quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Autorizações de trabalho para estrangeiros no país crescem quase 19% no primeiro semestre

RRIO - O número de estrangeiros empregados no Brasil cresceu 18,85% no primeiro semestre do ano em relação ao mesmo período de 2009, com 3.519 concessões a mais que no ano anterior, conforme dados divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta segunda-feira. Foram concedidas no período 22.188 autorizações de trabalho a estrangeiros, das quais 20.760 são temporárias e 1.428 permanentes.

Entre as autorizações para contratação temporária, 8.244 foram para trabalhadores estrangeiros que atuam a bordo de embarcações ou plataformas estrangeiras; 3.724 para assistência técnica por prazo de 90 dias, sem vínculo empregatício; 3.270 para artistas e desportistas; e 2.532 para assistência técnica, cooperação técnica e transferência de tecnologia, sem vínculo empregatício. Além destas, foram concedidas 770 autorizações de trabalho para marítimos estrangeiros empregados de embarcações de turismo estrangeiras que operam em águas brasileiras e mais 1.714 autorizações a especialistas com vínculo empregatício.

No caso das autorizações permanentes, foram concedidas 711 para administradores, diretores, gerentes e executivos com poderes de gestão. Investidores pessoa física somam 431 autorizações entre janeiro e junho deste ano.

O presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio de Almeida, explica que o crescimento não tem relação com uma possível falta de mão de obra qualificada, e sim é reflexo do aumento dos investimentos no Brasil. Segundo ele, a vinda desses profissionais está relacionada com a implementação de investimentos seja pela aquisição de máquinas e equipamentos importados, que demandam a vinda de técnicos para a montagem, instalação ou repasse da tecnologia; seja pela instalação de novas empresas estrangeiras, que demanda a vinda de profissionais estrangeiros para a fase de instalação; seja pela vinda de embarcações e plataformas estrangeiras para exploração de petróleo, que vêm ao Brasil com suas tripulações estrangeiras, e gradativamente contrata brasileiros para trabalho a bordo.

Rio foi o estado que mais recebeu estrangeiros no ano passado

O balanço mostra que o estado que mais recebeu estrangeiros no período foi o Rio de Janeiro: 12.069 autorizações; seguido por São Paulo (6.890), Minas Gerais (1.034) e Paraná (402). Os outros estados somam, juntos, 1.793 autorizações.

O maior número de estrangeiros veio dos Estados Unidos, com 3.622 autorizações, seguido do Reino Unido (1.921) e das Filipinas (1.737). Entre os países da América do Sul, a Colômbia lidera o envio de profissionais para o Brasil (335), seguida da Argentina (297), e da Venezuela (255).

Os homens são em maior número entre os estrangeiros que vêm para o país. Do total das autorizações, 20.558 foram concedidas para profissionais do sexo masculino. Em relação a escolaridade, 12.846 estrangeiros que conseguiram autorização tinham superior completo ou habilitação legal equivalente e 8.638 tinha 2º grau completo ou técnico profissional.


FONTE: oglobo.com

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sarkozy expulsa ciganos da França

Medida do governo contra imigrantes causa mal-estar no bloco europeuEm meio a críticas, o governo da França expulsou ontem um grupo de 60 ciganos, como parte de suas polêmicas medidas contra os imigrantes. Os expulsos – os primeiros de um total de 700 ciganos em situação irregular que devem ser obrigados a deixar o país – partiram em um avião para a Romênia.

A medida causou mal-estar na União Europeia, já que a Romênia faz parte do bloco. O presidente romeno, Traian Basescu, afirmou que a expulsão dos ciganos prova a necessidade de um programa europeu de integração – um pedido que seu país faz desde 2008. Os 60 ciganos deixaram Lyon (centro-leste da França) rumo a Bucareste em voo regular da companhia romena Blue Air. Chegaram sob escolta policial, em dois ônibus, ao aeroporto de Lyon.

O governo francês justificou que a campanha contra os ciganos foi aberta em razão de distúrbios ocorridos após a morte de um deles. Uma delegacia foi atacada por pessoas que protestavam contra o incidente. O presidente Nicolas Sarkozy tomou posse, em 2007, com uma promessa de ser implacável contra o crime. Apesar das críticas internacionais e internas, o governo está convencido de que a posição firme nesse caso fortalece Sarkozy nas eleições de 2012, após o escândalo sobre as doações ilegais da mulher mais rica da França, Liliane Bettencourt, herdeira do grupo L’Oréal, à campanha do presidente em 2007.

A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou duramente a França por estabelecer uma relação entre imigração e criminalidade. Na França, o governo de direita foi acusado pela esquerda de promover um “racismo de Estado”.

