Chefe do órgão quer ver 'mais ações e menos discursos de Israel' para relaxar o embargo
23 de junho de 2010 | 11h 36
Reuters
BEIRUTE - O chefe da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados palestinos disse nesta quarta-feira, 23, que a eficácia das medidas de Israel para aliviar o bloqueio a Gaza são questionáveis.
Filippo Grandi, comissário-geral da Agência de Ajuda e Trabalho da ONU (UNRWA, na sigla em inglês) para os refugiados palestinos, classificou o embargo como "absurdo, contraproducente e ilegal" e citou elementos no plano de relaxamento de Israel que não esclarecem como o bloqueio poderia ser totalmente levantado.
"Eles falam em itens cuja entrada será permitida por algum tempo, dependendo de quem os enviar. Isso é bastante complicado. Vimos várias declarações sobre como eles vão aliviar o bloqueio, mas o problema são os detalhes. Temos que ver como isso será feito, e ainda não vimos isso", disse Gandi, acrescentando que a agência "quer ver fatos, e não apenas declarações".
Israel concordou em aliviar o bloqueio a Gaza mantido desde 2007 por pressões internacionais que se intensificara, após o episódio do dia 31 de maio, quando militares israelenses atacaram uma frota internacional que levava ajuda humanitária ao território palestinos e deixaram nove civis turcos mortos.
O governo de Israel mantém o bloqueio à Faixa de Gaza desde que o Hamas, grupo militante palestino, tomou o controle do território à força. O Hamas não reconhece a existência do Estado de Israel e é considerado por este país, pelos EUA e pela União Europeia como uma organização terrorista.
Com o bloqueio, o governo israelense impões restrições de viagens e entrada de ajuda à Faixa de Gaza. Israel só permite a entrada de ajuda humanitária a Gaza através de pontos controlados na fronteira terrestre entre os territórios. Os israelenses dizem que agora todos os bens que não possam ser desviados para fins militares podem entrar em Gaza. Cimento e metais são alguns dos materiais que, segundo o Estado judeu, podem ser usados pelo Hamas para a construção de armas.
Grupos de direitos humanos e outros críticos, porém, veem o bloqueio como uma punição coletiva para o 1,5 milhão de palestinos que vivem em Gaza. Israel nega que haja uma crise humanitária em Gaza, como palestinos, defensores de direitos humanos e a ONU dizem.
Analistas dizem que as novas regras para o embargo ainda dificultam a importação de materiais de construção para reerguer prédios na região costeira de Gaza, que sofreu vários danos na guerra entre Israel e o Hamas no início de 2009.
Grandi disse que a agência pede a Israel que abra suas fronteiras terrestres, principalmente o terminal de carga de Karni, no nordeste dos limites. O local é grande o bastante para receber carregamentos em escala industrial de cimento e outros materiais. Atualmente, caminhões com a ajuda são desviados para passagens menores.
Tópicos: Gaza, Israel, Palestinos, Bloqueio, ONU, Internacional, Oriente médio
quarta-feira, 23 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Pesquisadora diz que EUA perseguem imigrantes
Saskia Sassen afirma que sonho americano se tornou espaço de perseguições
Dayanne Mikevis, do R7
A pesquisadora Saskia Sassen, professora de sociologia da Columbia University e da London School of Economics, acredita que o espaço de oportunidades que era visto por imigrantes em países como os Estados Unidos tem se transformado gradativamente em um de perseguição. Saskia, atualmente uma das maiores estudiosas dos efeitos da globalização, esteve no Brasil na semana passada para uma palestra no Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo).
- Há a construção de um novo espaço de imigração, de um espaço que era de oportunidades para um de perseguição.
Saskia mostrou que o orçamento dos EUA com a patrulha de fronteiras subiu de R$ 273,2 mil (US$ 151 mil) em 1986 para R$ 14,2 bilhões (US$ 7,9 bilhões) em 2008. Os homens encarregados do trabalho eram 3.700 na primeira data e foram para 18 mil na segunda.
O tempo de vigilância por trecho de fronteira subiu de 24 minutos para 201 no período. E o orçamento do Serviço de Naturalização e Imigração dos EUA (INS) aumentou de R$ 8,5 bilhões (US$ 4,7 bilhões) para R$ 63,3 bilhões (US$ 35 bilhões), de acordo com os dados apresentados pela pesquisadora.
