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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Capital jamaicana tem dia de guerra em caça a chefão do tráfico

KINGSTON, Jamaica (AFP) - Violentos confrontos entre grupos armados que protegem um suposto chefão do tráfico de drogas e a Polícia jamaicana provocaram nesta terça-feira a morte de pelo menos 60 pessoas, transformando Kinsgton em um campo de batalha.

Dois caminhões levaram "cerca de cinquenta" corpos nesta terça-feira ao necrotério do Hospital Público de Kingston, disse uma enfermeira à AFP. O número foi confirmado por um socorrista.

Um correspondente da AFP viu um terceiro caminhão nas imediações do necrotério, cheio de corpos com ferimentos causados por tiros, incluindo um bebê. Outra enfermeira declarou que esse terceiro caminhão transportava 12 cadáveres.

As forças de segurança enfrentam gangues que resistem desde segunda-feira com violência à ordem de detenção de Christopher "Dudus" Coke, procurado pelos Estados Unidos por tráfico de armas e drogas.

Até o momento, a Polícia reconheceu a morte de 27 pessoas. O primeiro-ministro da ilha, Bruce Golding, lamentou a perda de vidas e prometeu restabelecer a lei e a ordem na nação caribenha.

Nesta terça-feira, o governo pediu aos moradores da capital que permaneçam em suas casas. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, saudou o compromisso do governo de garantir os direitos civis durante os enfrentamentos.

Os combates continuam sendo travados nas proximidades de um hospital da cidade para onde foram levados os corpos, indicaram testemunhas à AFP.

Os seguidores armados do chefão tentaram entrar no centro médico, mas seu acesso foi impedido, o que gerou um novo confronto com a polícia.

Apoiada por tropas do Exército e com a ajuda de helicópteros, a Polícia iniciou na segunda-feira um assalto ao bairro pobre do oeste de Kingston, fortaleza do traficante.

A operação foi executada depois que na semana passada o governo assinou o pedido de extradição e no domingo declarou estado de emergência.

Soldados armados com fuzis patrulhavam a turbulenta zona de Tiboli Gardens, revistando casa por casa em busca de Coke.

As ruas de Kingston, sempre barulhentas e alegres, estavam completamente desertas enquanto os helicópteros cruzavam os céus da capital.

As escolas e lojas permaneceram fechadas e os táxis se negam a transportar passageiros.

Nesta terça-feira, várias companhias aéreas cancelaram seus voos na capital desta ilha caribenha de 2,8 milhões de habitantes.

A embaixada dos Estados Unidos instruiu seus cidadãos a não viajarem para a Jamaica e suspendeu seus serviços não-essenciais.

Cerca de 211 pessoas foram presas na zona de Tiboli Gardens e nos arredores de Denham Town durante o ataque lançado pelas forças de segurança na segunda-feira.

Para os moradores de Tiboli Gardens, área violenta e pobre da capital, Coke -que se define como um simples comerciante- é um herói solidário aos vizinhos.

Aqueles que o apoiam se armaram até os dentes, atacaram delegacias de polícia e ergueram barricadas ao redor de Tivoli Gardens, bairro onde nasceu o primeiro-ministro.

"Devem entender, estamos travando uma guerra", indicou o chefe de Polícia Glenmore Hindos.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos classifica Coke como um dos "narcotraficantes mais perigosos".

Ele é acusado de liderar desde 1990 um gangue internacional denominada "The Shower Posse", que vende maconha e pasta base de cocaína em Nova York e para outros lugares dos Estados Unidos.

Foi formalmente processado em agosto nos Estados Unidos por conspiração para traficar drogas e armas ilegais. Se for considerado culpado, será condenado à prisão perpétua.