Comunidade cigana no país chega a 400 mil pessoas

Em 2009, 44 voos desse tipo foram organizados, e 10 mil romenos e búlgaros foram levados para seus países, segundo as autoridades francesas. Como cidadãos da UE, os ciganos podem voltar à França sem visto e permanecer legalmente no país por até três meses – o que dificulta o controle. Cerca de 400 mil pessoas, 95% delas francesas, fazem parte da comunidade cigana na França. O restante é formado por ciganos de origem búlgara, romena e de outros países dos Bálcãs, cujo número aumenta constantemente, segundo o governo.



FONTE: Zero-Hora

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

EUA iniciam o envio de Guarda Nacional para a fronteira com o México

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, anunciou nesta quarta-feira o envio de 224 homens da Guarda Nacional para a fronteira do Estado com o México, com o objetivo de reforçar a segurança na região.

Os soldados fazem parte do contingente de 1,2 mil homens extras da Guarda Nacional americana que deverão ser enviados para auxiliar o trabalho de agentes que atuam na fronteira de quatro Estados com o México.

As tropas devem começar a atuar em setembro, com o objetivo de coibir o fluxo de imigrantes ilegais e o tráfico de drogas e armas na fronteira.

"Hoje, a nossa Guarda Nacional foi chamada a garantir a segurança na fronteira e a proteger a segurança do povo americano, e eu estou orgulhoso por sermos o primeiro Estado a ter nossas tropas treinadas e operacionais para essa missão", disse Schwarzenegger.

Solução definitiva

O governador afirmou, porém, que é preciso encontrar uma solução definitiva para o problema da imigração nos Estados Unidos.

"Esses homens e mulheres vão fornecer a tão necessária ajuda para proteger a nossa fronteira, mas é importante lembrar que isso é apenas o começo. Nós devemos encontrar uma solução permanente para o nosso sistema de imigração falido", disse Schwarzenegger, ecoando uma afirmação já feita diversas vezes pelo próprio presidente Barack Obama.

O destino dos mais de 11 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos é um dos principais problemas enfrentados pelo governo americano e vem ganhando maior destaque às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Também crescem nos Estados Unidos os temores de que gangues ligadas ao tráfico de drogas no México estejam cada vez mais atuantes no lado americano da fronteira.

Na semana passada, Obama sancionou uma lei que autoriza a liberação de US$ 600 milhões (cerca de R$ 1,06 bilhão) para reforçar a segurança na fronteira com o México.

Os recursos serão destinados à contratação de mil agentes para patrulhar a fronteira e para atuar nos setores de imigração e alfândega e à compra de equipamentos de comunicação e vigilância, incluindo aviões não tripulados.

Estados

Muitos Estados se dizem decepcionados com a atuação do governo federal em relação à imigração ilegal e à segurança na fronteira e decidiram agir por conta própria.

Em abril, o Arizona anunciou uma polêmica lei que, entre outros pontos, torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais. A lei foi contestada e acabou entrando em vigor sem as partes mais polêmicas, bloqueadas pela Justiça até que se decida sobre sua constitucionalidade.

No entanto, outros Estados parecem decididos a tomar o mesmo rumo. Na semana passada, foi a vez da Flórida anunciar que avalia a adoção de uma lei "ainda mais dura" que a do Arizona.

A reforma do sistema de imigração americano era uma promessa de campanha de Obama, mas, com a resistência da oposição republicana no Congresso, poucos acreditam que possa ser votada ainda neste ano.


Fonte: oglobo.com

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Canadá intercepta navio com 490 imigrantes do Sri Lanka

Um navio carregando cerca de 490 imigrantes do Sri Lanka em busca de asilo aportou nesta sexta-feira em uma base naval na Província da Colúmbia Britânica, no oeste do Canadá, a milhares de quilômetros do país asiático.

De acordo com o jornal canadense The Vancouver Sun, um navio militar canadense interceptou a embarcação com imigrantes da etnia tâmil na tarde de quinta-feira e a escoltou até o porto.

Assim que os passageiros desembarcaram na base, as autoridades canadenses instalaram tapumes para que eles não pudessem ser fotografados e filmados pela imprensa.

Ônibus e ambulâncias foram enviados ao local para transportar os imigrantes para hospitais e centros de detenção.

De acordo com a imprensa canadense, especula-se que o navio tenha ficado cerca de três meses no mar até chegar ao país.

A embarcação teria cruzado o Oceano Pacífico rumo ao Canadá após ser impedida de aportar na Austrália.

Rebeldes

As autoridades canadenses temem que existam criminosos e membros do grupo rebelde Tigres de Libertação da Pátria Tâmil entre os imigrantes e, por isso, investigará os passageiros da embarcação.