Saskia ressaltou que os imigrantes são muito importantes para a economia local. Ela vê como equivocados os argumentos de que eles não fazem girar no país o dinheiro que ganham porque enviam remessas. A pesquisadora mostrou que, em volume, muitos países desenvolvidos são grande recebedores de remessas, caso de França (4º), Espanha (6º), Bélgica (7º), Alemanha (8º), e Reino Unido (9º).
O Brasil fica em 13º lugar, e os Estados Unidos aparecem entre os 20 primeiros, na 19º posição. A lista é encabeçada por Índia, China e México, respectivamente.
As regiões que abrigam os imigrantes que mais enviam dinheiro tampouco são aquelas que mais debatem a questão da imigração. Sassia apresentou dados mostrando que o Oriente Médio e a África do Norte são os campeões nesse quesito, seguidos pelo sul da Ásia.
Ato Patriótico abriu precedente para a lei do Arizona
Saskia ainda afirmou que o Ato Patriótico (Patriot Act), estabelecido pelos EUA após os atentados que atingiram o país no 11 de Setembro, abriu uma brecha legal para que os Estados fizessem sua legislação em relação a assuntos migratórios.
Da data até 2007, foram 204 leis e 1.700 outras normas sobre o tema em foros legislativos estaduais. Além disso, 23 Estados colaboram com o governo em prisões destinadas aos imigrantes.
Saskia ainda lembrou a controversa lei do Estado do Arizona, que autoriza a polícia a abordar qualquer um que considere suspeito de ser ilegal. O texto, que entra em vigor em julho, teve rejeição até mesmo do presidente dos EUA, Barack Obama, que declarou que o país precisa de uma reforma migratória profunda.
A principal crítica da lei, que vai criminalizar a imigração ilegal a partir de 29 de julho, é a de que ela pode estimular comportamentos baseados na raça.
Colaborou Clarissa Machado, estagiária do R7
Fonte: Record News
Dayanne Mikevis, do R7
A pesquisadora Saskia Sassen, professora de sociologia da Columbia University e da London School of Economics, acredita que o espaço de oportunidades que era visto por imigrantes em países como os Estados Unidos tem se transformado gradativamente em um de perseguição. Saskia, atualmente uma das maiores estudiosas dos efeitos da globalização, esteve no Brasil na semana passada para uma palestra no Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo).
- Há a construção de um novo espaço de imigração, de um espaço que era de oportunidades para um de perseguição.
Saskia mostrou que o orçamento dos EUA com a patrulha de fronteiras subiu de R$ 273,2 mil (US$ 151 mil) em 1986 para R$ 14,2 bilhões (US$ 7,9 bilhões) em 2008. Os homens encarregados do trabalho eram 3.700 na primeira data e foram para 18 mil na segunda.
O tempo de vigilância por trecho de fronteira subiu de 24 minutos para 201 no período. E o orçamento do Serviço de Naturalização e Imigração dos EUA (INS) aumentou de R$ 8,5 bilhões (US$ 4,7 bilhões) para R$ 63,3 bilhões (US$ 35 bilhões), de acordo com os dados apresentados pela pesquisadora.
Saskia ressaltou que os imigrantes são muito importantes para a economia local. Ela vê como equivocados os argumentos de que eles não fazem girar no país o dinheiro que ganham porque enviam remessas. A pesquisadora mostrou que, em volume, muitos países desenvolvidos são grande recebedores de remessas, caso de França (4º), Espanha (6º), Bélgica (7º), Alemanha (8º), e Reino Unido (9º).
O Brasil fica em 13º lugar, e os Estados Unidos aparecem entre os 20 primeiros, na 19º posição. A lista é encabeçada por Índia, China e México, respectivamente.
As regiões que abrigam os imigrantes que mais enviam dinheiro tampouco são aquelas que mais debatem a questão da imigração. Sassia apresentou dados mostrando que o Oriente Médio e a África do Norte são os campeões nesse quesito, seguidos pelo sul da Ásia.
Ato Patriótico abriu precedente para a lei do Arizona
Saskia ainda afirmou que o Ato Patriótico (Patriot Act), estabelecido pelos EUA após os atentados que atingiram o país no 11 de Setembro, abriu uma brecha legal para que os Estados fizessem sua legislação em relação a assuntos migratórios.
Da data até 2007, foram 204 leis e 1.700 outras normas sobre o tema em foros legislativos estaduais. Além disso, 23 Estados colaboram com o governo em prisões destinadas aos imigrantes.
