Medida do governo contra imigrantes causa mal-estar no bloco europeuEm meio a críticas, o governo da França expulsou ontem um grupo de 60 ciganos, como parte de suas polêmicas medidas contra os imigrantes. Os expulsos – os primeiros de um total de 700 ciganos em situação irregular que devem ser obrigados a deixar o país – partiram em um avião para a Romênia.
A medida causou mal-estar na União Europeia, já que a Romênia faz parte do bloco. O presidente romeno, Traian Basescu, afirmou que a expulsão dos ciganos prova a necessidade de um programa europeu de integração – um pedido que seu país faz desde 2008. Os 60 ciganos deixaram Lyon (centro-leste da França) rumo a Bucareste em voo regular da companhia romena Blue Air. Chegaram sob escolta policial, em dois ônibus, ao aeroporto de Lyon.
O governo francês justificou que a campanha contra os ciganos foi aberta em razão de distúrbios ocorridos após a morte de um deles. Uma delegacia foi atacada por pessoas que protestavam contra o incidente. O presidente Nicolas Sarkozy tomou posse, em 2007, com uma promessa de ser implacável contra o crime. Apesar das críticas internacionais e internas, o governo está convencido de que a posição firme nesse caso fortalece Sarkozy nas eleições de 2012, após o escândalo sobre as doações ilegais da mulher mais rica da França, Liliane Bettencourt, herdeira do grupo L’Oréal, à campanha do presidente em 2007.
A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou duramente a França por estabelecer uma relação entre imigração e criminalidade. Na França, o governo de direita foi acusado pela esquerda de promover um “racismo de Estado”.
Comunidade cigana no país chega a 400 mil pessoas
Em 2009, 44 voos desse tipo foram organizados, e 10 mil romenos e búlgaros foram levados para seus países, segundo as autoridades francesas. Como cidadãos da UE, os ciganos podem voltar à França sem visto e permanecer legalmente no país por até três meses – o que dificulta o controle. Cerca de 400 mil pessoas, 95% delas francesas, fazem parte da comunidade cigana na França. O restante é formado por ciganos de origem búlgara, romena e de outros países dos Bálcãs, cujo número aumenta constantemente, segundo o governo.
FONTE: Zero-Hora
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