O Canadá considera os Tigres Tâmeis como um grupo terrorista e não deve conceder asilo a seus membros.

Após duas décadas de conflito com o governo do Sri Lanka, o grupo foi derrotado pelo exército cingalês no ano passado.

Os rebeldes eram acusados de recrutar crianças, usar homens-bombas e civis como escudos.

O governo cingalês, no entanto, também foi bastante criticado pelo fim sangrento da guerra civil, quando muitos tâmeis foram mortos e dezenas de milhares confinados em campos de refugiados.


Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Flórida planeja lei contra imigração ilegal mais dura que a do Arizona

RIO - Deputados, autoridades policiais e o procurador-geral da Flórida, Bill McCollum, anunciaram nesta quarta-feira em Orlando um projeto de lei contra a imigração ilegal no estado americano, que seria ainda mais dura que a aprovada no Arizona. De acordo com a proposta, que ainda será submetida à assembleia estadual, agentes da lei deverão verificar o estado migratório de suspeitos durante operações corriqueiras, empresários serão obrigados a usar um sistema eletrônico que garanta que um novo contratado não esteja em situação irregular e juízes poderão estabelecer fianças e penas maiores para crimes relacionados à imigração ilegal.

"Este projeto vai garantir ferramentas para proteger os nossos cidadãos e ajudar o nosso estado a lutar contra os crescentes problemas criados pela imigração ilegal", disse McCollum, em comunicado. "A Flórida não será um santuário para estrangeiros ilegais" acrescentou.

O projeto da Flórida prevê que todos os estrangeiros no estado portem documento que comprove seu status migratório em público. Do contrário, podem ser detidos por até 20 dias em uma primeira sentença. O mesmo dispositivo estava na lei do Arizona, conhecida como SB 1070, mas foi derrubado pela juíza Susan Bolton , após grande pressão do governo Barack Obama. O caso está com uma corte de apelações e deverá ser analisado em novembro .

Outro ponto sensível do projeto, a obrigação de verificar o status imigratório seria uma das principais mudanças na Flórida, onde atualmente as autoridades podem revisar a situação de um imigrante, mas não estão obrigadas a fazê-lo.

- O Arizona vai querer essa lei. Nós somos melhores, mais fortes, mais duros e mais justos - afirmou McCollum ao apresentar a proposta.

A proposta de McCollum, que participa de uma difícil campanha eleitoral para candidato do Partido Republicano ao governo estadual, certamente abrirá na Flórida um debate sobre a questão da imigração, atualmente um tema altamente considerado antes das eleições legislativas de 2 de novembro.

No Senado e na Câmara dos Representantes americana, os democratas possuem maioria, mas as pesquisas de opinião mostram que os republicanos ganham terreno com uma agenda que inclui um discurso de apoio a medidas estritas contra a imigração ilegal.


FONTE: oglobo

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Embaixador do Brasil no Irã formaliza oferta de asilo para condenada à morte por adultério‏

09:47
10/08/2010
Embaixador do Brasil no Irã formaliza oferta de asilo para condenada à morte por adultério
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O governo brasileiro formalizou ao Irã a oferta de asilo político à viúva iraniana Sakineh Moahammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento sob acusação de adultério. O embaixador do Brasil no Irã, Antonio Luís Espínola Salgado, oficializou ontem (9) a oferta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Ministério das Relações Exteriores daquele país. A informação foi confirmada pelo Itamaraty.

Diplomatas que acompanham o caso informaram que ainda não há uma resposta do Irã. Há pouco mais de uma semana, Lula fez a oferta e disse que o Brasil está de “braços abertos” para receber a viúva. No sábado (7), ele reiterou a proposta, mas evitou fazer comentários. Paralelamente diplomatas brasileiros negociaram o assunto com representantes iranianos.

A oferta de asilo feita por Lula provocou comentários do porta-voz do governo iraniano de que a reação do presidente brasileiro era “emotiva” e que ele “estava desinformado”. O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que a reação do Irã era normal.

Ontem (8) o advogado Mohammad Mostafaei, que defendia Sakineh, chegou a Oslo, na Noruega, país ao qual pediu asilo político para ele, a mulher e a filha. Por cerca de uma semana, a mulher do advogado e o irmão dele foram mantidos detidos por autoridades iranianas para investigações.

A iraniana foi condenada à morte por apedrejamento sob acusação de ter mantido relações sexuais com dois homens. Mas ela e a família negam.

