Os haitianos querem ser reconhecidos como refugiados. Com isso, teriam direito a receber auxílio de todos os programas das Nações Unidas. Mas a ONU não prevê esse status para pessoas desalojadas por desastres naturais.
Para evitar que morram de fome, o governo brasileiro adotou uma solução intermediária: nega a condição de refugiados aos haitianos, mas concede a eles visto humanitário. Isso lhes dá direito a usar o Sistema Único de Saúde (SUS), ter um CPF e Carteira de Trabalho. Muitos insistem em querer ser refugiados e recebem um protocolo, pedindo que voltem em 90 dias para ver o resultado do pedido.
– O problema é que a maioria não volta a entrar em contato. Apenas ingressam no Brasil e somem do mapa, virando clandestinos – contou uma fonte do Acnur.
Oficialmente, o Comitê Nacional de Refugiados recebeu 1.377 pedidos de haitianos que desejam status de refugiados. A estimativa, porém, é de que até 3 mil já ingressaram no país. A boa receptividade mostrada pelos brasileiros não encontra contrapartida nos países vizinhos.
Cerca de 30 homens e mulheres haitianos passam fome em Iñapari, capital da província de Tahuamanu, no Peru, enquanto aguardam pela oportunidade de acesso ao território brasileiro. Os imigrantes são profissionais, principalmente pedreiros, que querem trabalhar no Brasil para ajudar os familiares. Na verdade, estão dispostos a ir para qualquer país que ofereça oportunidade de trabalho, para garantir o sustento diário e apoiar quem ficou no Haiti. Todos estão na faixa etária de 20 a 30 anos. A maioria é composta de trabalhadores braçais e carpinteiros, mas aparecem também técnicos agrícolas, mecânicos e até teólogos. Falam um francês arrevesado e apenas arranham o espanhol e o inglês.
Na visita a Epitaciolândia, o deputado Paulo Pimenta falou com vários haitianos. O mestre de obras Pierre Luz lhe explicou por que veio ao país:
– Sempre fomos fanáticos pelo futebol brasileiro e o haitiano sempre teve o pensamento do Brasil como um país disponível. Estamos aqui para trabalhar, buscar “plata”, regressar ao nosso país, tirar a família debaixo da lama e construir uma casa.
Fonte: Diário Catarinense - ClicRBS