segunda-feira, 7 de junho de 2010

FRONTEIRAS FECHADAS

06 de junho de 2010

A lei anti-imigração que divide os americanos.

Críticos afirmam que iniciativa do Estado do Arizona promove o racismo, mas maioria a aprova.

Em meio a protestos contra a mais repressiva lei estadual anti-imigração dos EUA, o presidente americano, Barack Obama, e a governadora do Estado do Arizona, Jan Brewer, se reuniram na última quinta-feira em Washington para discutir o delicado tema. O Arizona, um dos quatro Estados americanos que fazem fronteira com o México, tornou-se nos últimos anos um dos principais pontos de entrada de imigrantes ilegais vindos desse país. Hoje, abriga estimados 460 mil ilegais.

Jan sancionou em 23 de abril uma lei que permite à polícia comum checar – enquanto estiver investigando um crime – a situação legal de qualquer pessoa se houver uma suspeita “razoável’’ de que ela esteja ilegalmente no país. A medida vem gerando protestos e boicotes dentro e fora do país – os opositores da lei, criticada por Obama e por diversas organizações de defesa dos direitos civis, afirmam que a medida promove o racismo e a discriminação com base na aparência das pessoas.

No entanto, a maioria da população dos EUA apoia a aprovação da lei, segundo várias pesquisas. Dos 994 americanos consultados pelo Centro de Estudos Pew em maio, 73% disseram ser favoráveis a que a polícia possa exigir que qualquer pessoa mostre seus documentos migratórios, enquanto 23% afirmaram ser contra.

A governadora alega que a legislação é necessária para fortalecer o controle da fronteira com o México, devido à ausência de uma política clara americana no tema da imigração, lacuna que Obama quer corrigir com a aprovação de uma reforma migratória. Na reunião da semana passada, o presidente reiterou sua preocupação com a lei do Arizona. Segundo ele, caberá ao Departamento de Justiça avaliar o pedido de derrubada dessa legislação, feito por parlamentares. Caso contrário, ela entrará em vigor em 29 de julho.

Outra decisão importante do encontro foi o compromisso de Obama de enviar uma grande quantidade de militares ao Estado e de retomar a construção de uma cerca entre EUA e México, que havia sido iniciada no governo de George W. Bush. Na opinião da americana Sherri McCarthy, 52 anos, PhD em Psicologia e professora da Northern Arizona University, no campus de Yuma, a 25 quilômetros da fronteira com o México, essas são duas medidas que vão incrementar a economia estadual:

– Dificuldades econômicas são o motivo por trás da assinatura dessa lei. E parece que foi um sucesso, já que a governadora teve um encontro com Obama e conseguiu bons resultados – pondera Sherri, que já trabalhou na UFRGS (confira entrevista à direita).

A fronteira com o México, aliás, já foi um grande gerador de riquezas para o Arizona, lembra Sherri:

– Antes do 11 de Setembro, o Arizona tinha uma fronteira livre, e muitos moravam no México e estudavam ou trabalhavam nos EUA e vice-versa. Gradativamente, no governo Bush, ficou cada vez mais difícil de cruzar a fronteira, e isso foi muito ruim para a economia do Arizona. Muitos perderam seus empregos – comenta.


LAURA SCHENKEL (laura.schenkel@zerohora.com.br)

Reação contrária

Confira alguns argumentos dos opositores à nova legislação:

- As novas normas, além de criminalizar imigrantes, ainda permitem, entre outros pontos, que os policiais, ao abordarem os suspeitos por algum outro motivo, peçam para ver os documentos de imigração.

- O presidente americano, Barack Obama, classificou a medida de “desvirtuada” e “irresponsável”. Orientou membros de sua equipe a monitorar de perto a lei para “examinar eventuais violações dos direitos civis e outras implicações”.
- O democrata Phil Gordon, prefeito de Phoenix, capital do Arizona, diz que a lei é “ruim” e “discriminatória” – e que não reflete a vontade dos moradores do Estado.

- Um abaixo-assinado online (http://bit.ly/aYSiIQ), organizado pela Care2, alerta que os policiais vão abordar as pessoas com base na sua aparência, o que seria altamente discriminatório. A entidade prega que as pessoas não viajem ao Arizona, não fechem negócios e não marquem eventos nesse Estado até que a lei seja revogada.



Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2927671.xml&template=3898.dwt&edition=14832§ion=1014

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