Edição: Juliana Andrade

Movimento Separatista

Em manifesto na web, jovens paulistas criticam migração

Para chamar a atenção da imprensa de São Paulo, jovens pretendem fazer mobilização na Ponte Estaiada Octávio Frias de Oliveira, no estilo dos ativistas do Greenpeace
Ana Cláudia Barros


Eles têm entre 18 e 25 anos, são universitários e se uniram a partir de um manifesto virtual, batizado de "São Paulo para os paulistas". A iniciativa, que começou com a voz solitária de uma jovem indignada diante da proposta de inserção da cultura nordestina na grade curricular de escolas da capital do Estado, foi ganhando adeptos e, em poucos meses, já contava com mais de 600 adesões, demonstrações de apoio expressas em assinaturas numa petição online.

Escolhido como porta-voz do grupo por ter um discurso mais moderado e menos conservador, o estudante Willian Godoy Navarro, 22 anos, conversou com Terra Magazine. Nitidamente preocupado em dosar as palavras, ele falou sobre as pretensões do movimento, que tem entre os principais objetivos discutir a questão da migração e a suposta subvalorização da cultura paulista, preterida, segundo o universitário, em função do espaço que culturas "estrangeiras" conquistaram em São Paulo.

-Existe uma representatividade muito forte, na Assembleia Legislativa, de deputados de origem nordestina, que trabalham para o povo paulista. E eles aprovam e trabalham em projetos de lei que valorizam a cultura de lá. Isso não é errado. O que ocorre é que existe uma supervalorização dessa cultura e nenhuma da paulista. Muitas vezes, o aluno passa pelo Ensino Fundamental, pelo Ensino Médio e nunca estudou, não sabe qual é a história de São Paulo, o que são os bandeirantes. E agora o cara quer inserir isso como uma disciplina, "culturas do Nordeste". Aqui não é o Nordeste. Ele deve fazer isso no Nordeste - afirma, garantindo que a preocupação do grupo não se dirige, especificamente, aos migrantes dessa região do país.

O universitário conta que a sondagem na internet foi apenas uma etapa inicial. O plano agora é criar o Movimento Juventude Paulistana, uma organização com "personalidade jurídica", que, a exemplo dos ativistas ambientais do Greenpeace, pretende buscar visibilidade por meio de atos públicos.

-A gente vai fazer alguma coisa na Ponte Estaiada. Uma faixa, uma mobilização que chame a atenção dos principais veículos de comunicação de São Paulo - adianta, sem, no entanto, revelar detalhes.

Confira a entrevista

Terra Magazine- Como surgiu a ideia do manifesto?

Willian Godoy Navarro - A ideia do manifesto surgiu por conta de algumas leis que ainda estão em discussão na Câmara, na Assembleia Legislativa, que defendem a aplicação de uma disciplina nas escolas públicas em relação à cultura nordestina. Isso desencadeou o movimento, porque não existe uma promoção da cultura paulista. Os alunos saem do Ensino Médio e não sabem o que foi a Revolução Constititucionalista de 1932.
Então, a Fabiana (uma das integrantes) criou a petição, jogou na internet e conseguiu a adesão. Foi formado um grupo. Dezenas jovens apoiam e se mobilizam na internet para divulgar. Foram se conhecendo pela internet. A petição está há poucos meses no ar e já tem mais de 600 assinaturas.

O que vocês pretendem exatamente?

A gente quer levantar a discussão. Não apoio a petição. Há uma discussão interna. Acredito que a petição é ousada demais, muito radical. A gente não pode fazer uma petição como se São Paulo fosse um Estado independente.

A petição dá a ideia de que há uma intenção separatista. Não há um consenso no grupo?

Existe um movimento separatista, que é o MRSP, Movimento República de São Paulo, mas a gente não faz parte. A gente apoia o MRSP, mas não apoia a ideia de separar São Paulo do Brasil. Na passeata de 9 de julho, conversamos com eles. É um movimento organizado. São centenas de jovens em todo o Estado. Tem sede em Ribeirão Preto, Sorocaba, Campinas, Santos, São José dos Campos e na cidade de São Paulo. Geralmente, são de famílias italianas. Também são grupos de universitários.

Mas o que vocês objetivam com esse manifesto?

Criar uma influência. Agregar outros jovens que tenham o mesmo interesse em discutir os temas de sua cidade. A gente está trabalhando agora de forma diferente. Vamos criar um grupo de jovens, o Movimento Juventude Paulistana. A migração deve ser discutida e deve ser criticada, mas uma crítica construtiva.

No manifesto, há um trecho que fala em "migração predatória". Você concorda com o termo?

