terça-feira, 24 de maio de 2011

Acnur: Países europeus são responsáveis por refugiados do norte da África

Migrantes em barco se aproximam da baía de Lampedusa, na Itália (28/3/2011)

Representante do Alto Comissariado para Refugiados da ONU no Brasil condena política de líderes que falam em fechar fronteiras


Por Marsílea Gombata, iG São Paulo | 24/05/2011 08:06

Países que mantêm tropas na Líbia têm responsabilidade direta nos conflitos e na consequente fuga em massa de refugiados. A observação é feita pelo representante do Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (Acnur) no Brasil, Andrés Ramirez, que lamenta o fato de líderes europeus se negarem a receber refugiados de países em conflito como a Tunísia e a Líbia, no norte da África.

“É lamentável o fato de Estados europeus falarem em fechar fronteiras quando eles mesmos estão envolvidos no conflito”, disse o mexicano Andrés Ramirez, representante do Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (Acnur) no Brasil. “É importante que esses Estados europeus abram essas fronteiras para pessoas que estão sofrendo”

Em abril, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê italiano, Silvio Berlusconi, chegaram a questionar o Tratado de Schengen, ao pedir revisão do princípio de livre circulação dentro do bloco europeu diante da onda de imigrantes fugindo de conflitos no norte da África para o continente europeu. Tal postura, segundo Ramirez, “desrespeita os princípios da própria União Europeia”. “Essa á uma política muito contrária aos direitos humanos que preditam Estados-membros do bloco“, observou.

Segundo o representante, a maioria dos refugiados atuais nem mora em países desenvolvidos, mas sim naqueles em subdesenvolvimento. “Por isso, a Acnur trabalha para assentar essas pessoas em outros países e não, necessariamente, na Itália ou França”, disse.

Ao ressaltar que os imigrantes foram força de trabalho importante em países como Brasil e EUA, Ramirez traçou um paralelo entre a história passada e o atual momento para condenar líderes que se negam a receber refugiados. “Muitos italianos, por exemplo, vieram para Brasil, Argentina, EUA, Uruguai, Venezuela, Peru. (...) Se tivéssemos fechado as portas para eles com a justificativa de que trariam crise ao país, então as imigrações não existiriam no mundo, quando, na verdade, elas ajudaram a fortalecer esses países”, concluiu.

A crise no Oriente Médio e no norte da África, especialmente em países como Tunísia e Líbia, levou mais de 30 mil refugiados a fugir para a Itália desde o início dos conflitos.

sábado, 21 de maio de 2011

Imigrantes são alvo fácil para a escravidão

(REUTERS) “Mais de 27 milhões de pessoas são escravas hoje, e imigrantes fugindo da violência do Norte da África estão entre os que correm maior risco de serem explorados,” informou o diplomata norte-americano Luis C. de Baca, diretor do “Office to Monitor and Combat Trafficking in Persons”, do Departamento de Estado dos EUA, em uma conferência organizada pela sua embaixada para o Vaticano

“Países aonde imigrantes chegam deveriam identificar as potenciais vítimas e protegê-las, ao invés de optar pela sua repatriação imediata, que geralmente as reenvia para as mãos de traficantes de pessoas,” disse Baca. “Deveria se cuidar melhor aonde esses imigrantes vão parar, em que tipo de trabalho são colocados e como são tratados. O melhor não é tentar combater o tráfico nas fronteiras, porque eles ainda não sabem que estão sendo vítimas do crime nesse ponto. É somente quando chegam ao seu local de destino que se descobrem escravos.”

Palestrantes da conferência externaram a necessidade de maior cooperação entre governos, organizações e grupos religiosos para impedir que mais pessoas sejam captadas pelo tráfico humano. As vítimas variam de crianças forçadas a trabalhos domésticos ou fabris a mulheres obrigadas à prostituição.

“As facções criminosas que caçam homens, mulheres e crianças são muito bem organizadas e conectadas a outras em todas as partes do mundo,” disse a Irmã Estrella Castalone, que coordena o grupo anti-tráfico Talitha Kum. “É apenas através de um canal tão igualmente organizado, que ligue os países de origem aos de trânsito e de destino, que se pode impedir que os mais fracos e vulneráveis se tornem mercadorias.”

Representantes do “Interfaith Center on Corporate Responsibility” informaram que estão pressionando executivos a avaliarem suas redes de fornecedores comerciais para se certificarem de que seus contratos de trabalho incluem uma linguagem clara, a fim de impedir o tráfico humano. Também pediram que as empresas deem mais declarações públicas acerca das medidas que tomam para combater a escravidão.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Refugiados vítimas do conflito na Líbia serão reassentados nos EUA e na Holanda



Os refugiados eritreus chegam no abrigo transitório de emergência de Timisoara, na Romênia.

