sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Exército resgata presidente do Equador de hospital

Soldados e policiais de elite no Equador resgataram o presidente Rafael Correa de um hospital em Quito, a capital do país, onde foi mantido contra sua vontade durante várias horas por policiais dissidentes.

Correa foi resgatado após troca de tiros entre os soldados e os policiais que participavam do cerco ao presidente.

Momentos depois, ele apareceu no balcão do palácio presidencial em Quito e discursou para milhares de simpatizantes.

"Sem dúvida este foi o dia mais triste de meu governo... por causa da infâmia dos conspiradores de sempre", disse ele. "Nos fizeram retroceder séculos".

A Cruz Vermelha do Equador disse que duas pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas nos incidentes de quinta-feira, que começaram com manifestações de policiais e militares insatisfeitos com uma nova lei que afeta os rendimentos da categoria.

Correa e seus correligionários classificaram a revolta como uma tentativa de golpe de Estado.

Violência

Correa: 'nos fizeram retroceder séculos'

Os protestos começaram quando centenas de policiais foram às ruas do país e tomaram vários quartéis, entre eles o maior de Quito, protestando contra um decreto ratificado pelo Congresso Nacional que acaba com os bônus de oficias de polícia e das Forças Armadas.

Eles também ocuparam, por várias horas, o aeroporto internacional da cidade. De Guayaquil, a maior cidade do país, vieram notícias de saques e assaltos a banco. Escolas e lojas foram fechadas.

As ações policiais levaram o governo a declarar estado de exceção.

Em uma declaração publicada no site da Presidência, Correa comentou as manifestações e disse que "faz algum tempo" que grupos de policiais "vêm buscando um golpe de Estado porque não conseguem ganhar nas urnas, e há companheiros nossos que não entendem o que é ter uma missão política".

Na tarde de quinta-feira, o canal estatal Ecuador TV afirmou que suas instalações foram invadidas por policiais que exigiam expor seus pontos de vista.

A organização que representa os órgão de imprensa do Equador, a Fundamedios, diz ter registrado 14 episódios de agressão contra jornalistas desde o início dos tumultos.

O governo determinou que todas as estações de rádio e TV suspendessem suas programações e passassem a transmitir o sinal emitido pelos veículos estatais de forma "indefinida e ininterrupta, até segunda ordem".

Pedradas

Forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar conter os manifestantes no maior quartel militar de Quito. Ao chegar ao local, Correa foi recebido pelos policiais rebelados com ofensas e pedradas.

"Não daremos um passo atrás, se querem tomar os quartéis, se querem deixar os cidadãos indefesos e se querem trair sua missão de policiais, façam isso", afirmou Correa, diante de centenas de policiais.

"Senhores, se querem matar o presidente, aqui estou, matem-me se quiserem, matem se têm poder, matem se têm coragem, em vez de se esconderem entre a multidão", gritou o presidente, visivelmente irritado com a situação.

Uma bomba de gás lacrimogêneo explodiu a poucos metros do presidente, que foi rapidamente retirado do local por seus guarda-costas e levado para o hospital.

Mais tarde, em uma entrevista a uma rádio, Correa contou que "policiais rebelados estão tentando entrar no meu quarto, pelo teto". "Se algo acontecer comigo, a culpa é deles", disse ele.

"Gostaria de dizer apenas que meu amor pelos equatorianos é infinito e seja onde estiver eu sempre amarei minha família. Sabia dos riscos e valia a pena, então não se preocupem", afirmou Correa.

Vizinhos

Convocados por membros do gabinete de Correa, simpatizantes se dirigiram ao hospital "para resgatar o presidente", dizendo que havia "gente tentando entrar pelo teto para tirá-lo dali".

No caminho, estes entraram em choque com policiais rebelados.

A imprensa local afirma que os protestos tiveram adesão de militares e policiais na cidade de Guayaquil, reduto da oposição a Rafael Correa, e em outras cidades. Em Quito, as principais vias de acesso à cidade foram fechadas.

A crise no país deixou os vizinhos em alerta. Os governos do Peru e da Colômbia fecharam a fronteira com o Equador e a companhia aérea chilena LanChile cancelou todos voos para cidades equatorianas.

Em entrevista ao canal de TV Telesur, o presidente venezuelano Hugo Chávez, disse ter conversado por telefone com Correa, um dos maiores aliados na região.

Chávez disse que Correa havia sido "sequestrado". "Neste momento, o presidente corre risco de vida. Ele não vai ceder, está disposto a morrer", afirmou.

Divisões

Há sinais de divisão entre os militares. O Chefe do Comando das Forças Armadas do Equador, Ernesto González, pediu o fim do levante e disse estar subordinado ao presidente. "Vivemos em um Estado de direito e estamos subordinados a mais alta autoridade, que é o presidente da República. Vamos acatar tudo o que o governo decidir."

