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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Palestinos vão pedir que ONU reconheça seu Estado independente

fonte: BBC

O negociador-chefe palestino afirmou neste domingo que seu governo pedirá ao Conselho de Segurança da ONU que reconheça um Estado palestino independente.
Saeb Erekat afirmou à BBC que o pedido deve ser feito por causa da falta de progressos na retomada das negociações de paz com o governo israelense.

"Agora é nosso momento decisivo. Entramos nesse processo de paz para atingir uma solução de dois Estados", disse ele.

"O fim do jogo é dizer aos israelenses que agora a comunidade internacional reconhece uma solução de dois Estados com as fronteiras de 67", completou.

Apoio internacional

Erekat afirmou que esta não seria uma declaração unilateral mas sim "uma decisão palestina apoiada agora pelo encontro dos ministros das Relações Exteriores árabes da semana passada".

"Nos consultaremos com a União Europeia, os russos, a ONU, as nações africanas, latinas e depois disso, diremos aos americanos 'vocês não conseguiram fazer com que os israelenses parassem as atividades nos assentamentos, por que usariam então seu poder de veto?'"

A imprensa israelense especula que os EUA, país com direito a veto e tradicional aliado israelense, impediria a aprovação de uma eventual declaração do Conselho de Segurança ratificando a independencia palestina

Mas o ministro da Defesa israelense, Ehudbarak, disse que Israel corre o risco de ver a comunidade internacional se voltar para o lado palestino se as negociações de paz não forem retomadas.

Independência em 88

Neste domingo, o vice-premiê israelense, Silvan Shalon, afirmou que "nenhuma declaração unilateral feita pelos palestinos moverá Israel em direção à paz".
O Conselho de Segurança da ONU ainda não se pronunciou mas Erekat disse que a Rússia, um dos países com direito de veto, além de países europeus, apoiariam a ideia.

Erekat disse que os palestinos sentem que lhes sobraram poucas opções já que Israel continua construindo assentamentos judaicos em áreas ocupadas desde a guerra de 1967.

O congelamento das ampliações dos assentamentos nas terras onde os palestinos pretendem construir seu futuro Estado é considerado por eles um pré-requisito para a retomada das negociações, exigência negada pelo governo do premiê Netanyahu.

Cerca de meio milhão de israelenses vivem neste assentamentos, além dos milhares de militares deslocados para protege-los.

Os palestinos pretendem construir seu futuro Estado na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza. As negociações de paz entre israelenses e palestinos vem ocorrendo intermitentemente pelos últimos 18 anos.

Os palestinos já haviam declarado independencia unilateralmente há exatos 21 anos, em 15 de novembro de 1988. A declaração foi reconhecida por dezenas de países, o Brasil não incluido, mas nunca implementada de fato.

domingo, 5 de abril de 2009

"Palestinos são a elite na Jordânia"

Maioria enriqueceu como empresários do setor privado no único país árabe que deu cidadania aos refugiados

Gustavo Chacra


Em Israel, algumas correntes políticas afirmam que a verdadeira pátria palestina é a Jordânia. O argumento é o de que há quase tantos palestinos quanto jordanianos no país. Até mesmo a rainha Rania é palestina. Esses israelenses têm razão, em parte. Há de fato uma grande quantidade de palestinos na Jordânia, mas a maior parte deles chegou a partir de 1948 e, especialmente, após 1967, como refugiados das guerras árabe-israelenses. São originalmente de cidades onde hoje é Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza.

Como a Jordânia ofereceu cidadania, hoje esses palestinos são também jordanianos. Podem trabalhar, votar e têm todos os direitos dos jordanianos nativos. Um cenário que contrasta com a situação no Líbano, onde os palestinos são confinados em campos de refugiados, sem cidadania e proibidos de exercer uma série de profissões.

Em Amã, diferentemente de Beirute, os palestinos compõem a elite. Enquanto os jordanianos nativos rumaram para empregos públicos, os palestinos dominaram a iniciativa privada, onde conseguiram enriquecer.