Fonte: Yahoo Notícias


http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100526/mundo/jamaica_eua_viol__ncia_droga

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Supremo abre brecha para Lula ser responsabilizado no caso Battisti

17.12.09
Fonte: Espaço Vital
www.espacovital.com.br
(Lei 9610/98)

O Plenário do STF reafirmou ontem (16) que cabe ao presidente da República a decisão de extraditar ou não o ex-ativista Cesare Battisti à Itália. Apesar da maioria, o ministro Eros Grau abriu brecha para que o caso possa ser reaberto no futuro, caso Lula decida manter o ex-terrorista no Brasil e, por consequência, descumprir o tratado de extradição firmado entre brasileiros e italianos em 1989. A retomada da análise do caso Battisti ocorreu após o julgamento que, em 18 de novembro, decidiu, por cinco votos a quatro, extraditar o extremista italiano.

Ontem (16), o STF manteve a decisão de que a palavra final cabe ao presidente da República, com a ressalva de que ele pode ser eventualmente responsabilizado se não seguir a legislação internacional e enviar à Itália o ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

Assinado em Roma em outubro de 1989, o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália prevê que o governo entregue o extraditando em um prazo de 20 dias a partir do comunicado oficial entre os países. Em casos justificáveis, a data de envio da pessoa a ser extraditada pode ser prorrogada por mais 20 dias.

"A decisão não vincula o presidente da República (não o obriga a cumprir a decisão do STF de extraditar Battisti). As consequências disso (de uma violação ao tratado de extradição) são outro capítulo", disse o ministro Cezar Peluso, relator do caso.

Para o advogado Antonio Nabor Bulhões, que representa o governo italiano no pedido de extradição de Cesar Battisti, a decisão do Supremo de abrir brecha para uma eventual responsabilização de Lula é uma vitória a favor do envio do ex-terrorista a seu país de origem.

De acordo com o jurista, "o presidente Lula pode responder junto ao Congresso brasileiro ou até à comunidade internacional pela desobediência ao tratado de extradição".

No desdobramento de ontem, o ministro Eros Grau disse que "o presidente tem a possibilidade de entregar ou não o extraditando - e o ponto que precisava ser esclarecido é que, no meu entender, o ato não é discricionário - não é obrigatório- , porém há de ser praticado nos termos do direito convencional".

Virada de mesa
Ao analisar a questão de ordem levantada sobre o papel do presidente Lula na extradição, o ministro Marco Aurélio Mello acusou a discussão de ser uma "virada de mesa" por alterar o entendimento que já havia sido tomado no julgamento da extradição de Battisti e abrir espaço para que o presidente da República seja responsabilizado caso não siga o tratado internacional e extradite o italiano.

"A questão de ordem é direcionada ao resultado que interessa ao governo da Itália; é uma virada de mesa", disse o ministro.

Leia como o STF noticiou o desdobramento
Em matéria publicada ontem (16) em seu saite, o STF anunciou que "Plenário retifica proclamação de resultado do caso Battisti e esclarece que presidente deve observar o tratado Brasil-Itália".

O texto prossegue."O Plenário do STF decidiu ontem (16), por votação majoritária, retificar a proclamação do resultado do julgamento do pedido de extradição do ativista político italiano Cesare Battisti, formulado pelo governo da Itália.

A decisão foi tomada na apreciação de uma questão de ordem levantada pelo governo italiano quanto à proclamação do resultado da votação, no dia 18 de novembro passado. A proclamação dizia que, por maioria (5 x 4), a Suprema Corte autorizou a extradição, porém, também por maioria (5 x 4), “assentou o caráter discricionário” do cumprimento da decisão pelo presidente da República. Ou seja, que cabia ao presidente da República decidir sobre a entrega ou não do ativista italiano.

Pela decisão de ontem, ficou determinado que será retirada da proclamação do resultado a discricionariedade do presidente da República para efetuar a extradição e constará que ele não está vinculado à decisão da corte que autoriza a extradição.

A questão de ordem suscitada pelo governo italiano dizia respeito ao voto do ministro Eros Grau e provocou discussões quanto a seu cabimento. Os ministros Marco Aurélio e Carlos Ayres Britto, votos vencidos quanto à retificação da proclamação, sustentavam o não cabimento da discussão, antes da publicação do acórdão.