Saskia ainda lembrou a controversa lei do Estado do Arizona, que autoriza a polícia a abordar qualquer um que considere suspeito de ser ilegal. O texto, que entra em vigor em julho, teve rejeição até mesmo do presidente dos EUA, Barack Obama, que declarou que o país precisa de uma reforma migratória profunda.
A principal crítica da lei, que vai criminalizar a imigração ilegal a partir de 29 de julho, é a de que ela pode estimular comportamentos baseados na raça.
Colaborou Clarissa Machado, estagiária do R7
Fonte: Record News
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Para ACNUR, 2009 foi o “pior” ano da repatriação voluntária em duas décadas
Repatriações voluntárias de refugiados, 1990-2009.
GENEBRA/BRASÍLIA, 15 de junho de 2010 (ACNUR) - Ao final de 2009, o número de pessoas forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições totalizou 43,3 milhões em todo o mundo, a maior cifra de deslocamentos forçados por estes motivos desde a metade dos anos 90. O número consta do relatório Tendências Globais 2009, divulgado hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em todo o mundo.
O relatório revela ainda que o número de refugiados repatriados voluntariamente para seus países de origem caiu ao nível mais baixo em 20 anos. A íntegra do relatório está disponível em: http://www.unhcr.org.
Produzido anualmente pelo ACNUR, o documento indica que o número médio de refugiados no mundo permanece relativamente estável (15,2 milhões), sendo dois terços sob os cuidados do ACNUR e o restante sob o mandato da UNRWA (agência da ONU que se dedica exclusivamente a refugiados palestinos). Por causa da crescente persistência dos conflitos, mais da metade dos refugiados sob os cuidados do ACNUR estão em situações de refúgio prolongado – há mais de cinco anos no exílio.
“Conflitos importantes, como no Afeganistão, na Somália e na República Democrática do Congo não mostram sinais de solução”, disse hoje o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Conflitos que pareciam estar terminando ou em vias de serem solucionados, como no sul do Sudão ou no Iraque, estão estagnados. Como resultado, 2009 foi o pior ano, em duas décadas, para a repatriação voluntária”.
O relatório do ACNUR mostra que apenas 251 mil refugiados retornaram para casa em 2009 – o menor número desde 1990. Nos últimos dez anos, os retornos voluntários chegavam a cerca de 01 milhão, por ano.
“A maioria dos refugiados do mundo tem vivido no exílio há cinco anos ou mais. Inevitavelmente, esta proporção crescerá, uma vez que menos refugiados têm condições de retornar para casa”, adicionou Guterres, referindo-se aos mais de 5,5 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR que em situações prolongadas de refúgio.
O número de pessoas deslocadas por conflitos em seus próprios países (os chamados deslocados internos) cresceu 4%, chegando a 27,1 milhões ao final de 2009. Os persistentes conflitos na República Democrática do Congo (RDC), Paquistão e Somália explicam esta realidade, de acordo com o relatório Tendências Globais 2009.
O documento também revela que um número cada vez maior de refugiados está vivendo em cidades, principalmente no mundo em desenvolvimento, o que contrasta com a percepção comum de que estas pessoas estariam inundando as nações industrializadas.
O número de novos solicitantes de refúgio no mundo chegou a quase 01 milhão, sendo que a África do Sul é o hoje o principal destino de solicitantes de refúgio no mundo – cerca de 220 mil novos pedidos no ano passado.
O relatório Tendências Globais 2009, que revisa tendências e padrões de deslocamentos relacionados a conflitos, também analisa as pessoas apátridas e revela que o número de pessoas reconhecidas nesta situação ao final de 2009 era de 6,6 milhões – embora cifras extra-oficiais estimem uma população de apátridas de até 12 milhões de pessoas.
O ACNUR protege, assiste e busca soluções para os refugiados. A persistência de conflitos torna mais difícil o retorno voluntário aos países de origem, o que geralmente é a situação preferida para países de refúgio e refugiados.
Em relação ao reassentamento – que transfere refugiados de um país e os realoca permanentemente em outro – o ACNUR submeteu um número recorde de pedidos o ano passado (128 mil indivíduos), o maior nos últimos 16 anos. Ao final de 2009, 112.400 refugiados haviam sido recebidos por programas de reassentamento em 19 países.
