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sábado, 3 de janeiro de 2009

Refugiados colombianos “invisíveis” chegam a 550 mil

Na Colômbia, existe um número de pessoas que estão fugindo do conflito interno, mas que não constam nos relatórios oficiais. Segundo o ACNUR, cerca de 550 mil colombianos cruzaram fronteiras de outros países em busca de segurança e proteção. Uma vez que não estão em situação legal nas nações vizinhas, como Equador e Venezuela, esses colombianos são refugiados “invisíveis”, ou seja, praticamente não existem.

O drama dos refugiados colombianos é tão grave quanto o do Sudão, ficando atrás do Afeganistão e do Iraque. Em 2006, 11 mil colombianos pediram asilo em outros países e esse número vem aumentando sensivelmente desde o ano 2000.

Estima-se que no Equador há 250 mil colombianos que precisem de proteção internacional, bem como há um grande número refugiados no Panamá, Costa Rica, Brasil, Peru e Venezuela.

As dificuldades inerentes ao refúgio são muitas. Os migrantes passam a ser hóspedes em outros países; sem documentação, família, casa, trabalho, assistência médica e vivem num limbo legal. Não bastassem esses problemas, os colombianos enfrentam comportamentos xenófobos contra eles no Equador e começam a sentir essa mesma rejeição na Venezuela, devido aos desentendimentos políticos desses países com a Colômbia.

Refugees United

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ACNUR - “Corre por la Vida”

O Equador iniciou nesta semana um projeto piloto de âmbito nacional para registro de refugiados que irá beneficiar mais de 50 mil pessoas em necessidade de proteção internacional e tem como objetivo reconhecer e documentar refugiados que estejam no país há mais de um ano. Observadores do ACNUR e representantes do governo equatoriano fazem parte desta fase piloto, que se iniciou com três equipes móveis em duas áreas da região amazônica, ao longo da fronteira com a Colômbia.

Com o projeto, o registro dos refugiados será agilizado e eles serão entrevistados, reconhecidos e documentados no mesmo dia. Como em outros países da região, o processo de documentação é o principal desafio enfrentado pelo Equador, que abriga atualmente cerca de 20 mil refugiados reconhecidos e mais de 130 mil pessoas em necessidade de proteção internacional que não foram registradas pela falta de informação ou pela dificuldade de acesso.

O processo de registro começou na última segunda-feira na pequena comunidade de Barranca Bermeja e se encerra amanhã, sábado, em La Bonita. Ambas as comunidades são muito isoladas e sofrem com a falta de infra-estrutura básica como eletricidade e água corrente.

O exercício piloto irá testar a logística da operação, que envolve a necessidade de conexão com um banco de dados central do escritório de registro de refugiados que fica na capital, Quito, assim como materiais para impressão dos documentos dos refugiados que são reconhecidos.

A maioria dos refugiados que vivem no Equador são provenientes da Colômbia, onde o conflito armado e a violência generalizada têm forçado milhões de pessoas a fugirem. Durante a celebração do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) em Bogotá na noite da última quarta-feira (10), a representação do ACNUR na Colômbia fez um novo pedido de solidariedade para com os deslocados internos e 5 mil lanternas de papel foram acesas em apoio a essas e outras vítimas do conflito.

O evento marcou o fim da campanha organizada pelo ACNUR “Corre por la Vida”, que teve como objetivo aumentar o apoio da população aos deslocados e conscientizar sobre as violações massivas de direitos humanos que levam ao deslocamento forçado. A campanha, baseada na internet, encorajou doações, trabalho voluntário e o envolvimento do setor privado na busca por soluções duráveis.

A campanha “Corre por la Vida” contou com a participação do cantor colombiano Juanes, que divulgou uma mensagem no dia do aniversário da DUDH em apoio aos deslocados internos, assim como da atleta para-olímpica Elkin Serna, que esteve presente nas celebrações. Elkin, que é deficiente visual e ganhou a medalha de prata na categoria maratona durante os Jogos de Beijing, tinha 11 anos quando sua família foi forçada a fugir devido a ameaças de grupos armados irregulares.