Não concordo. O que acontece é que não houve uma política migratória, nada que pudesse planejar isso. O que houve? São Paulo cresceu desde a década de 1970 pra cá, graças à migração. Isso é fato. São Paulo hoje é uma potência com a força de trabalho que os migrantes trouxeram para o estado. O que acontece é que, hoje, a cidade não consegue mais absorver essa migração que ainda continua. Não há nenhum tipo de política pública para administrar isso. As pessoas têm o direito de ir e vir, mas tem que haver uma política que pudesse trabalhar com elas.

Vocês são a favor de iniciativas que estimulam o retorno de migrantes ao local de origem?

Imagina só: um migrante que tinha um trabalho na área agrária, rural. Ele vem para uma cidade, sem qualificação, sem estudo, sem preparo. Ele não tem base para se manter nessa cidade. Se ele sempre trabalhou no meio rural, o que vai fazer na cidade? Ninguém pensou nisso.

Então você apoia essas iniciativas?

Sim, é uma questão humanitária. Para você ter uma ideia, tem uma pesquisa que diz que 84% dos moradores de rua que vivem no Centro de São Paulo são migrantes. É aquela mesma história. Vêm para São Paulo, não são absorvidos, não têm amparo público e acabam vagando pela cidade. O custo de vida em São Paulo é alto. Acredito que seja um dos mais altos do pais. Já é difícil para um paulistano, que constrói uma carreira, comprar, financiar um apartamento ou uma casa, imagina para o migrante que consegue ganhar um salário mínimo por mês e tem uma família para sustentar?

Lendo o manifesto, notei que o movimento tem uma particular preocupação com os nordestinos...
Não existe essa preocupação particular. Mineiros, nordestinos, mato-grossenses, paulistas que vieram do interior para a capital. Todos.

Mas, inicialmente, você comentou que a petição foi desencadeada pelos projetos de lei que defendem o ensino da cultura nordestina nas escolas.
O que desencadeou foi exatamente isso. Existe uma representatividade muito forte, na Assembleia Legislativa, de deputados de origem nordestina, que trabalham para o povo paulista. E eles aprovam e trabalham em projetos de lei que valorizam a cultura de lá. Isso não é errado. O que ocorre é que existe uma supervalorização dessa cultura e nenhuma da paulista. Muitas vezes, o aluno passa pelo Ensino Fundamental, pelo Ensino Médio e nunca estudou, não sabe qual é a história de São Paulo, o que são os bandeirantes. E agora o cara quer inserir isso como uma disciplina, "culturas do Nordeste". Aqui não é o Nordeste. Ele deve fazer isso no Nordeste.

É por isso que vocês falam no manifesto: "O paulista olha ao seu redor e se vê um estrangeiro em sua própria terra"?

A Fabiana foi muito ousada, colocou palavras bastante fortes nesse manifesto. Por isso que vamos mudá-lo. E a gente não vai mais fazer isso pelo meio virtual. A gente vai utilizar essa influência que conseguimos para fazer algo oficial mesmo. Uma organização que vai ter uma personalidade jurídica. Vai ser algo com uma representatividade mais concreta.

Nesse primeiro momento, o manifesto virtual serviu para saber se haveria aceitação?

Foi um estudo para a gente sentir como seria a aceitação. Falar da migração sempre é um tabu. Sempre alguém vai se sentir prejudicado. A gente estava discutindo ontem para falar com você hoje. A gente não pode falar da migração. São Paulo foi construído por imigrantes e migrantes. O que tem que acontecer é uma administração, um controle.

Como assim "um controle"?

Não existe controle. Não controle. Controle é uma palavra muito forte. Mas nenhuma política que pudesse organizar a migração. Não só de nordestinos, mas de todos que vêm para São Paulo ou para outra cidade. A gente tem quase um milhão de pessoas na cidade de São Paulo que não conseguem emprego, que moram em favelas ou em áreas com más condições de moradia. A gente não tem estrutura para absorver a migração. Essa mão-de-obra, essa força de trabalho que continua vindo para São Paulo poderia desenvolver outras áreas do país. A gente se preocupa com o futuro da cidade.

Vocês do movimento consideram que a migração provoca sobrecarga no sistema de saúde e impactos nos índices de violência?

Seria hipócrita se dissesse que não. A maior parte das pessoas que utiliza o SUS na cidade de São Paulo são migrantes. Agora, não que esse seria o problema. Em relação à violência, é também bastante contestado. O cara vem, mora na periferia, não tem emprego, não tem nenhuma base. Vai trabalhar no mercado informal ou arranjar outro meio. Mas as vezes há outras situações que fazem com que parta a criminalidade.