Refúgio no Brasil
De acordo com as estatísticas do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), divulgadas essa manhã, o Brasil possui 4.294 refugiados (cerca de 30% são mulheres). Deste total, 3.895 foram reconhecidos por vias tradicionais de elegibilidade e 399 foram beneficiados pelo Programa de Reassentamento Solidário. Todos vivem em cidades brasileiras.
Os refugiados de origem africana compõem a maioria desta população (64,9%), seguidos de refugiados do continente americano (22,3%), da Ásia (10,3%) e da Europa (2,2%).
Em relação às nacionalidades, os maiores grupos são formados por angolanos (1.688 pessoas, ou 39,3% do total), colombianos (589 pessoas – 13,7%), congoleses (420 pessoas – 9,8%), liberianos (259 pessoas – 6%) e iraquianos (199 pessoas – 4,6%).
Cabe ao CONARE a implementação no Brasil da Convenção da ONU sobre o Estatuto dos Refugiados (de 1951), como também orientar e coordenar as ações necessárias à eficácia da proteção, assistência e apoio jurídico aos refugiados que se encontram no país.
Presidido pelo Ministério da Justiça e com a participação de integrantes dos Ministérios das Relações Exteriores, Trabalho, Saúde e Educação, do Departamento da Polícia Federal, da sociedade civil e do ACNUR (neste caso, com direito a voz e sem direito a voto), o CONARE analisa e decide sobre as solicitações de refúgio, podendo também decidir pela cessação ou revogação da condição de refugiado. Sua atuação se pauta pela Lei 9.474/97, que o criou e define outros mecanismos de implementação da Convenção.
De acordo com a Lei 9.474/97, será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:
I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país;
II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior;
III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.
No Brasil, o ACNUR desenvolve programas de integração local e reassentamento, atuando em parceria com o CONARE, o setor privado e entidades da sociedade civil organizada – como a ASAV.
Por: ACNUR
GENEBRA/BRASÍLIA, 15 de junho de 2010 (ACNUR) - Ao final de 2009, o número de pessoas forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições totalizou 43,3 milhões em todo o mundo, a maior cifra de deslocamentos forçados por estes motivos desde a metade dos anos 90. O número consta do relatório Tendências Globais 2009, divulgado hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em todo o mundo.
O relatório revela ainda que o número de refugiados repatriados voluntariamente para seus países de origem caiu ao nível mais baixo em 20 anos. A íntegra do relatório está disponível em: http://www.unhcr.org.
Produzido anualmente pelo ACNUR, o documento indica que o número médio de refugiados no mundo permanece relativamente estável (15,2 milhões), sendo dois terços sob os cuidados do ACNUR e o restante sob o mandato da UNRWA (agência da ONU que se dedica exclusivamente a refugiados palestinos). Por causa da crescente persistência dos conflitos, mais da metade dos refugiados sob os cuidados do ACNUR estão em situações de refúgio prolongado – há mais de cinco anos no exílio.
“Conflitos importantes, como no Afeganistão, na Somália e na República Democrática do Congo não mostram sinais de solução”, disse hoje o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Conflitos que pareciam estar terminando ou em vias de serem solucionados, como no sul do Sudão ou no Iraque, estão estagnados. Como resultado, 2009 foi o pior ano, em duas décadas, para a repatriação voluntária”.
O relatório do ACNUR mostra que apenas 251 mil refugiados retornaram para casa em 2009 – o menor número desde 1990. Nos últimos dez anos, os retornos voluntários chegavam a cerca de 01 milhão, por ano.
“A maioria dos refugiados do mundo tem vivido no exílio há cinco anos ou mais. Inevitavelmente, esta proporção crescerá, uma vez que menos refugiados têm condições de retornar para casa”, adicionou Guterres, referindo-se aos mais de 5,5 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR que em situações prolongadas de refúgio.
O número de pessoas deslocadas por conflitos em seus próprios países (os chamados deslocados internos) cresceu 4%, chegando a 27,1 milhões ao final de 2009. Os persistentes conflitos na República Democrática do Congo (RDC), Paquistão e Somália explicam esta realidade, de acordo com o relatório Tendências Globais 2009.
O documento também revela que um número cada vez maior de refugiados está vivendo em cidades, principalmente no mundo em desenvolvimento, o que contrasta com a percepção comum de que estas pessoas estariam inundando as nações industrializadas.
O número de novos solicitantes de refúgio no mundo chegou a quase 01 milhão, sendo que a África do Sul é o hoje o principal destino de solicitantes de refúgio no mundo – cerca de 220 mil novos pedidos no ano passado.