O ACNUR possui 12 escritórios na Colômbia, onde trabalha desde 1998 para apoiar os esforços do governo em uma das maiores crises de deslocamento interno forçado do mundo. A agência atua também em outros países que recebem uma grande quantidade de refugiados colombianos, como o Equador, onde possui quatro escritórios - sendo três deles ao longo da fronteira com a Colômbia -, além de Brasil, Costa Rica, Panamá e Venezuela.

Fonte: ACNUR

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cifra põe em dúvida número real de deslocados na Colômbia

Uma nova estimativa coloca em dúvida o número real de pessoas deslocadas na Colômbia em conseqüência do conflito político no país e opõe governo, organizações não-governamentais (ONGs) e agências humanitárias.

Segundo a ONG Conselho Consultivo para os Direitos Humanos e Deslocamentos Forçados (Codhes), 270 mil colombianos foram deslocados no primeiro semestre deste ano, o que significou um aumento de 41% comparado ao mesmo período de 2007.

Mas um porta-voz da agência presidencial Ação Social, encarregada de prestar atendimento a pessoas deslocadas, disse à BBC não confiar nesses números.

O consultor da Ação Social Armando Escobar disse que já foram identificados casos de "pessoas inescrupulosas" que se registram como deslocadas sem sê-lo, e de famílias que se registraram duas vezes.

Enquanto o Codhes estima que há cerca de 4 milhões de pessoas deslocadas na Colômbia, a Ação Social afirma que tem registradas 2,6 milhões de pessoas.

Por sua parte, Gustavo Valdivieso, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), pediu que "não se politize" a polêmica em torno das estimativas e sublinhou que o problema central é o atendimento aos deslocados.

Recrutamentos forçados

Ao apresentar um relatório sobre o fenômeno, o diretor da Codhes, Jorge Rojas, disse que no primeiro semestre de 2008 houve 66 deslocamentos em massa, afetando 33.251 pessoas.

Segundo o especialista do Codhes, a atividade da guerrilha e de grupos paramilitares - muitas vezes ligada à produção e tráfico de drogas -, e práticas como o recrutamento forçado, têm levado a uma onda maciça de deslocamentos forçados.

"O êxodo maciço indica que há uma violenta pressão contra a população civil em várias regiões do país e que continua sendo crucial a questão da fumigação de culturas ilegais (para produção de droga)", disse Rojas.

O porta-voz da Acnur concorda. Segundo ele, "são cada vez mais freqüentes as histórias de pessoas que se mudaram para impedir os seus filhos ou filhas de ser recrutados".

"É incontestável que há um aumento dos deslocados", disse Valdivieso. Mas ele explicou que a situação não é a mesma em todas as regiões da Colômbia.

Segundo o porta-voz, o movimento caiu em algumas e subiu em outras. Um dos novos fatores a influenciar esta dinâmica é a existência de minas antipessoal espalhadas pelo país.

Governo

Já Armando Escobar, da agência governamental, nega que tenha havido um aumento dos recrutamentos forçados ou dos deslocamentos.

"Grande parte do aumento no deslocamento em 2007 e 2008 refere-se a processos de reacomodação das famílias. Isto quer dizer que muitas famílias que já estavam registradas como deslocadas se dividiram e voltaram a se inscrever com outros membros", ele argumenta.

Segundo o consultor do governo, dos últimos 500 mil registros de deslocados, 160 mil são pessoas que já tinham registrado anteriormente.

Além disso, ele afirma, "este ano, começamos a perceber um aumento importante nas fraudes de registros. Há muita gente que consegue se registrar sem ser deslocada".

Segundo ele, muitos pobres "vêem que ser deslocado implica vantagens em saúde, educação e moradia".

A Ação Social afirma que cerca de um milhão de pessoas deslocadas (280 mil famílias) estão ligadas ao Programa Presidencial Famílias em Ação, que oferece subsídios alimentares e educação para crianças com menos de 18 anos.

O Codhes diz que a situação socioeconômica dos deslocados é "crítica" e alerta para o fato de que mais de 80% deles vivem em condições miseráveis.


Fonte: BBC Brasil