ESTOCOLMO - A ascensão histórica da extrema direita nas eleições parlamentares suecas é uma "resposta clara de rejeição às políticas de imigração do país", tradicionalmente tolerante aos estrangeiros, afirmou nesta segunda-feira à CNN o líder do partido Democratas da Suécia. Segundo Jimmie Akesson, 31 anos, o resultado é parte de uma onda de vitórias de partidos anti-imigração na Europa como um todo.
- Toda a Europa enfrenta grandes problemas por causa da imigração em massa e, claro, as pessoas estão se tornando mais e mais frustradas em vários países. Isso se confirma pelos resultados das eleições deste fim de semana - disse Akesson à rede de TV americana CNN.
Pela primeira vez na história da Suécia, um partido de extrema-direita da Suécia conquistou vagas no Parlamento - fazendo o bloco de centro-direita perder sua tradicional maioria . Os Democratas da Suécia elegeram 20 parlamentares e agora serão os fiéis da balança na política do país.
- Nós temos agora uma plataforma para a nossa ideologia, e isso é muito importante porque nós sabemos que temos uma grande oportunidade para conseguir ainda mais adeptos - disse Akesson, que nega que o partido defenda posições racistas.
A Suécia é um dos países da União Europeia que mais recebe imigrantes refugiados. Os imigrantes já representariam 14% da população do país.
Os jornais suecos viram a eleição como uma dramática guinada no país.
"É manhã de segunda-feira, e chega a hora de os suecos encontrarem uma nova imagem própria", escreveu o jornal Svenska Dagbladet. "Um governo de centro-direita sem maioria, uma Social Democracia destroçada, e um partido com raízes no extremismo de ultradireita detendo o equilíbrio do poder."
Já os investidores reagiram com tranquilidade ao impasse político, animados pelo fato de que o primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt permanecerá no cargo e que as finanças públicas estão em ordem.
O primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, disse que sua coalizão não buscará uma aliança com a extrema-direita, cujas propostas foram qualificadas de racistas pelos adversários.
- Eu fui bem claro sobre como vamos lidar com esta situação incerta. Nós não vamos cooperar ou depender dos Democratas Suecos - disse o premier.
O primeiro-ministro havia dito que, em caso de resultado inconclusivo, ele aceitaria formar um governo minoritário, mas preferiria atrair o Partido Verde (centro-esquerda) para a coalizão. No entanto, os Verdes anunciaram nesta segunda-feira que não vão integrar o governo de centro-direita.
FONTE: oglobo
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