Diante da crise, Correa poderá dissolver o Congresso, nas próximas horas, utilizando um mecanismo legal chamado "morte cruzada" que permite o fechamento do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas para Presidente e para o Parlamento.

O vice-chanceler equatoriano, Quinto Luccas, disse ter alertado os governos da região - em especial Brasil, Venezuela e Argentina - sobre a crise política no país, pedindo ações em defesa da ordem constitucional.

"Não estamos pedindo a defesa do governo e sim da democracia equatoriana", afirmou Luccas.

Essa é a primeira grande crise institucional que Rafael Correa enfrenta desde que assumiu o poder, em 2007, e deu início à chamada "Revolução Cidadã" no país.

Condecorações

Os policiais recebiam condecorações a cada cinco anos, o que significava um aumento salarial, além de bônus anuais. O decreto elimina esses benefícios.

Entretanto, Miguel Carvajal, ministro de Segurança, disse que o decreto não afeta os salários dos policiais, ao explicar que os bônus antes recebidos a cada cinco anos passaram a ser nivelados e incorporados ao pagamento dos oficiais.

A seu ver, a crise está sendo gerada por uma campanha de "desinformação" que busca "utilizar" os policiais para obter fins políticos.

"Isso é uma campanha de desinformação. Há que se perguntar quem são os que têm interesse em desinformar", disse Carvajal. "Policiais, não se deixem manipular", acrescentou.

De Porto Príncipe, onde realiza visita oficial, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, telefonou para o chanceler equatoriano para expressar "total apoio e solidariedade do Brasil ao presidente Rafael Correa e às instituições democráticas equatorianas".


FONTE: BBC Brasil

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Equipe da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo vai investigar denúncia de bullying contra alunos imigrantes da Bolívia

RIO - A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo disse, em nota oficial, que vai investigar a denúncia de bullying contra alunos imigrantes da Bolívia na escola estadual Padre Anchieta, no Brás, região central de São Paulo. Segundo a reportagem do jornal Folha de S.Paulo, os bolivianos teriam que pagar um "pedágio" aos brasileiros para não apanhar. A escola está localizada no bairro de São Paulo em que vivem milhares de imigrantes bolivianos. Muitos deles trabalham em confecções da região.

De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, uma comissão de supervisores foi enviada para investigar se houve omissão da direção da escola Padre Anchieta e poderá exonerar a diretora do cargo se o problema for confirmado.

Alunos e professores da escola afirmam que as agressões ocorrem pelo menos desde 2008. A escola tem 2.421 alunos nos ensinos fundamental e médio. Segundo a direção, metade é de imigrantes ou filhos de estrangeiros. Além de bolivianos, que são a maioria, há paraguaios, peruanos, chineses, coreanos, angolanos e nigerianos.

Para evitar agressões a Secretaria de Educação criou a figura do mediador que trabalha dentro da escola e junto com a sociedade para diminuir e erradicar o vandalismo a discriminação e a violência do espaço de aprendizado.


FONTE: OGLOBO

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Israel permite entrada de 20 carros na Faixa de Gaza depois de três anos

Pela primeira vez desde o bloqueio que impôs à Faixa de Gaza em 2007, Israel permitiu, nesta segunda-feira, a entrada de vinte carros encomendados por palestinos da região.

A medida faz parte do relaxamento parcial do bloqueio, implementado pelas autoridades israelenses nos últimos meses, desde a onda de protestos internacionais gerada pelo ataque à flotilha turca em maio.

Vinte veículos, alguns novos e outros usados, entraram na Faixa de Gaza, pelo ponto de checagem de Kerem Shalom, na manhã desta segunda-feira.

Parte dos carros servirá como táxis, depois que nos últimos três anos, por falta de veículos, a população passou a usar charretes movidas por burros ou cavalos ou carroças atreladas a motocicletas como meios de transporte.

Nesses anos, os únicos veículos que os palestinos conseguiram importar para a Faixa de Gaza foram desmontados e levados por intermédio de túneis escavados entre a cidade de Rafah, no sul da região, e o território egípcio.

Materiais de construção

Na semana passada, o governo israelense também anunciou a passagem de 250 toneladas de materiais de construção para reconstruir o sistema de esgotos no bairro de Sheikh Ajlin, no centro da Faixa de Gaza.

No entanto, segundo a ONG de direitos humanos israelense Gisha (Acesso, em tradução livre), o bloqueio israelense à Faixa de Gaza continua sendo significativo e o relaxamento "é muito pequeno em relação às necessidades da população".