Com bons apartamentos, salários elevados e vivendo no que é provavelmente o país mais pacífico da região, eles teriam tudo para se sentir em casa.

Em qualquer rua da capital jordaniana, porém, quando indagados sobre qual seria sua nacionalidade, eles respondem: "Palestinos". Ainda que sejam nascidos em Amã, dirão que são de Nablus, Jenin ou Belém.

Dos palestinos e descendentes que vivem na Jordânia, há dois grupos. Primeiro, os que deixaram ou foram expulsos de suas terras em 1948 e não podem retornar - a não ser que consigam um visto de Israel.

Como israelenses e jordanianos mantêm relações diplomáticas, teoricamente, cidadãos da Jordânia podem visitar Israel com um visto. No início dos anos 90, depois da assinatura da paz entre Yitzhak Rabin e o rei Hussein, muitos conseguiram.

O problema é que, como parte deles não deixou mais Israel ou os territórios palestinos, os israelenses passaram a ser mais rigorosos.

"Acho humilhante ter de pedir um visto para a minha própria pátria, sendo que, na verdade, é quase certo que não receberei", disse ao Estado o palestino Abu Shakra.

O segundo grupo são os palestinos que deixaram o território em 1967, que podem visitar a Cisjordânia desde que tenham identidade palestina. Eles devem cruzar a fronteira pela ponte Allenby. O processo é demorado e muitos dizem que são humilhados.

Os palestinos entrevistados pelo Estado reclamaram da maneira como são tratados pelos israelenses. Israel defende-se e afirma que interrogatórios e inspeções são necessárias por questões de segurança.

Existem 2,7 milhões de palestinos e descendentes na Jordânia, dos quais 1,9 milhão são descritos como refugiados, segundo a ONU. É a maior quantidade de refugiados palestinos em todo o mundo, cerca de cinco vezes mais do que no Líbano, que vem em segundo lugar.

Eles não vivem tão longe da terra onde nasceram. Amã está a uma hora da fronteira. Se dirigirem em direção ao sul, durante todo o trajeto observam os territórios palestinos e Israel do outro lado.

A Jordânia, assim como Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza, era parte do Império Otomano até o fim da 1ª Guerra. O território passou para as mãos dos britânicos, que estabeleceram ali uma monarquia aliada: os hashemitas. Sem grandes cidades, a maior parte do território era habitada por beduínos, bem diferente das cidades palestinas, estabelecidas há séculos.

Fonte: Estadão.com.br (05/04/2009).

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ACNUR pede que países fronteiriços acolham refugiados de Gaza




O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) pediu que os países vizinhos da Faixa de Gaza forneçam algum tipo de proteção às vitímas civis dos bombardeios israelenses. O ACNUR destacou que os palestinos ainda não saíram em massa da região conflituosa devido ao bloqueio das Fronteiras. O conflito iniciado há 18 dias já custou a vida de 900 palestinos.

António Guterres
, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, demonstrou enorme consternação e tristeza pelas "enormes perdas de civis inocentes, entre eles crianças" e pelo sofrimento que estamos presenciando na região.

Apesar dos apelos, tanques israelenses já iniciaram uma ofensiva terrestre na cidade de Gaza. Enquanto soldados tentam remover os militantes do Hams de telhados e ruas, moradores do local se escondem em suas casa, ou tentam fugir dos conflitos.


Publicação: Radio Naciones Unidas(Internacional)

Data: 5 Fevereiro 2009

Disponível no idioma espanhol em: http://www.acnur.org/index.php?id_pag=8193

<<© Naciones Unidas>>

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

ACNUR pede ajuda para reassentamento de refugiados Palestinos

A agência da ONU para refugiados (ACNUR) divulgou em Genebra, Suíça, um apelo urgente à comunidade internacional para o reassentamento de refugiados Palestinos. Muitos deles vivem há mais de dois anos em campos na fronteira Iraque-Síria e em Bagdá, e um pequeno grupo está em outro campo na Síria. O pedido foi feito na véspera da consulta informal bianual do ACNUR, que aconteceu no dia 15 de outubro com a participação de países de reassentamento.

