SÃO PAULO, Brasil, 14 de julho (ACNUR) - Um processo histórico de
miscigenação derivado de fluxos migratórios criou uma diversidade
cultural no Brasil que facilita a integração de estrangeiros no país. Um
bom exemplo desta integração são os refugiados angolanos Bantu Tabasisa
e Tandu, que participam desde a semana passada no evento “Revelando
São Paulo”, mostrando sua arte de inspiração africana para um
público estimado em um milhão de pessoas.
Tandu chegou em 2001, por não concordar com o alistamento militar
obrigatório em Angola, e Bantu deixou sua terra natal há 17 anos, por
causa do conflito interno que afetava seu país. Ambos foram convidados
a participar do “Revelando São Paulo”, que busca reunir e celebrar a
diversidade cultural e artística do mais importante estado brasileiro. O
evento é um grande encontro da cultura paulista, reunindo manifestações
artísticas de 200 municípios do estado.
Para o diretor artístico do “Revelando São Paulo”, Toninho Macedo,
a participação de Tandu e Bantu no evento é uma prova de que São Paulo é
uma cidade de oportunidades, capaz de acolher e integrar aqueles que
nela chegam para começar uma nova vida. “Muito do que está sendo
exibido aqui no festival é uma herança da cultura africana”, comenta o
diretor.
Bantu e Tandu expõem seus trabalhos em um stand organizado pelo Alto
Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e pela Cáritas
Arquidiocesana de São Paulo, que é parceria da agência no projeto de
assistência e proteção a refugiados na cidade. Embora já trabalhassem
com arte na Angola, recomeçar em outro país não foi fácil. Eles tiveram
dificuldades financeiras para se manter em São Paulo e para exercer suas
atividades artísticas. Ambos foram apoiados pela Cáritas e pelo ACNUR e,
graças ao seu esforço individual, conseguiram vencer as dificuldades.
FONTE: ACNUR
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