TIMISOARA, Romênia, 20 de abril (ACNUR) – O primeiro grupo de refugiados a ser reassentado por causa dos conflitos na Líbia acaba de desembarcar em um abrigo transitório de emergência no oeste da Romênia. Formado por 30 refugiados eritreus, o grupo permanecerá seis meses no abrigo de Timisoara antes de ser reassentado nos Estados Unidos e na Holanda.

No grupo estão três mulheres e um menino. Os refugiados, que não podem retornar a seus países de origem e nem à Líbia, passaram algumas semanas em um campo lotado na Tunísia, enquanto o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros buscavam solucionar o problema. Assim como eles, centenas de eritreus e somalis seguem parados nas fronteiras líbias com a Tunísia e o Egito – pois o retorno aos seus países de origem pode representar um risco à suas próprias vidas, e a instabilidade na Líbia impede o regresso deles ao país onde viviam como refugiados.

Tal situação levou o ACNUR a buscar o reassentamento destes refugiados, protegendo-os em outros países. O grupo de refugiados eritreus que chegou à Romênia é o primeiro a ser beneficiar desta solução, e sua saída Líbia foi organizada pelo ACNUR, pela Organização Internacional para a Migração (OIM) e pelo governo romeno. Oficiais do ACNUR disseram que outros grupos são esperados.

De acordo com relatos dos refugiados, eles deixaram a Eritréia para escapar do recrutamento militar forçado e buscaram refúgio na Líbia. Com o início dos conflitos no país, em fevereiro deste ano, passaram a ser detidos e abusados fisicamente por serem originários da África subsaariana - região da qual vieram mercernários para lutar ao lado das forças leais ao governo.

Após deixaram a Tunísia, o grupo de eritreus ficou no campo de Choucha, de onde milhares de migrantes trabalhadores que vivam na Líbia eram repatriados por seus próprios governos ou pelo ACNUR e a OIM. Sem poder retornar para a Líbia ou para seus países de origem, restava a eles esperar por uma resposta positiva dos governos que implementam programas de reassentamento.

O Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, vem fazendo diversos apelos para que os países com programas de reassentamento ajudem os refugiados vitimas do conflito na Líbia.

Na última quarta-feira (20/04), em Genebra, o ACNUR apresentou aos países de reassentamento sua a iniciativa Reassentamento Solidário Global (ou Global Resettlement Solidarity initiative). Este programa busca responder às necessidades de reassentamento no Egito e na Tunísia criadas a partir da crise na Líbia. Com este apelo, o ACNUR pediu aos países de reassentamento que beneficem cerca de oito mil refugiados. que estão nas fronteiras líbias.

“Pedimos que os países ampliem suas cotas de reassentamento”, frisou o Coordenador de Reassentamento do ACNUR, Johannes van der Klaauw. “O número de pessoas vindas do Egito e da Tunísia que precisam de reassentamento cresce a cada dia e vai rapidamente aumentar de centenas para milhares”, acrescentou.

Van der Klaauw também notou que o reassentamento fora da região garantiria a redução no número de refugiados vulneráveis que se arriscam na travessia perigosa entre o Mediterrâneo e a Europa. Nas últimas semanas, mais de 500 pessoas perderam a vida tentando fazer a travessia.

O abrigo de emergência de Timisoara foi criado em 2008 pelo governo da Romênia, o ACNUR e a OIM para acolher pessoas que precisam urgentemente de proteção internacional até que o processo de reassentamento seja concluído. Mais de 200 pessoas podem ser acomodadas no abrigo. As instalações já receberam mais de 600 refugiados – dentre eles eritreus, sudaneses, palestinos, etíopes, iraquianos e nigerianos – desde a sua inauguração.

Roland Schönbauer (em Timisoara, Romênia) e Leo Dobbs (em Genebra)

Por: ACNUR

Quarta Feira 20. Abril 2011 14:00 Tempo: 20 days

segunda-feira, 9 de maio de 2011

61 refugiados morrem no mar abandonados pela NATO

Morreram 61 refugiados africanos provenientes da Líbia quando o barco em que seguiam tentava atingir a costa italiana, depois de unidades militares europeus e da NATO ter ignorado o alarme lançado pelas vítimas no alto mar.

De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal britânico “The Guardian”, uma embarcação levando a bordo 72 passageiros, incluindo várias mulheres, crianças e refugiados políticos teve problemas, pouco depois de ter deixado Tripoli. Rumava em direcção à ilha italiana de Lampedusa.

Apesar da guarda costeira italiana ter sido alertada para a situação de emergência e dos refugiados terem entrado em contato tanto com um helicóptero militar italiano como com um navio de guerra da NATO - que se supõe ter sido de nacionalidade francesa - o facto é que não foi feita qualquer tentativa para os socorrer.