Dos 34 mil Palestinos que viviam no Iraque em 2003, menos de 15 mil continuam no país – incluindo os 2,9 mil que vivem atualmente nos dois campos na fronteira Iraque-Síria. De acordo com o porta-voz do ACNUR, Ron Redomond, cerca de 358 famílias que estão em campos fronteiriços são consideradas extremamente vulneráveis. “Essas famílias possuem sérios problemas de saúde, necessitam de tratamento médico urgente ou têm medo de perseguição caso retornem e, portanto, estão em necessidade urgente de reassentamento”, afirmou Redmond.

A maioria dos refugiados Palestinos fugiu de Bagdá em 2003 devido a ameaças, tortura, detenção ou depois que amigos e familiares foram mortos. A estagnação das fontes de recursos financeiros tem empurrado as famílias de classe média para a pobreza e levado à necessidade de abrigo, comida, assistência médica e financeira.

O porta-voz do ACNUR afirma que os refugiados que estão nos campos são particularmente vulneráveis devido à sua não-admissão (campos Al Waleed e Al Tanf) ou admissão temporária (Al Hol) em território sírio. “Além disso, as condições de vida nos campos fronteiriços são extremamente difíceis e inseguras. Eles enfrentam temperaturas extremas e constantes tempestades de areia nos campos que ficam em regiões desérticas”, explica ele.

No campo de Al Waleed, a saúde dos refugiados continua se deteriorando, já que os serviços médicos são limitados. O posto de atendimento mais próximo fica há 400 quilômetros de distância e não possui ambulância. Todos os campos dependem inteiramente da assistência do ACNUR e de seus parceiros como o Comitê internacional da Cruz Vermelha, para os quais o acesso continua muito difícil.

Nos últimos anos, o ACNUR tem ativamente buscado soluções para esses refugiados, assim como reassentamento dentro ou fora da região. Entre 2006 e 2008, um total de 381 pessoas foram reassentadas, a maioria para países não-tradicionais de reassentamento como o Brasil e Chile. Grupos menores foram para Dinamarca, Países Baixos, Islândia, Nova Zelândia, Canadá e Suécia.

Contudo, tais iniciativas continuam sendo insuficientes e o ACNUR pede mais uma vez por ações urgentes dos países de reassentamento em todo o mundo. A agência da ONU para refugiados conduz duas consultas informais por ano com países de reassentamento e uma consulta anual entre países de reassentamento e organizações não-governamentais.

domingo, 28 de setembro de 2008

Refugiados Palestinos no Brasil

Refugiados palestinos completam um ano em Mogi das Cruzes

Imigrantes já falam a língua e se integraram ao mercado de trabalho.
Eles vieram através de acordo do governo brasileiro com a ONU.


Os 56 palestinos que encontraram refúgio há mais de um ano em Mogi das Cruzes, a 57 quilômetros de distância de São Paulo, já estão se sentindo em casa. Apesar de alguns problemas com o idioma, eles já trabalham e estudam e não pensam em deixar o Brasil tão cedo.

Eles vieram através de um acordo do governo brasileiro com a ONU, que teve como objetivo atender os palestinos refugiados do Iraque após a queda do regime de Saddam Hussein em 2003, quando passaram a ser perseguidos.

Integração


Em um restaurante árabe da cidade, o grande desafio para o comerciante era conseguir um cozinheiro especialista no assunto. Foi então que Salah surgiu do outro lado do atlântico. Aos sessenta anos ele deixou a família no Iraque pra viver no Brasil. Ele já tem lições das primeiras aulas de português, e aos poucos ele aprende a falar o idioma.


O jovem garçom Ahmad, de vinte anos, também aproveita a oportunidade de ganhar a vida longe da guerra. Ele teve de fazer uma pequena adaptação em seu nome para agradar a clientela: passou a se chamar Armando. Ele diz que os clientes acham mais fácil chamá-lo assim.


