Saskia Sassen afirma que sonho americano se tornou espaço de perseguições
Dayanne Mikevis, do R7
A pesquisadora Saskia Sassen, professora de sociologia da Columbia University e da London School of Economics, acredita que o espaço de oportunidades que era visto por imigrantes em países como os Estados Unidos tem se transformado gradativamente em um de perseguição. Saskia, atualmente uma das maiores estudiosas dos efeitos da globalização, esteve no Brasil na semana passada para uma palestra no Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo).
- Há a construção de um novo espaço de imigração, de um espaço que era de oportunidades para um de perseguição.
Saskia mostrou que o orçamento dos EUA com a patrulha de fronteiras subiu de R$ 273,2 mil (US$ 151 mil) em 1986 para R$ 14,2 bilhões (US$ 7,9 bilhões) em 2008. Os homens encarregados do trabalho eram 3.700 na primeira data e foram para 18 mil na segunda.
O tempo de vigilância por trecho de fronteira subiu de 24 minutos para 201 no período. E o orçamento do Serviço de Naturalização e Imigração dos EUA (INS) aumentou de R$ 8,5 bilhões (US$ 4,7 bilhões) para R$ 63,3 bilhões (US$ 35 bilhões), de acordo com os dados apresentados pela pesquisadora.
Saskia ressaltou que os imigrantes são muito importantes para a economia local. Ela vê como equivocados os argumentos de que eles não fazem girar no país o dinheiro que ganham porque enviam remessas. A pesquisadora mostrou que, em volume, muitos países desenvolvidos são grande recebedores de remessas, caso de França (4º), Espanha (6º), Bélgica (7º), Alemanha (8º), e Reino Unido (9º).
O Brasil fica em 13º lugar, e os Estados Unidos aparecem entre os 20 primeiros, na 19º posição. A lista é encabeçada por Índia, China e México, respectivamente.
As regiões que abrigam os imigrantes que mais enviam dinheiro tampouco são aquelas que mais debatem a questão da imigração. Sassia apresentou dados mostrando que o Oriente Médio e a África do Norte são os campeões nesse quesito, seguidos pelo sul da Ásia.
Ato Patriótico abriu precedente para a lei do Arizona
Saskia ainda afirmou que o Ato Patriótico (Patriot Act), estabelecido pelos EUA após os atentados que atingiram o país no 11 de Setembro, abriu uma brecha legal para que os Estados fizessem sua legislação em relação a assuntos migratórios.
Da data até 2007, foram 204 leis e 1.700 outras normas sobre o tema em foros legislativos estaduais. Além disso, 23 Estados colaboram com o governo em prisões destinadas aos imigrantes.
Saskia ainda lembrou a controversa lei do Estado do Arizona, que autoriza a polícia a abordar qualquer um que considere suspeito de ser ilegal. O texto, que entra em vigor em julho, teve rejeição até mesmo do presidente dos EUA, Barack Obama, que declarou que o país precisa de uma reforma migratória profunda.
A principal crítica da lei, que vai criminalizar a imigração ilegal a partir de 29 de julho, é a de que ela pode estimular comportamentos baseados na raça.
Colaborou Clarissa Machado, estagiária do R7
Fonte: Record News
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