Segundo eles, o governo italiano deveria esperar a publicação do acórdão (decisão colegiada) para - se considerar que há erro, omissão ou contradição na decisão da Suprema Corte - opor embargos de declaração.

O ministro Cezar Peluso, no entanto, informou que a questão de ordem quanto à proclamação, em caso de erro, é cabível no prazo de 48 horas após a proclamação, de acordo com o artigo 89 do Regimento Interno da Corte, e que o pedido foi formulado tempestivamente pelo governo italiano.

Na sessão de ontem, o ministro Eros Grau repetiu o voto proferido durante o julgamento do pedido de extradição e disse que não era preciso mudar uma só palavra nele. Recordou que, inicialmente, votou-se o cabimento da extradição. Disse que votou contra, juntamente com os ministros Marco Aurélio, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa.

Em seguida, conforme recordou, votou-se se a decisão do STF vinculava o presidente da República, ou seja, obrigava o presidente a extraditar Battisti. Seu voto foi que não vinculava, sendo que também os ministros Marco Aurélio, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa, além do ministro Carlos Britto, votaram no mesmo sentido.

“O presidente da República tem a possibilidade de entregar ou não o extraditando”, afirmou o ministro Eros Grau. “Nesse ponto, eu acompanhei a divergência do ministro Marco Aurélio, do ministro Carlos Britto, no sentido de que o presidente pode ou não determinar a extradição”.

“O único ponto que precisava ser esclarecido é que, no meu entender, ao contrário do que foi afirmado pela ministra Cármen Lúcia, em primeira mão, o ato não é discricionário, porém há de ser praticado nos termos do direito convencional”, observou o ministro Eros Grau, lembrando que, neste ponto, seguia jurisprudência firmada por voto do ministro Vítor Nunes Leal (aposentado), em outro caso de extradição.

O ministro disse querer deixar claro, "para evitar confusão", que o resultado é o seguinte: “eu acompanhei, quanto à questão da não vinculação do presidente da República à decisão do tribunal, a divergência; mas, com relação à discricionariedade ou não do seu ato, eu direi: esse ato não é discricionário porque ele é regrado pelas disposições do tratado”.

Entretanto, da proclamação constou que cinco ministros teriam votado no sentido de que o cumprimento da decisão é um ato discricionário do presidente da República. E é aí que o voto do ministro Eros Grau divergiu. O relator, ministro Cezar Peluso, chamou atenção para este fato, observando que o voto de Eros Grau não se encaixava em nenhuma das duas correntes.

O ministro Eros Grau confirmou que seu voto foi no sentido de que a execução da decisão do STF, ou seja, a entrega de Battisti, não é um ato discricionário do presidente da República. No entender dele, não vincula o presidente à decisão do STF, mas o presidente tem que agir nos termos do tratado de extradição entre Brasil e Itália, firmado em 17 de outubro de 1989 e promulgado pelo Decreto nº 863, de 9 de julho de 1983.

“O presidente autoriza ou não, nos termos do tratado”, observou o ministro Eros Grau.

Segundo o ministro Cezar Peluso, o presidente da República somente pode deixar de efetuar a extradição se a lei o permite. E entre essas hipóteses, conforme lembrou – e isto constou também do seu voto –, estão basicamente duas:

1) se o Estado requerente não aceitar a comutação da pena (na extradição, o país requerente só pode aplicar penas previstas pela legislação brasileira);

2) quando ele pode diferir a entrega, após processo pendente no Brasil contra o extraditando".

sábado, 21 de novembro de 2009

Lula: greve de fome é ignorância e não ajuda Battisti

Fonte: Terra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que a greve de fome do ex-ativista Césare Battisti não fará pressão para frear sua extradição à Itália, onde foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos. O STF autorizou esta semana a extradição de Battisti à Itália, embora tenha deixado a decisão final nas mãos de Lula.