A pequena Nur, de 11 anos, está na segunda série e já diz, em português, que falar a língua não é muito difícil. Sua irmã Hanan, de 12 anos, cursa a terceira série e já começa a enxergar as diferenças entre um Iraque em conflito e um Brasil de paz e liberdade. Ela diz que o país é muito bom, e que não há diferença entre muçulmanos e católicos, entre mesquita e igreja.


Mogi das Cruzes abriga 64 refugiados. Quando chegam aqui, eles recebem cuidados da Cáritas Brasileira, instituição que dá apoio para moradia, auxílio médico e psicológico.


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL772408-5605,00.html

Atualização: 24/09/08 - 17h05

domingo, 21 de setembro de 2008

Depoimentos de palestinos refugiados há um ano no Rio Grande do Sul (parte 2):

21 de setembro de 2008 | N° 15733

PALESTINOS NO BRASIL

“Se continuar assim, preferimos ir embora”

Se a família de Sabiha Mohammad Ahmad, 59 anos, tivesse de escolher, hoje, entre ficar no Brasil ou voltar para Bagdá, voltaria. Mas Sabiha e os quatro filhos resolveram dar mais uma chance para o país que os acolheu e para si mesmos. Porque, na verdade, o problema deles não é com o Brasil ou com os brasileiros. O protesto envolve a relação deles com a ONU.

Morando em Venâncio Aires desde novembro do ano passado, a família de Sabiha está descontente, principalmente no que diz respeito ao lugar onde moram e ao atendimento de saúde que recebem. Ela diz:

– Se não cuidarem da gente e não formos bem tratados pela ONU, preferimos ir embora.

Sabiha mora com os dois filhos solteiros em um apartamento do centro de Venâncio Aires – os outros dois, casados, foram acomodados em outro lugar. Na cidade, é a segunda moradia da família, que considera pequeno e úmido o apartamento de dois quartos do terceiro piso. Mas a revolta também está relacionada ao atendimento médico. Com problemas de respiração e de coluna, o filho mais velho, Loay Samir Odaa, 31 anos, mal sai de casa: não consegue descer as escadas e nem caminhar até a esquina. O irmão mais novo, Hecham Samir Odaa, 23 anos, sente dores no peito e muito cansaço. Ninguém descobre o que ele tem.

– Tem muita coisa faltando para nós aqui. Nem emprego consegui arrumar até agora. Como vamos nos sustentar depois que deixarmos de depender da ONU? – reclama o outro filho de Sabiha, Hossam Samir Orabi, 32 anos, que deve se tornar pai ainda este ano.

Já para Abrahim Said Atieh Abu Zahrah, 54 anos, Brasil rima com paraíso. É o que diz desde que chegou a Venâncio Aires, com a mulher Siham Mahmud Abdallah, 49 anos, e a filha Sabrin Ibrahim Said Abu Zahrah, 18 anos, em setembro do ano passado. Mas, ao completar um ano no país, vindos da Jordânia, eles não estão 100% felizes. A distância do filho mais velho, que ficou no Iraque com a família, faz com que a vida de Abrahim, Siham e Sabrin seja um inferno. Em pleno paraíso.

Abrahim não vê o filho há cinco anos. Não conseguiu ir ao casamento dele e não conhece os dois netos, de dois anos e meio e dois meses. O único contato é pelo telefone, aos domingos.

– A vida deles está horrível: passam fome, frio, estão doentes. Como estarei bem aqui sabendo que não estão bem lá? – lamenta.

Não há um único dia que Abrahim não fale no filho, para quem quer que seja. No armário da sala, os porta-retratos tentam disfarçar a saudade. Na televisão, o DVD do casamento é exibido aos visitantes que entram no apartamento, no centro de Venâncio Aires. Ele e a mulher mal dormem à noite, e os problemas de saúde se agravaram. As brigas se tornaram constantes. Por isso, resolveram protestar: deixaram de ir ao médico, de tomar remédios e de assistir às aulas de português.

samia.frantz@zerohora.com.br

SÂMIA FRANTZ | VENÂNCIO AIRES
Por que estão descontentes?
No caso da família de Sabiha Mohammad Ahmad, o problema é de infra-estrutura. No da família de Abrahim Said Atieh, são os problemas de saúde e, principalmente, a ausência do filho mais velho, que permaneceu no Iraque.

