da BBC Brasil
Quase todos os 276 imigrantes que foram presos, há duas semanas, no fechamento do campo de imigrantes batizado de "selva" na cidade francesa de Calais, estão de volta às ruas, mas ainda com uma situação completamente indefinida. Alguns destes imigrantes foram libertados porque entraram com pedidos de asilo, outros porque eram menores de idade. Outros ainda saíram da cadeia porque as autoridades não haviam seguido os procedimentos corretos.
Depois de serem soltos em várias partes da França, eles já começaram a se reagrupar em Calais, com a esperança de que consigam cruzar o Canal da Mancha com destino ao Reino Unido. O governo francês diz que a ideia por trás do fechamento do campo era mandar uma mensagem para os traficantes de pessoas de que Calais não é mais "a última parada" antes da Inglaterra.
As autoridades também alegam que a medida tinha como objetivo mostrar para o Reino Unido que o governo francês está fazendo um grande esforço para diminuir o constante fluxo de imigrantes que cruzam o canal em direção à ilha.
Funcionários de organizações não-governamentais vão até os imigrantes, que têm dormido embaixo de pontes, para passar a mensagem de que, dos dois lados do canal, as autoridades de imigração estão mais rigorosas. Enfrentando uma situação tão difícil, muitos deles estão dispostos a pedir ajuda para voltar para casa.
Affredi diz ainda não ter se decidido sobre ficar ou ir embora. Ele era um estudante de medicina na fronteira entre Afeganistão e Paquistão e diz ter visto seu pai ser morto depois de se recusar a trabalhar com o grupo fundamentalista islâmico Taleban. Ele decidiu fugir.
"Eu vim para a Europa em busca de proteção. Eu vim em busca de abrigo e direitos humanos. Eu não sabia que seria isso...", diz ele em inglês fluente, apontando para a pilha de cobertores molhados embaixo da ponte.
Para o vice-prefeito de Calais, Philippe Blet, fechar a selva só serviu para atrair a atenção da mídia e mudar o problema de lugar. "O problema não está sendo resolvido, ele ainda está lá. Nós queremos que os imigrantes vão embora, mas eles continuam voltando. É inevitável", diz ele. "Em Calais... [os imigrantes] estão a apenas 40 km da felicidade. É simples assim."
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados diz que xenofobia afeta refugiados
António Guterres disse à conferência sobre racismo, em Genebra, que as políticas restritivas sobre imigração, adotadas após os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, tem limitado os fluxos de refugiados.
O Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, disse esta quarta-feira que as pessoas que fogem de perseguições tem cada vez mais dificuldade em encontrar refúgio em países onde se sentem protegidos.
A declaração foi feita durante a Conferência de Revisão de Durban sobre Racismo, Xenofobia e outras formas de Intolerância, que está acontecendo em Genebra, na Suiça.
Proteção
Guterres relembrou aos participantes que a última conferência sobre o tema terminou naquela cidade sul-africana, três dias antes dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, que mudaram o mundo.
Ele disse que desde então políticas de imigração mais restritivas tem limitado o fluxo de refugiados para os países desenvolvidos.
O Alto Comissário afirmou que os Estados tem o direito de proteger as suas fronteiras. Referiu, contudo, que medidas duras contra criminosos e terroristas devem ser acompanhadas por políticas de proteção para potenciais refugiados.
Xenofobia
António Guterres disse que muitos refugiados são também vítimas de terror e que a sua contribuição para o desenvolvimento dos países de acolhimento é muitas vezes eclipsada pela “atenção obsessiva” sobre os riscos que eles representam.
Ele afirmou que o racismo e xenofobia estavam na origem da persistência do que chamou de ponto de vista desequilibrado.
O Alto Comissário revelou que o Acnur tem vindo a incorporar de uma forma mais sistemática esforços anti-xenófobos nas suas operações. Ele disse que esses esforços são, mais do que nunca, necessários no atual clima de crise económica global.
Fonte: Rádio ONU
O Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, disse esta quarta-feira que as pessoas que fogem de perseguições tem cada vez mais dificuldade em encontrar refúgio em países onde se sentem protegidos.
A declaração foi feita durante a Conferência de Revisão de Durban sobre Racismo, Xenofobia e outras formas de Intolerância, que está acontecendo em Genebra, na Suiça.
Proteção
Guterres relembrou aos participantes que a última conferência sobre o tema terminou naquela cidade sul-africana, três dias antes dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, que mudaram o mundo.
Ele disse que desde então políticas de imigração mais restritivas tem limitado o fluxo de refugiados para os países desenvolvidos.
O Alto Comissário afirmou que os Estados tem o direito de proteger as suas fronteiras. Referiu, contudo, que medidas duras contra criminosos e terroristas devem ser acompanhadas por políticas de proteção para potenciais refugiados.
Xenofobia
António Guterres disse que muitos refugiados são também vítimas de terror e que a sua contribuição para o desenvolvimento dos países de acolhimento é muitas vezes eclipsada pela “atenção obsessiva” sobre os riscos que eles representam.
Ele afirmou que o racismo e xenofobia estavam na origem da persistência do que chamou de ponto de vista desequilibrado.
O Alto Comissário revelou que o Acnur tem vindo a incorporar de uma forma mais sistemática esforços anti-xenófobos nas suas operações. Ele disse que esses esforços são, mais do que nunca, necessários no atual clima de crise económica global.
Fonte: Rádio ONU
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