De acordo com a Gisha, apesar do relaxamento do bloqueio pelas autoridades israelenses, a quantidade de mercadorias cuja passagem para Gaza é permitida significa menos de 30% das necessidades da população, e o volume de combustível que entra na região é cerca de um quarto das necessidades.

A Agência de Refugiados das Nações Unidas, UNRWA, rejeitou 40 mil alunos que queriam estudar em suas escolas, por falta de salas de aula.

Segundo a agência, faltam cem escolas na Faixa de Gaza, e para construí-las, é necessária uma grande quantidade de materiais de construção cuja entrada Israel não permite.

Razões de segurança

O nível das escolas da ONU é considerado melhor do que as escolas da Autoridade Palestina, controladas pelo governo do Hamas desde que o grupo tomou à força o controle da Faixa de Gaza em junho de 2007.

Nas escolas de Gaza, a falta de salas de aula é tão grande que os alunos estudam em dois turnos, em média 50 alunos em cada classe.

Várias escolas utilizam contêineres como salas de aula e três alunos, em vez de dois, sentam em cada banco.

O governo israelense afirma que a proibição à entrada de materiais de construção na Faixa de Gaza decorre de razões de segurança, pois, segundo porta-vozes oficiais, o Hamas poderia utilizar os materiais para fins militares.

Segundo vários analistas locais, o principal objetivo do bloqueio é abalar a força politica do Hamas, piorando as condições de vida da população.

No entanto, depois de três anos de bloqueio quase hermético, aparentemente esse objetivo não foi alcançado e não houve um levante da população de Gaza contra o governo do Hamas.


FONTE: BBC Brasil

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ascensão da extrema direita na Suécia é 'clara rejeição' às políticas de imigração do governo

ESTOCOLMO - A ascensão histórica da extrema direita nas eleições parlamentares suecas é uma "resposta clara de rejeição às políticas de imigração do país", tradicionalmente tolerante aos estrangeiros, afirmou nesta segunda-feira à CNN o líder do partido Democratas da Suécia. Segundo Jimmie Akesson, 31 anos, o resultado é parte de uma onda de vitórias de partidos anti-imigração na Europa como um todo.

- Toda a Europa enfrenta grandes problemas por causa da imigração em massa e, claro, as pessoas estão se tornando mais e mais frustradas em vários países. Isso se confirma pelos resultados das eleições deste fim de semana - disse Akesson à rede de TV americana CNN.

Pela primeira vez na história da Suécia, um partido de extrema-direita da Suécia conquistou vagas no Parlamento - fazendo o bloco de centro-direita perder sua tradicional maioria . Os Democratas da Suécia elegeram 20 parlamentares e agora serão os fiéis da balança na política do país.

- Nós temos agora uma plataforma para a nossa ideologia, e isso é muito importante porque nós sabemos que temos uma grande oportunidade para conseguir ainda mais adeptos - disse Akesson, que nega que o partido defenda posições racistas.

A Suécia é um dos países da União Europeia que mais recebe imigrantes refugiados. Os imigrantes já representariam 14% da população do país.

Os jornais suecos viram a eleição como uma dramática guinada no país.

"É manhã de segunda-feira, e chega a hora de os suecos encontrarem uma nova imagem própria", escreveu o jornal Svenska Dagbladet. "Um governo de centro-direita sem maioria, uma Social Democracia destroçada, e um partido com raízes no extremismo de ultradireita detendo o equilíbrio do poder."

Já os investidores reagiram com tranquilidade ao impasse político, animados pelo fato de que o primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt permanecerá no cargo e que as finanças públicas estão em ordem.

O primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, disse que sua coalizão não buscará uma aliança com a extrema-direita, cujas propostas foram qualificadas de racistas pelos adversários.

- Eu fui bem claro sobre como vamos lidar com esta situação incerta. Nós não vamos cooperar ou depender dos Democratas Suecos - disse o premier.

O primeiro-ministro havia dito que, em caso de resultado inconclusivo, ele aceitaria formar um governo minoritário, mas preferiria atrair o Partido Verde (centro-esquerda) para a coalizão. No entanto, os Verdes anunciaram nesta segunda-feira que não vão integrar o governo de centro-direita.


FONTE: oglobo

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Universidade federal abre vestibular exclusivo para refugiados

Responsável por organizar o primeiro vestibular específico para refugiados do país, em 2009, a UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), no interior de São Paulo, acaba de abrir as inscrições para o processo seletivo para ingresso de refugiados nos cursos de graduação em 2011.

Até o próximo dia 27 de setembro, os interessados devem encaminhar à Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad) uma carta de manifestação de interesse, mencionando o curso pretendido. Também devem apresentar documentação comprobatória de conclusão de estudos equivalentes ao Ensino Médio (acompanhada de parecer de equivalência emitido por Secretaria de Estado de Educação, caso os estudos tenham sido realizados fora do Brasil) e documento expedido pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) que comprove sua situação de refugiado.