Vocês falam de xenofobia no manifesto. "Se um migrante adentra em uma região, e desrespeita seus costumes, não respeita a diversidade. Pretender modificá-los, moldá-los a si, impôr os próprios, forçar os anfitriões a aceitar a descaracterização, são atos de 'Xenofobia'". Quero que você comente esse trecho do manifesto.
Quem escreveu foi a Fabiana, mas acredito, que ela quis dizer que está sendo forçada a inclusão de uma cultura diferente. Não sei se você vai concordar comigo, mas tem uma característica bem peculiar. É muito diferente da cultura paulista, como a cultura paulista é diferente da cultura carioca. Quando existe qualquer ato de promoção da cultura dos paulistas é visto como preconceito.

O que seria um ato de promoção da cultura paulista, por exemplo?

Por exemplo, existem mais pessoas que vão para a semana cultural nordestina, na Zona Norte, no Cambuci, onde há um centro de cultura nordestina, do que as que foram à passeata em 9 de julho, que é um marco para o Estado.

Então, na sua opinião há uma subvalorização da cultura de São Paulo?

Isso mesmo. Quem é o responsável? O governo e a prefeitura que incentivam isso. O problema é o seguinte: a maior parte do eleitorado que promove eles (políticos) são migrantes.

Especificamente, nordestino?

Sim, basicamente sim.

E, na visão de vocês, eles acabam elegendo representantes de origem nordestina...
Entendeu nosso ponto? O pessoal fala muito de outras culturas, mas qual é a cultura daqui? Ninguém fala.

No manifesto, vocês dizem que São Paulo cresceu sem receber dádivas do Brasil.
Certo.

Vocês dizem: "São Paulo não deve nada ao Brasil, portanto, o usufruto desse trabalho deve ser para o povo paulista".
Por exemplo, São Paulo é o estado que mais arrecada impostos, que mais produz. A gente não recebe nem um terço do que produz. Esse déficit orçamentário no Estado não permite que o governo trabalhe na habitação, na infra-estrutura, no saneamento, na educação e na saúde. A gente é prejudicado. O dinheiro dos impostos, das industrias e do povo de São Paulo é revertido para outros Estados, ao invés de ser aplicado novamente aqui.
Recife, Salvador recebem mais investimentos do Governo Federal do que arrecadam. A capital do Piauí, Teresina, é um exemplo disso. Isso é um absurdo, sendo que a gente tem problemas de transporte público em São Paulo. O transporte público aqui é terrível. Muitos falam que a migração foi responsável pelo avanço, mas São Paulo sempre foi rica. Sempre foi desenvolvida. E foi com a força do trabalho dos migrantes também. Mas não só dos migrantes, mas de todos os paulistas.

No manifesto, vocês dizem que os "migrantes não construíram São Paulo por serem alocados na construção civil. Seja desmentida tal falácia". Você acha que isso é realmente uma falácia?

Essa parte do manifesto não li, mas o entendimento é o seguinte: quem constrói São Paulo não são os pedreiros. São os empresários, os investimentos aplicados na cidade, feitos por paulistas. Falar que outras pessoas construíram a cidade é absurdo. Eles trabalharam, usaram sua força de trabalho. Não significa que construíram São Paulo. Esse prédio que você trabalha, por exemplo, não foi construído por migrantes...por pedreiros. Foi construído pela empresa que investiu, que financiou o projeto. Entendeu o ponto de vista do manifesto? As pessoas dizem: "Ah, os migrantes construíram São Paulo". Construíram com sua força de trabalho, mas se não fossem os investimentos e o dinheiro que gira na cidade, não teriam construído nada.

Vocês têm noção do teor polêmico da causa que defendem?

É muito polêmico. É o que falei para a Fabiana. "Não se pode falar da migração. No Brasil, não se pode falar, porque todos são". Parte do manifesto não apoio. A gente vai estudar uma nova forma de aplicar um manifesto cabível para a realidade e para a necessidade de São Paulo.

Então, o manifesto que está na internet vai ser reformulado?

Vai ser reformulado. Vamos utilizar a influência conquistada com esses meses de trabalho. A gente vai fazer algo oficial agora, que vai ser o Movimento Juventude Paulistana. Vai ter um site e tudo mais.

E qual o objetivo do Movimento Juventude Paulistana?

Levantar esse assunto, mas de forma coerente. A gente vai tentar fazer com que ele seja discutido com a sociedade. Se a sociedade não tiver interesse em discutir a migração, a gente não discute. A gente vive em um país democrático e tem que expressar nosso ponto de vista. Há outros milhares de paulistanos que apoiam nossa ideia. A gente vai tentar levantar isso com a sociedade.

Como?

Como o Greenpeace chama a atenção? Ele faz uma passeata com 100 mil pessoas ou faz um ato que atrai a mídia. O ato. É isso que a gente vai fazer.