O relatório Tendências Globais 2009, que revisa tendências e padrões de deslocamentos relacionados a conflitos, também analisa as pessoas apátridas e revela que o número de pessoas reconhecidas nesta situação ao final de 2009 era de 6,6 milhões – embora cifras extra-oficiais estimem uma população de apátridas de até 12 milhões de pessoas.
O ACNUR protege, assiste e busca soluções para os refugiados. A persistência de conflitos torna mais difícil o retorno voluntário aos países de origem, o que geralmente é a situação preferida para países de refúgio e refugiados.
Em relação ao reassentamento – que transfere refugiados de um país e os realoca permanentemente em outro – o ACNUR submeteu um número recorde de pedidos o ano passado (128 mil indivíduos), o maior nos últimos 16 anos. Ao final de 2009, 112.400 refugiados haviam sido recebidos por programas de reassentamento em 19 países.
Refúgio no Brasil
De acordo com as estatísticas do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), divulgadas essa manhã, o Brasil possui 4.294 refugiados (cerca de 30% são mulheres). Deste total, 3.895 foram reconhecidos por vias tradicionais de elegibilidade e 399 foram beneficiados pelo Programa de Reassentamento Solidário. Todos vivem em cidades brasileiras.
Os refugiados de origem africana compõem a maioria desta população (64,9%), seguidos de refugiados do continente americano (22,3%), da Ásia (10,3%) e da Europa (2,2%).
Em relação às nacionalidades, os maiores grupos são formados por angolanos (1.688 pessoas, ou 39,3% do total), colombianos (589 pessoas – 13,7%), congoleses (420 pessoas – 9,8%), liberianos (259 pessoas – 6%) e iraquianos (199 pessoas – 4,6%).
Cabe ao CONARE a implementação no Brasil da Convenção da ONU sobre o Estatuto dos Refugiados (de 1951), como também orientar e coordenar as ações necessárias à eficácia da proteção, assistência e apoio jurídico aos refugiados que se encontram no país.
Presidido pelo Ministério da Justiça e com a participação de integrantes dos Ministérios das Relações Exteriores, Trabalho, Saúde e Educação, do Departamento da Polícia Federal, da sociedade civil e do ACNUR (neste caso, com direito a voz e sem direito a voto), o CONARE analisa e decide sobre as solicitações de refúgio, podendo também decidir pela cessação ou revogação da condição de refugiado. Sua atuação se pauta pela Lei 9.474/97, que o criou e define outros mecanismos de implementação da Convenção.
De acordo com a Lei 9.474/97, será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:
I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país;
II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior;
III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.
No Brasil, o ACNUR desenvolve programas de integração local e reassentamento, atuando em parceria com o CONARE, o setor privado e entidades da sociedade civil organizada – como a ASAV.
Por: ACNUR
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Fuga de 100 mil no Quirguistão
Os confrontos étnicos iniciados na última sexta-feira no sul do Quirguistão, república da Ásia Central, já deixaram ao menos 124 mortos e mais de 1,5 mil feridos. A onda de violência gera ainda uma potencial crise humanitária, com cerca de 100 mil pessoas da etnia uzbeque buscando refúgio na fronteira com o Uzbequistão (na foto acima, refugiados esperam liberação na cidade de Osh). O número de mortos pode ser ainda maior, apontam autoridades locais. Líderes uzbeques dizem ter sepultado ao menos 200 corpos, e a Cruz Vermelha reporta ter presenciado o enterro de ao menos cem pessoas somente em um cemitério da região. Os Estados Unidos, a Rússia e as Nações Unidas trabalham para agilizar a entrega de ajuda humanitária por meio de aviões, enquanto o Uzbequistão montou acampamentos emergenciais, para lidar com os refugiados.
Estes confrontos são os piores episódios de violência registrados desde a revolta de abril (87 mortos), que derrubou o presidente Kurmanbek Bakiyev e levou ao poder o governo interino atual, que pretende realizar um referendo sobre uma nova Constituição, em 27 de junho.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2937189.xml&template=3916.dwt&edition=14895§ion=1014
Estes confrontos são os piores episódios de violência registrados desde a revolta de abril (87 mortos), que derrubou o presidente Kurmanbek Bakiyev e levou ao poder o governo interino atual, que pretende realizar um referendo sobre uma nova Constituição, em 27 de junho.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2937189.xml&template=3916.dwt&edition=14895§ion=1014
Número de refugiados forçados é o maior em duas décadas
Refugiados na África aguardam para se registrar em programa da ONU.