Depoimentos de palestinos refugiados há um ano no Rio Grande do Sul:

21 de setembro de 2008 | N° 15733

PALESTINOS NO BRASIL

“Estamos bem, graças a Deus e aos brasileiros”

Duas visões sobre o Brasil

Em meio à névoa com o aroma doce de maçã emanada do narguilé, a palestina Salha Mohammad Nassar, 53 anos, observa os homens fumando e preservando um naco da cultura islâmica em uma calma rua de Sapucaia do Sul. Olha através da porta aberta, ajeita-se no sofá e suspira: – Estamos muito bem, graças a Deus. A expressão, então, torna-se ainda mais contemplativa, e ela arremata: – ... e graças aos brasileiros.

O comentário está longe de ser uma expressão vazia. Pelo contrário, é repleto de simbolismo e conteúdo, apesar da brevidade e da singeleza.

Com seu marido, Faez Ahmad Abbas, 62 anos, ela veio para o Brasil um ano atrás na condição de refugiada. Deixou um casal de filhos – ela com 33 anos, e ele com 35 – e até diz ter do que se queixar. Mas, durante quase duas horas de conversa com ZH, só 10 minutos são de reclamações sobre a ausência de um professor mais eficaz para lhes ensinar um português fluente e sobre o auxílio de R$ 760 prestado pela ONU ao casal (com aluguel pago). Tudo muito pouco, acham eles. Mas as graças a Alá ficam por conta da disposição dos vizinhos brasileiros em ajudá-los. Nos seus nove primeiros meses de Brasil vivendo em Rio Grande e nos últimos três em Sapucaia do Sul, a palestina diz que sempre houve quem lhes oferecesse ajuda e fizesse companhia.

A casa estava cheia na tarde ensolarada de sexta-feira. Além do casal, os amigos Teisir Mahmoud Ibrahim, 54 anos, Youssef Mansour al-Manasir, 62 anos, e Kalil Kansaou (o único brasileiro) compartilhavam o narguilé.

Foi quando eles se lembraram de uma brincadeira também compartilhada. Os vizinhos brasileiros costumam insistir na seguinte pergunta:

– É verdade que vocês podem se casar com quatro mulheres?

Um minuto de risos intensos. Silêncio. Aí, entra a reportagem, para realizar, enfim, nada mais do que a sua obrigação:

– ... bem, é verdade que vocês podem se casar com quatro mulheres?

Três minutos de risos, mais intensos ainda.

Nesse clima, os palestinos tocam a vida gaúcha, com a estante da TV ostentando a cuia do chimarrão, o narguilé e um Alcorão. No pátio, plantio de batata, salsinha, cebola, alho e pimenta. Em pleno Ramadã, chá de hortelã para as visitas. Sagradas são as cinco rezas diárias. A porta sempre aberta. A alegria pelo mosaico étnico brasileiro e a aceitação do diferente. Junto à fumaça do narguilé, aroma de felicidade.

E os casamentos?

Sim, podem ter quatro mulheres. Salha franze o senho, brava com a resposta.

Esperto, Faez sorri e quase salta do sofá para evitar um conflito conjugal:

– Imagina só, eu teria de pôr cada uma em uma casa. A ONU não pagaria.

Matéria por LÉO GERCHMANN - Publicada em Zero Hora no dia 21/09/2008

LÉO GERCHMANN | SAPUCAIA DO SUL
Por que estão contentes?
Apesar de desejar uma melhora nas condições materiais, o casal Faez Ahmad Abbas e Salha Mohammad Nassar sente-se acolhido pelos brasileiros e pelos amigos, com quem passam o dia na casa de Sapucaia do Sul.