Battisti, ex-ativista do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua na Itália em 1983 por supostamente ter coordenado o assassinato de quatro pessoas entre 1977 e 1979. Ele foi preso em março de 2007 no Rio de Janeiro e o governo italiano pediu sua extradição em maio do mesmo ano. Sob o argumento de "fundado temor de perseguição", o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu status de refugiado político ao italiano em janeiro. O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) havia dado parecer contrário ao refúgio. A maioria dos ministros do STF votou a favor da extradição.

"Fazer greve de fome não o ajuda. A greve de fome ou é um ato de desespero ou de ignorância", afirmou Lula em entrevista a duas rádios do nordeste do país. O presidente assegurou que vai levar em conta todos os fatores, incluindo o fato de Battisti ser acusado no Brasil de falsificar seu passaporte, antes de tomar uma decisão.

Posteriormente, em coletiva de imprensa em Salvador com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Lula assegurou que a decisão da extradição ainda não foi tomada, já que ainda não recebeu a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente disse que uma vez que receba a carta do STF, analisará a situação com os analistas políticos e tomará a decisão.

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OBS.: Lula adiantou que só irá se pronunciar depois de receber o acórdão (parecer formal) do STF, o que deve adiar a solução para o ano que vem.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Battisti mantém greve de fome e tem esperança, diz Suplicy

Fonte: Terra
Fernando Diniz
Marina Mello

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou nesta quinta-feira que o ex-ativista italiano Cesare Battisti espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o deixe permanecer no Brasil, mas mantém a greve de fome que dura quase uma semana. Ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição de Battisti, mas deixou com o presidente a palavra final sobre o caso.

Battisti, ex-ativista do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua na Itália em 1983 por supostamente ter coordenado o assassinato de quatro pessoas entre 1977 e 1979. Ele foi preso em março de 2007 no Rio de Janeiro e o governo italiano pediu sua extradição em maio do mesmo ano. Sob o argumento de "fundado temor de perseguição", o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu status de refugiado político ao italiano em janeiro. O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) havia dado parecer contrário ao refúgio. A maioria dos ministros do STF votou a favor da extradição.

Suplicy visitou Battisti junto do advogado de defesa do italiano, Luís Roberto Barroso. O ex-ativista aguarda a definição sobre sua extradição no presídio da Papuda, em Brasília.

"Recomendamos a ele para suspender a greve de fome, mas ele disse que vai manter. Já está com uns 9 kg a menos. Está um pouco mais abatido, mas ainda forte", disse o senador. O parlamentar disse que vai procurar a se colocar a disposição do presidente Lula para discutir sobre a extradição.

O advogado Luís Roberto Barroso afirmou que Battisti se sentiu "aliviado" com o fato da decisão ter sido encaminhada para o presidente Lula. Sobre a greve de fome, o italiano acredita ser a única forma de protestar contra a "perseguição da Itália", afirmou Barroso.

Questionado se Lula poderia não ratificar o despacho de Tarso com receio de alguma ruptura nas relações internacionais com a Itália, o advogado avaliou que o desgaste já ocorreu e foi causado única e exclusivamente pela tentativa italiana de intervir em assuntos nacionais, colocando em risco a soberania brasileira.

"O desgaste com a Itália já ocorreu e foi motivado pela reação de pouca diplomacia da Itália, que se referiu depreciativamente à Justiça e às autoridades brasileiras. O presidente Lula, em todo o período que durou este embate, conservou postura serena e diplomática", disse.

O advogado, no entanto, disse não esperar que esta decisão do presidente saia nos próximos dias. "Não se deve esperar açodamento. Acho que o presidente vai dar tempo ao tempo", afirmou.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lula diz que cumprirá decisão do STF sobre caso Battisti

Fonte: Terra


Leandro Demori
Direto de Roma
O presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmou, na tarde desta segunda-feira, em Roma, que seguirá a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o caso Cesare Battisti caso ela seja "determinativa". "Não existe a possibilidade de seguir ou ser contra, se a decisão da corte for determinativa não se discute, se cumpre", disse Lula a um grupo de jornalistas brasileiros no palazzo Chigi, sede governativa do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. Lula e Berlusconi almoçaram juntos depois do evento da FAO realizado na manhã desta segunda-feira.