O número de pessoas forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições em 2009 foi o maior em duas décadas e totalizou 43,3 milhões em todo o mundo. É a maior cifra de deslocamentos forçados por estes motivos desde a metade dos anos 90. A informação é do relatório Tendências Globais 2009, divulgado hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em todo o mundo.
Porém, os deslocamentos voluntários, de refugiados repatriados voluntariamente para seus países de origem caiu ao nível mais baixo em 20 anos.
O documento indica que o número médio de refugiados no mundo permanece relativamente estável (15,2 milhões), sendo dois terços sob os cuidados do ACNUR e o restante sob o mandato da UNRWA (agência da ONU que se dedica exclusivamente a refugiados palestinos). Por causa da crescente persistência dos conflitos, mais da metade dos refugiados sob os cuidados do ACNUR estão em situações de refúgio prolongado - há mais de cinco anos no exílio.
O relatório do ACNUR mostra que apenas 251 mil refugiados retornaram para casa em 2009 - o menor número desde 1990. Nos últimos dez anos, os retornos voluntários chegavam a cerca de 01 milhão, por ano.
O número de pessoas deslocadas por conflitos em seus próprios países (os chamados deslocados internos) cresceu 4%, chegando a 27,1 milhões ao final de 2009. Os persistentes conflitos na República Democrática do Congo (RDC), Paquistão e Somália explicam esta realidade, de acordo com o relatório Tendências Globais 2009.
O documento também revela que um número cada vez maior de refugiados está vivendo em cidades, principalmente no mundo em desenvolvimento, o que contrasta com a percepção comum de que estas pessoas estariam inundando as nações industrializadas.
O número de novos solicitantes de refúgio no mundo chegou a quase 01 milhão, sendo que a África do Sul é o hoje o principal destino de solicitantes de refúgio no mundo - cerca de 220 mil novos pedidos no ano passado.
O relatório Tendências Globais 2009, que revisa tendências e padrões de deslocamentos relacionados a conflitos, também analisa as pessoas apátridas e revela que o número de pessoas reconhecidas nesta situação ao final de 2009 era de 6,6 milhões - embora cifras extra-oficiais estimem uma população de apátridas de até 12 milhões de pessoas.
Fonte: estadao.com.br
O número de pessoas forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições em 2009 foi o maior em duas décadas e totalizou 43,3 milhões em todo o mundo. É a maior cifra de deslocamentos forçados por estes motivos desde a metade dos anos 90. A informação é do relatório Tendências Globais 2009, divulgado hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em todo o mundo.
Porém, os deslocamentos voluntários, de refugiados repatriados voluntariamente para seus países de origem caiu ao nível mais baixo em 20 anos.
O documento indica que o número médio de refugiados no mundo permanece relativamente estável (15,2 milhões), sendo dois terços sob os cuidados do ACNUR e o restante sob o mandato da UNRWA (agência da ONU que se dedica exclusivamente a refugiados palestinos). Por causa da crescente persistência dos conflitos, mais da metade dos refugiados sob os cuidados do ACNUR estão em situações de refúgio prolongado - há mais de cinco anos no exílio.
O relatório do ACNUR mostra que apenas 251 mil refugiados retornaram para casa em 2009 - o menor número desde 1990. Nos últimos dez anos, os retornos voluntários chegavam a cerca de 01 milhão, por ano.
O número de pessoas deslocadas por conflitos em seus próprios países (os chamados deslocados internos) cresceu 4%, chegando a 27,1 milhões ao final de 2009. Os persistentes conflitos na República Democrática do Congo (RDC), Paquistão e Somália explicam esta realidade, de acordo com o relatório Tendências Globais 2009.
O documento também revela que um número cada vez maior de refugiados está vivendo em cidades, principalmente no mundo em desenvolvimento, o que contrasta com a percepção comum de que estas pessoas estariam inundando as nações industrializadas.
O número de novos solicitantes de refúgio no mundo chegou a quase 01 milhão, sendo que a África do Sul é o hoje o principal destino de solicitantes de refúgio no mundo - cerca de 220 mil novos pedidos no ano passado.
O relatório Tendências Globais 2009, que revisa tendências e padrões de deslocamentos relacionados a conflitos, também analisa as pessoas apátridas e revela que o número de pessoas reconhecidas nesta situação ao final de 2009 era de 6,6 milhões - embora cifras extra-oficiais estimem uma população de apátridas de até 12 milhões de pessoas.