Já há algo planejado?

Não posso dizer. A gente vai fazer alguma coisa na ponte estaiada. Uma faixa, uma mobilização que chame a atenção dos principais veículos de comunicação de São Paulo. Se os paulistas não tiverem interessados em debater, a gente não vai debater. Queremos, pelo menos, criar uma oportunidade. Existe uma comunidade de São Paulo no Orkut. E eu levantei o tema. Foi só para fazer uma pesquisa mesmo. Muita gente falou mal, veio apedrejando. Em cada 10 pessoas, dois apoiavam. Se em cada 10 paulistanos, dois apoiarem, a gente vai ter, numa cidade de 10 milhões, 2 milhões. E isso é muita gente. Então, queremos pegar esses jovens, essas pessoas que querem mudar São Paulo, mudar não, pelo menos, melhorar.

Na primeira etapa, vocês querem levantar a discussão sobre a migração, mas o que vem depois?

Depois disso, vamos planejar. Eu entrei agora. Eu decidi falar, porque eles são muito conservadores. Eu disse: "Não seria interessante se vocês falassem agora. Vamos mudar o discurso". Da forma radical que eles estão criando, não vão conseguir apoio de ninguém.

A ideia é abrandar o discurso para conseguir adesão, não impactar tanto?
A gente está utilizando métodos de publicidade, de promoção e de marketing, estudo de teses de algumas pessoas, que a gente está elaborando, para poder montar o movimento. A gente quer fazer algo que conquiste o maior número de pessoas possível.Estamos conseguindo adesão de algumas pessoas com influência. A gente tem o presidente de um centro acadêmico de um curso na USP.

Qual curso?

Ele não me deu autorização para falar.

Mas vocês querem manter o anonimato?

Ele quer.

Não faz muito sentido. Se vocês querem dar visibilidade ao tema, soa incoerente.
Ele está representando a comunidade japonesa. É descendente. E tem outras pessoas que trabalham com ele. Eu, do Centro Acadêmico da UNIP, outros de outras instituições. Anhembi-Morumbi... A gente está pegando pessoal da UNINOVE também, da Barra Funda. É um movimento de universitários.

Quantas adesões vocês já tiveram. As pessoas que se agregaram através da internet se encontram?

Todos as mais de 600 adesões (assinaturas na petição virtual) foram muito comprometidas e decididas, se possível, a apoiar. As pessoas que assinaram realmente têm interesse em participar e sempre geram soluções e ideias para que a gente possa melhorar o nosso plano. A gente tem 600 jovens que, a qualquer momento, se estiverem disponíveis, vão participar. Tem uma menina que veio de Campos do Jordão para conhecer a gente. Ainda mais agora. A gente tem 100 pessoas na cidade de São Paulo, que assinaram o manifesto, que estão dispostas a conversar, a entrar na reunião. E temos mais 600 pessoas do movimento separatista.

Onde vocês pretendem chegar?

Nossa meta é que isso seja discutido na Assembleia Legislativa, na Câmara Municipal. A gente quer que seja implantada algum tipo de política que possa administrar isso (migração). Que fale: "vocês não têm qualificação, então, vão fazer um curso de qualificação e ser alocados para outras áreas do Estado que oferecem mais oportunidades. As pessoas que vivem em São Paulo e querem, mas não têm condições de voltar para a terra de onde fugiram... A cidade gerar essa oportunidade para elas. O pouco que a gente conquistar para uma cidade como São Paulo vai ser bastante.


FONTE: Futura Press

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dissidentes libertados dizem não ver abertura em Cuba

Os ex-prisioneiros políticos cubanos que chegaram nesta semana à Espanha afirmaram em entrevista à BBC que sua libertação não é um sinal de mudança nas condições políticas do país.

Nove dissidentes chegaram na terça-feira em Madri, após um acordo fechado na semana passada entre o governo cubano, a Igreja Católica de Cuba e diplomatas espanhóis, que prevê a libertação gradual de 52 prisioneiros.

Normando Hernandez, um dos ex-prisioneiros, afirmou que os motivos do governo de Cuba precisam ser compreendidos.

"Cuba não está se abrindo para a democracia", disse.

"Pessoalmente, acredito que é um truque do governo de Cuba. As necessidades econômicas da ilha são enormes. A situação social é crítica."

"Por isso é que é importante chamar a atenção das comunidades internacionais para este aspecto do governo cubano, para que eles não sejam enganados novamente", disse Hernandez à BBC em Madri.

Hernandez foi preso em 2003, supostamente por organizar uma universidade independente de jornalismo em Cuba.