O presidente também afirmou que não poderia ir à Itália sem discutir a questão de Battisti. Lula ratificou sua posição, de esperar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), órgão responsável pela análise do caso.

Ex-militante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Battisti foi condenado na Itália à prisão perpétua por quatro homicídios cometidos no fim da década de 1970. Em janeiro passado, ele obteve o status de refugiado político do governo brasileiro. O Estado italiano pede a sua extradição.

O caso agora é julgado pelo STF, que deve apoiar ou não a deportação. Após duas sessões, a votação está empatada, e ainda não se pronunciou ministro Gilmar Mendes, presidente da Casa.

O Supremo deve voltar a julgar o caso nesta quarta-feira, e a decisão poderá ainda ser submetida ao presidente, que poderá ratificar ou não a sentença do STF.

Com informações da Agência Ansa.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Decisão sobre Battisti fica com Gilmar Mendes

Fonte: Estadão
Felipe Recondo e Mariângela Gallucci, BRASÍLIA
Julgamento foi interrompido pela terceira vez, mas presidente da corte já indicou ser favorável à extradição


Pela terceira vez o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou decisão sobre a extradição do ativista Cesare Battisti. Ontem, o ministro Marco Aurélio Mello votou pela permanência do italiano no Brasil, empatando o placar em 4 a 4. Mas o presidente da corte, Gilmar Mendes, já indicou ser favorável à extradição.

Com o destino de Battisti praticamente selado no STF, Mendes mandou recado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Setores do governo e do Judiciário entendem que Lula, mesmo com a extradição ordenada, não seria obrigado a cumpri-la.

Para Mendes, o resultado do julgamento deverá ser cumprido por respeito à Constituição e não pelo receio de sofrer um processo de impeachment, que caberia no caso de descumprimento de uma decisão judicial. "Por que o presidente da República cumpre uma decisão? Não é porque será eventualmente afastado do cargo se não vier a cumpri-la. Porque respeita a Constituição. Sabemos que as condições políticas para seu afastamento são extremamente difíceis. Precisaria haver um processo instalado pelo procurador-geral da República e uma aprovação por dois terços da Câmara dos Deputados", disse.

JURISPRUDÊNCIA

A jurisprudência do Supremo confirma que o presidente pode negar-se a entregar Battisti. O advogado Nabor Bulhões, que representa a Itália, e o ministro Cezar Peluso, relator do pedido de extradição, afirmam que Lula deve seguir orientação do tribunal. Esse assunto será discutido na retomada do julgamento, marcada para quarta-feira.

Ontem, Mendes decidiu suspender a sessão após constatar que havia apenas cinco ministros em plenário, e anunciou que dará seu voto "oportunamente". Sem as presenças dos ministros Joaquim Barbosa e Ellen Gracie, que já votaram, mas estão viajando, e dos ministros Celso de Mello e José Antonio Dias Toffoli, que se declararam suspeitos, apenas Marco Aurélio leu seu voto.

Ele afirmou não ser da competência do tribunal avaliar a legalidade do ato que concedeu refúgio a Battisti, disse ser contra a extradição, porque os crimes cometidos seriam políticos, e declarou que a corte não deveria se pronunciar sobre necessidade de o presidente seguir o entendimento do STF.

"A configuração do crime político, para mim escancarada, é mais uma matéria prejudicial à sequência do exame dos temas envolvidos na espécie", afirmou. Marco Aurélio lembrou que várias autoridades italianas se mobilizaram para criticar a decisão do governo brasileiro de dar refúgio a Battisti.

Para ele, se Battisti fosse um criminoso comum, o governo italiano não faria essa pressão. "Assim procederiam se na espécie não se tratasse de questão política? Seria ingenuidade acreditar no inverso do que surge repleto de obviedade maior!"