Fonte: estadao.com.br
segunda-feira, 7 de junho de 2010
FRONTEIRAS FECHADAS
06 de junho de 2010
A lei anti-imigração que divide os americanos.
Críticos afirmam que iniciativa do Estado do Arizona promove o racismo, mas maioria a aprova.
Em meio a protestos contra a mais repressiva lei estadual anti-imigração dos EUA, o presidente americano, Barack Obama, e a governadora do Estado do Arizona, Jan Brewer, se reuniram na última quinta-feira em Washington para discutir o delicado tema. O Arizona, um dos quatro Estados americanos que fazem fronteira com o México, tornou-se nos últimos anos um dos principais pontos de entrada de imigrantes ilegais vindos desse país. Hoje, abriga estimados 460 mil ilegais.
Jan sancionou em 23 de abril uma lei que permite à polícia comum checar – enquanto estiver investigando um crime – a situação legal de qualquer pessoa se houver uma suspeita “razoável’’ de que ela esteja ilegalmente no país. A medida vem gerando protestos e boicotes dentro e fora do país – os opositores da lei, criticada por Obama e por diversas organizações de defesa dos direitos civis, afirmam que a medida promove o racismo e a discriminação com base na aparência das pessoas.
No entanto, a maioria da população dos EUA apoia a aprovação da lei, segundo várias pesquisas. Dos 994 americanos consultados pelo Centro de Estudos Pew em maio, 73% disseram ser favoráveis a que a polícia possa exigir que qualquer pessoa mostre seus documentos migratórios, enquanto 23% afirmaram ser contra.
A governadora alega que a legislação é necessária para fortalecer o controle da fronteira com o México, devido à ausência de uma política clara americana no tema da imigração, lacuna que Obama quer corrigir com a aprovação de uma reforma migratória. Na reunião da semana passada, o presidente reiterou sua preocupação com a lei do Arizona. Segundo ele, caberá ao Departamento de Justiça avaliar o pedido de derrubada dessa legislação, feito por parlamentares. Caso contrário, ela entrará em vigor em 29 de julho.
Outra decisão importante do encontro foi o compromisso de Obama de enviar uma grande quantidade de militares ao Estado e de retomar a construção de uma cerca entre EUA e México, que havia sido iniciada no governo de George W. Bush. Na opinião da americana Sherri McCarthy, 52 anos, PhD em Psicologia e professora da Northern Arizona University, no campus de Yuma, a 25 quilômetros da fronteira com o México, essas são duas medidas que vão incrementar a economia estadual:
– Dificuldades econômicas são o motivo por trás da assinatura dessa lei. E parece que foi um sucesso, já que a governadora teve um encontro com Obama e conseguiu bons resultados – pondera Sherri, que já trabalhou na UFRGS (confira entrevista à direita).
A fronteira com o México, aliás, já foi um grande gerador de riquezas para o Arizona, lembra Sherri:
– Antes do 11 de Setembro, o Arizona tinha uma fronteira livre, e muitos moravam no México e estudavam ou trabalhavam nos EUA e vice-versa. Gradativamente, no governo Bush, ficou cada vez mais difícil de cruzar a fronteira, e isso foi muito ruim para a economia do Arizona. Muitos perderam seus empregos – comenta.
LAURA SCHENKEL (laura.schenkel@zerohora.com.br)
Reação contrária
Confira alguns argumentos dos opositores à nova legislação:
- As novas normas, além de criminalizar imigrantes, ainda permitem, entre outros pontos, que os policiais, ao abordarem os suspeitos por algum outro motivo, peçam para ver os documentos de imigração.
- O presidente americano, Barack Obama, classificou a medida de “desvirtuada” e “irresponsável”. Orientou membros de sua equipe a monitorar de perto a lei para “examinar eventuais violações dos direitos civis e outras implicações”.
- O democrata Phil Gordon, prefeito de Phoenix, capital do Arizona, diz que a lei é “ruim” e “discriminatória” – e que não reflete a vontade dos moradores do Estado.
- Um abaixo-assinado online (http://bit.ly/aYSiIQ), organizado pela Care2, alerta que os policiais vão abordar as pessoas com base na sua aparência, o que seria altamente discriminatório. A entidade prega que as pessoas não viajem ao Arizona, não fechem negócios e não marquem eventos nesse Estado até que a lei seja revogada.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2927671.xml&template=3898.dwt&edition=14832§ion=1014
A lei anti-imigração que divide os americanos.