A embarcação em apuros foi abandonada à sua sorte, ficando à deriva durante 16 dias. De acordo com o “The Guardian”, sessenta e uma das 72 pessoas que seguiam a bordo morreram de fome ou de sede. Recorda-se que a lei marítima internacional obriga todos os navios, incluindo os militares, a responder a pedidos de socorro lançados por parte qualquer embarcação em dificuldades e a oferecer toda a ajuda possível a potenciais náufragos.

Defensores dos direitos dos refugiados exigiram a realização de um rigoroso inquérito, enquanto que o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados da ONU lançou um apelo para que haja uma maior cooperação entre embarcações civis e militares no Mar Mediterrâneo com o objectivo de salvar vidas humanas.

Os emigrantes em causa em 47 etíopes, sete nigerianos, sete eritreus, seis ganeses e cinco sudaneses.
FONTE: Site VOANews

CURIOSIDADES

O que quer dizer a sigla NATO?

É uma sigla em inglês, e quer dizer "North Atlantic Treaty Organization", o que traduzido quer dizer qualquer coisa "Organização do Tratado ao Atlântico Norte (a sigla em português é OTAN). É mais comum ser chamada de NATO porque a sigla em inglês até parece uma palavra portuguesa. Também é conhecida como Aliança Atlântica porque inclui países do continente europeu e norte-americano, que estão separados pelo Oceano Atlântico.

Que países fazem parte da NATO?

Fazem parte 28 países: Portugal, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Reino Unido e os EUA (que foram os países fundadores); e Grécia, Turquia, Alemanha, Espanha, República Checa, Hungria, Polónia, Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Eslováquia, Eslovénia, Albânia e a Croácia.

Quais são as funções da NATO?


Apesar de defender a resolução pacífica dos conflitos (sem guerras) a NATO é uma instituição militar preparada para entrar em guerra. As suas missões tentam restabelecer a paz e garantir a segurança mundial.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Refugiados líbios procuram fugir dos combates por terra e mar

TRÍPOLI - Os combates entre rebeldes e forças leais a Muammar Gaddafi estão forçando milhares de pessoas a fugir do oeste da Líbia a pé para a fronteira da Tunísia e por barco para a Europa, disse a Organização das Nações Unidas na terça-feira.

Rebeldes contrários ao líder Muammar Gaddafi disseram que esperam bilhões de dólares em crédito a chegar em pouco tempo de governos ocidentais para alimentar e suprir seus territórios no leste e para apoiar sua campanha.

Porta-vozes dos rebeldes disseram que os combates voltaram a se intensificar nos subúrbios de Misrata, perto do porto, que proporciona à cidade sitiada uma via crucial de conexão com o reduto rebelde de Benghazi, no leste da Líbia.

"Combates estão sendo travados na área de Bourouia. As brigadas (pró-Gaddafi) estão tentando penetrar na área de Tamina, no leste da cidade", disse por telefone à Reuters um porta-voz chamado Reda.

Gaddafi, que chegou ao poder em um golpe de Estado em 1969, não é visto em público desde um ataque de míssil de Otan no sábado contra uma casa em Trípoli, no qual, segundo autoridades, ele sobreviveu, mas que matou seu filho mais jovem e três de seus netos.

O Acnur, agência das Nações Unidas para refugiados, disse que o êxodo de pessoas fugindo da região dos Montes Ocidentais recomeçou, com famílias líbias fugindo para o sul da Tunísia.

"Neste último fim de semana mais de 8.000 pessoas, em sua maioria de etnia berbere, chegaram a Dehiba, no sul da Tunísia. São em sua maioria mulheres e crianças", disse o porta-voz do Acnur Adrian Edwards em entrevista à imprensa em Genebra. Dezenas de milhares de líbios já fugiram.

Uma violenta tempestade de areia que fustigou a região tornou a situação ainda mais difícil.

O posto de cruzamento de fronteira em Dehiba trocou de mãos várias vezes na última semana, com os combates invadindo solo tunisiano.

"O Acnur e nossos parceiros estão lutando para manter os campos nas proximidades. A tempestade destruiu centenas de barracas e dois enormes armazéns portáteis", disse Edwards.

"A maioria dos refugiados líbios está deixando a Líbia em grupos tribais. Muitos estão optando por permanecer nos campos por alguns dias antes de mudar-se, para hospedar-se com famílias tunisianas."

Enquanto isso, mais pessoas vêm fugindo da Líbia por mar em direção à Itália, após uma pausa de dez dias decorrente do mau tempo. Nos últimos cinco dias cerca de 3.200 pessoas chegaram à ilha de Lampedusa, em sua maioria vindas da África subsaariana, segundo o Acnur.

FONTE: UOL