Marco Aurélio disse que com certeza o presidente Lula concordou com a decisão do ministro da Justiça de dar refúgio a Battisti. "Façam ao menos justiça a sua excelência o ministro Tarso Genro, cujo domínio do direito todos reconhecem."

PRINCÍPIOS

O ministro defendeu a até então vigente jurisprudência do STF de que concedido o refúgio o processo de extradição deve ser arquivado. Para Marco Aurélio, o STF não pode assumir um papel que é do governo.

"O Supremo não há de substituir-se ao Executivo, adentrando seara que não lhe está reservada constitucionalmente e, repito, simplesmente menosprezando a quadra vivenciada à época na Itália e retratada com todas as letras na decisão proferida", argumentou.

Marco Aurélio criticou o que chamou de julgamento desordenado. "Há necessidade de preservarem-se princípios, parâmetros e valores. Única forma de avançar-se culturalmente e aprimorar-se o Estado Democrático de Direito. O julgamento desordenado, embaralhando-se temas, não se coaduna com a organicidade do direito, com a segurança jurídica garantida constitucionalmente", disse.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

STF: Marco Aurélio promete voto do Battisti no dia 28

Fonte: Correio Braziliense

Diego Moraes

Publicação: 15/10/2009 13:13 Atualização: 15/10/2009 13:20


O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), prometeu nesta quinta-feira (15/10) finalizar seu voto sobre o caso Cesare Battisti no próximo dia 28. A tendência é que ele mantenha o posicionamento exposto no plenário da corte no primeiro dia de julgamento, em 9 de setembro, quando sinalizou ser contrário à extradição do ex-ativista italiano.

Na ocasião, o julgamento teve de ser suspenso por um pedido de vista de Marco Aurélio, quando o placar estava 4 a 3 pela volta de Battisti à Europa. "Todo o material sobre o caso já está no meu gabinete e agora vou abrir o embrulho. Devo finalizar o voto neste fim de semana, fazer a revisão na semana que vem e na quarta-feira da outra semana ele estará na bancada para que o presidente do Supremo (ministro Gilmar Mendes) agende a retomada do julgamento", afirmou o ministro ao Correio.

Até lá, o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, já terá assumido a vaga de ministro do STF em substituição a Carlos Alberto Menezes Direito, morto em setembro. A posse está marcada para o próximo dia 23.

Impasse
Cesare Battisti, 54 anos, tornou-se pivô de um impasse que coloca Brasil e Itália em lados opostos. Condenado à prisão perpétua no país de origem, ele foi considerado refugiado político pelo governo brasileiro em janeiro. Desde então, o governo italiano trava uma batalha pela extradição.

Líder de uma organização extremista batizada de Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), que fazia oposição ao governo da Itália na década de 70, Battisti foi condenado por quatro homicídios ocorridos entre 1978 e 1979. O julgamento terminou em 1993, mas o ex-ativista nunca cumpriu a pena. Fugiu para a França, onde viveu até 2004, quando o então presidente do país, Jacques Chirac, se colocou favorável à extradição.

O italiano fugiu novamente e veio parar no Brasil, onde a legislação proíbe a extradição de condenados por crimes políticos. Em março de 2007, Battisti foi preso no Rio de Janeiro e transferido para a Papuda, onde está até hoje. O ex-ativista nega a autoria dos crimes e afirma ser vítima de perseguição política. Desde que chegou ao país, Battisti já escreveu três livros para contar sua história.

O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão subordinado ao Ministério da Justiça, analisou o pedido de refúgio e decidiu negá-lo por 3 votos a 2, sob o argumento que não é possível comprovar a alegada perseguição política. A decisão do Conare, no entanto, foi revertida pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que em 13 de janeiro de 2009 concedeu o refúgio por entender que o italiano passa por “fundado temor de perseguição por suas opiniões políticas”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou a decisão e chegou a rebater críticas do governo italiano dizendo que a decisão foi um ato de “soberania” do Brasil.