outras grandes companhias e mais prefeitos envolvidos na campanha. O grupo vai lutar para que os imigrantes indocumentados consigam se legalizar. A meta principal do Partnership é reformular a lei de imigração, mostrando que ela pode solucionar e estimular a economia americana.

Em um comunicado oficial, os executivos disseram que as empresas deles e a nação dependem dos imigrantes.

“É nossa grande força como uma nação, e também um fator decisivo para o crescimento da economia. Para nos mantermos competitivos no século 21, precisamos de uma reforma de imigração eficaz, que convide as pessoas a contribuírem com o sucesso que nós partilhamos, o de construir o seu próprio sonho americano”, declarou o presidente do conselho e diretor-geral da Walt Disney Co., Robert Iger.

Para comprovar que os imigrantes são a força econômica dos EUA, o Partnership pretende conduzir pesquisas, realizar foruns, publicar estudos e pagar campanhas de educação pública.

Não é de hoje que Michael Bloomberg critica o governo federal por causa das leis imigratórias. Em 2006, o ex-executivo principal da Bloomberg LP disse que os 12 milhões de imigrantes indocumentados do país deveriam ter a oportunidade de virar cidadãos americanos. Segundo o prefeito, a economia seria devastada se estes imigrantes fossem deportados. Bloomberg aproveitou para alfinetar os legisladores que queriam deportar os imigrantes indocumentados, dizendo que eles viviam “num mundo de fantasia”.

Política de imigração é suicida
Em declaração mais recente, o bilionário prefeito de Nova Iorque chamou o sistema imigratório americano de “suicídio nacional”.
“Não consigo pensar em outras formas de destruir este país que não sejam tão diretas e impactantes como a política de imigração. Educamos os melhores e mais brilhantes, e não damos a eles o green card”, disse Bloomberg.

Entre as propostas do Partnership estão: melhorar o uso da tecnologia para prevenir a imigração ilegal, desenvolver um sistema fácil que verifique quem é elegível para trabalhar no país, proteger as fronteiras e responsabilizar as empresas que violarem as leis. Além disso, a coalizão deseja mais oportunidades para os imigrantes no mercado de trabalho americano, e um caminho para a legalização de todos os imigrantes indocumentados.

Juntos, os executivos da Partnership faturam mais de $220 bilhões anuais em vendas, e empregam mais de 650 mil pessoas.

De acordo com Jason Post, porta-voz de Bloomberg, ainda não foi gasto nenhum dinheiro com a Partnership. Ainda segundo Post, não está confirmado se o grupo será uma organização sem fins lucrativos, um comitê de ação política ou ainda uma organização do tipo 501 (c) 4, que não tem fins lucrativos e é isenta do imposto de renda.

O australiano Rupert Murdoch, presidente do conselho e executivo principal da News Corp., expressou tudo o que pensa. “Como um imigrante, acredito que este país possa e deva adotar novas políticas imigratórias de acordo com nossas necessidades de emprego, proporcionar um caminho para o status legal dos indocumentados e por um fim à imigração ilegal”, disse ele.

Da redação do ComunidadeNews.com