Críticos afirmam que iniciativa do Estado do Arizona promove o racismo, mas maioria a aprova.
Em meio a protestos contra a mais repressiva lei estadual anti-imigração dos EUA, o presidente americano, Barack Obama, e a governadora do Estado do Arizona, Jan Brewer, se reuniram na última quinta-feira em Washington para discutir o delicado tema. O Arizona, um dos quatro Estados americanos que fazem fronteira com o México, tornou-se nos últimos anos um dos principais pontos de entrada de imigrantes ilegais vindos desse país. Hoje, abriga estimados 460 mil ilegais.
Jan sancionou em 23 de abril uma lei que permite à polícia comum checar – enquanto estiver investigando um crime – a situação legal de qualquer pessoa se houver uma suspeita “razoável’’ de que ela esteja ilegalmente no país. A medida vem gerando protestos e boicotes dentro e fora do país – os opositores da lei, criticada por Obama e por diversas organizações de defesa dos direitos civis, afirmam que a medida promove o racismo e a discriminação com base na aparência das pessoas.
No entanto, a maioria da população dos EUA apoia a aprovação da lei, segundo várias pesquisas. Dos 994 americanos consultados pelo Centro de Estudos Pew em maio, 73% disseram ser favoráveis a que a polícia possa exigir que qualquer pessoa mostre seus documentos migratórios, enquanto 23% afirmaram ser contra.
A governadora alega que a legislação é necessária para fortalecer o controle da fronteira com o México, devido à ausência de uma política clara americana no tema da imigração, lacuna que Obama quer corrigir com a aprovação de uma reforma migratória. Na reunião da semana passada, o presidente reiterou sua preocupação com a lei do Arizona. Segundo ele, caberá ao Departamento de Justiça avaliar o pedido de derrubada dessa legislação, feito por parlamentares. Caso contrário, ela entrará em vigor em 29 de julho.
Outra decisão importante do encontro foi o compromisso de Obama de enviar uma grande quantidade de militares ao Estado e de retomar a construção de uma cerca entre EUA e México, que havia sido iniciada no governo de George W. Bush. Na opinião da americana Sherri McCarthy, 52 anos, PhD em Psicologia e professora da Northern Arizona University, no campus de Yuma, a 25 quilômetros da fronteira com o México, essas são duas medidas que vão incrementar a economia estadual:
– Dificuldades econômicas são o motivo por trás da assinatura dessa lei. E parece que foi um sucesso, já que a governadora teve um encontro com Obama e conseguiu bons resultados – pondera Sherri, que já trabalhou na UFRGS (confira entrevista à direita).
A fronteira com o México, aliás, já foi um grande gerador de riquezas para o Arizona, lembra Sherri:
– Antes do 11 de Setembro, o Arizona tinha uma fronteira livre, e muitos moravam no México e estudavam ou trabalhavam nos EUA e vice-versa. Gradativamente, no governo Bush, ficou cada vez mais difícil de cruzar a fronteira, e isso foi muito ruim para a economia do Arizona. Muitos perderam seus empregos – comenta.
LAURA SCHENKEL (laura.schenkel@zerohora.com.br)
Reação contrária
Confira alguns argumentos dos opositores à nova legislação:
- As novas normas, além de criminalizar imigrantes, ainda permitem, entre outros pontos, que os policiais, ao abordarem os suspeitos por algum outro motivo, peçam para ver os documentos de imigração.
- O presidente americano, Barack Obama, classificou a medida de “desvirtuada” e “irresponsável”. Orientou membros de sua equipe a monitorar de perto a lei para “examinar eventuais violações dos direitos civis e outras implicações”.
- O democrata Phil Gordon, prefeito de Phoenix, capital do Arizona, diz que a lei é “ruim” e “discriminatória” – e que não reflete a vontade dos moradores do Estado.
- Um abaixo-assinado online (http://bit.ly/aYSiIQ), organizado pela Care2, alerta que os policiais vão abordar as pessoas com base na sua aparência, o que seria altamente discriminatório. A entidade prega que as pessoas não viajem ao Arizona, não fechem negócios e não marquem eventos nesse Estado até que a lei seja revogada.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2927671.xml&template=3898.dwt&edition=14832§ion=1014
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