O dissidente disse à BBC que sua saúde foi muito prejudicada pela alimentação e pelas condições sanitárias ruins a que esteve submetido durante seus sete anos de prisão.

Futuro

Os exilados cubanos agora vivem em acomodações temporárias, nos arredores da capital espanhola.

Muitos deles estão acompanhados das esposas depois de sete anos de separação, mas, segundo Hernandez, o futuro dos refugiados é incerto.

Alguns dos ex-prisioneiros acreditam que não será fácil encontrar emprego no país.

Outros falam em tentar se mudar para os Estados Unidos. Todos afirmam que prefeririam voltar à Cuba.



Fonte: www.oglobo.com

segunda-feira, 12 de julho de 2010

EUA mudam foco para empregador no combate à imigração ilegal

CHICAGO (Reuters) - O governo dos Estados Unidos está adotando uma nova abordagem para controlar trabalhadores ilegais, examinando calmamente os registros de milhares de empresas suspeitas de contratar imigrantes sem documentos ao invés de realizar as chamativas batidas nos locais de trabalho.

Uma reportagem do jornal The New York Times disse neste sábado que o governo de Barack Obama conduziu tais exames em mais de 2.900 empresas até agora - um número que seria bem maior que a quantidade de empresas afetadas pelas patrulhas de imigração em fábricas e fazendas durante os oito anos de governo do predecessor republicano de Obama, George W. Bush.

A agência responsável por investigar casos de imigração ilegal (a ICE, pela sigla em inglês) já impôs 3 milhões de dólares em multas a empresas infratoras.

Segundo o jornal, o governo obriga as empresas a demitir todo imigrante ilegal descoberto em suas folhas de pagamento - não apenas aqueles trabalhando durante o exame - e torna mais difícil para as empresas substituir os funcionários demitidos com outros trabalhadores desautorizados.

O NYT disse, porém, que a maioria dos trabalhadores descobertos pela investigação não estão sendo deportados ao perderem o emprego, e que o governo não tem feito mais acusações criminais a imigrantes ilegais de ficha limpa.

O diretor da agência, John Morton, disse ao jornal que a proposta dos exames é criar "uma cultura de consentimento" em que os empregadores verificariam de forma rotineira a situação legal de seus trabalhadores. Ele disse que a agência está mais interessada em encontrar grandes empregadores de ilegais.

Com eleições ao Congresso norte-americano em novembro, a imigração ilegal se tornou uma preocupação crescente. Tradicionalmente, os hispânicos tendem a votar pelos democratas, mas o Partido Republicano vem ganhando espaço entre eles.

O Departamento de Justiça dos EUA entrou com processo nesta semana contra o Estado do Arizona, por causa de uma nova lei estadual que exige que a polícia comum (e não a polícia federal especializada em imigração) investigue a situação de imigração de qualquer um minimamente suspeito de ser imigrante ilegal.


(Reportagem de James B. Kelleher)

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/07/10/eua-mudam-foco-para-empregador-no-combate-imigracao-ilegal-917118579.asp

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Itália é acusada de deixar Líbia maltratar refugiados

Por Silvia Aloisi

ROMA (Reuters) - A oposição italiana acusou nesta terça-feira o governo de fazer vista grossa ao destino de 245 refugiados da Eritreia devolvidos ao mar por patrulhas italianas e agora detidos na Líbia sob "condições desumanas."

Grupos de direitos humanos pediram ao governo italiano que ofereça asilo aos cidadãos da Eritreia, alegando que muitos foram maltratados durante sua detenção.

Desde o ano passado, entrou em vigor um acordo pelo qual a Itália deve deportar para a Líbia os imigrantes interceptados no mar.

"O que acontece com esses cidadãos eritreus é vergonhoso", disse Paolo Ferrero, do partido Refundação Comunista. "É o enésimo exemplo de como o governo está efetivamente negando o direito ao asilo."

Por iniciativa dos partidos de oposição, o governo deverá ir na quarta-feira ao Parlamento se explicar.

Em carta aberta divulgada nesta terça-feira, o comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Thomas Hammarberg, disse ter recebido relatos de que os migrantes são objeto de violência da polícia militar líbia, deixando muito deles gravemente feridos.

Hammarberg pediu aos ministérios de Interior e Relações Exteriores da Itália que esclareçam com urgência a situação com as autoridades líbias.

Os dois ministros disseram em carta conjunta ao jornal Il Foglio que Roma interveio junto à Líbia para identificar os eritreus e tentar encontrar emprego para eles na Líbia, de modo que não sejam repatriados à força.

Mas os ministros ressaltaram que é necessário respeitar a soberania líbia, e defenderam que a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras organizações internacionais também se envolvam no problema.


Fonte: oglobo.com