Até o dia 13 de outubro será divulgada a relação dos candidatos convocados para as avaliações. A lista de candidatos aprovados será divulgada no dia 15 de fevereiro de 2011.

A UFSCAR é uma das universidades brasileiras que integram a Cátedra Sérgio Vieira de Melo (CSVM), que foi implementada pelo ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) na América Latina em 2003 e busca difundir o direito internacional humanitário, os direitos humanos e o direito dos refugiados, promovendo também a formação acadêmica e a capacitação de professores e estudantes nesses temas.

A cátedra é uma homenagem ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto no Iraque naquele mesmo ano e que dedicou grande parte da sua carreira profissional nas Nações Unidas ao trabalho com refugiados, como funcionário do ACNUR. Em 2004, o projeto foi reformulado com o objetivo de incorporar atividades de caráter comunitário, como a assistência aos refugiados e a desburocratização do acesso ao ensino superior.

O processo seletivo para refugiados da UFSCAR e está inserido neste marco e faz parte do seu Programa de Ações Afirmativas. Desde 2009, a universidade reserva pelo menos uma vaga para refugiados em todos os cursos oferecidos. Atualmente, cinco refugiados estão na UFSCAR, beneficiados por esta iniciativa.

O programa também se propõe a assegurar a continuação dos estudantes refugiados por meio da disponibilização de um tutor que fomenta a continuidade dos estudos, ajudando os refugiados a lidar com eventuais dificuldades de integração na comunidade acadêmica e intermediando entre os estudantes e a instituição. A Universidade oferece, quando necessário, apoio para moradia e alimentação, além de uma ajuda financeira para atividades desenvolvidas na universidade.



FONTE: OPERA MUNDI

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Silvio Berlusconi sai em defesa de Sarkozy na polêmica em torno da expulsão de ciganos

PARIS - Nicolas Sarkozy ganhou um aliado de peso no mais novo capítulo da briga entre a União Europeia (UE) e a França em torno da expulsão de ciganos do país: Silvio Berlusconi. Em entrevista ao "Le Fígaro", o primeiro-ministro italiano saiu em defesa do líder francês e criticou as declarações da Comissária de Justiça da UE, Viviane Reding , que disse que as deportações de membros da comunidade Roma eram "uma vergonha", algo que ela "achava que a Europa não voltaria a ver depois da Segunda Guerra Mundial".

Segundo Berlusconi, a convergência com a França é essencial para levar a Europa a discutir os problemas da imigração ilegal. Ele também disse que as críticas da comissária europeia deveriam ter sido feitas em caráter privado, diretamente com os dirigentes franceses, e não publicamente.

"Esta questão dos romenos não é a única que se coloca à Europa", disse Berlusconi, deixando claro, no entanto, que esta é uma preocupação de todos os países da região. "Esperamos que a convergência franco-italiana ajude a agitar a Europa e a enfrentar o problema a partir de políticas comuns", salientou ao garantir uma relação de proximidade com o presidente francês.

Sarkozy sugere que comissária da UE receba ciganos em seu país
Irritado com a repercussão que polêmica medida vem tomando, Nicolas Sarkozy subiu o tom, nesta quarta-feira, e sugeriu que Viviane Reding, recebesse em Luxemburgo - seu país - os deportados que ela defende. Segundo o jornal "El País", Sarkozy teria feito o comentário durante um almoço com senadores de seu partido.

O governo da França acusa o órgão executivo da UE de extrapolar nas críticas. A medida já levou à deportação de 8 mil ciganos este ano, ameaçando adotar medidas legais contra o país.

- Há um limite para a minha paciência - disse o ministro francês de Assuntos Europeus, Pierre Lellouche.

Autoridades francesas já associaram a presença de ciganos à criminalidade no país, justificando assim a expulsão de milhares deles, a maioria deportada para Bulgária e Romênia. O governo da França classifica sua política como um programa de retorno voluntário. Cerca de 15 mil ciganos vivem no país, de acordo com o grupo Romeurope. Não há dados oficiais.


FONTE: oglobo

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Refugiados angolanos mostram sua arte no evento Revelando São Paulo

SÃO PAULO, Brasil, 14 de julho (ACNUR) - Um processo histórico de
miscigenação derivado de fluxos migratórios criou uma diversidade
cultural no Brasil que facilita a integração de estrangeiros no país. Um
bom exemplo desta integração são os refugiados angolanos Bantu Tabasisa
e Tandu, que participam desde a semana passada no evento “Revelando
São Paulo”, mostrando sua arte de inspiração africana para um
público estimado em um milhão de pessoas.

Tandu chegou em 2001, por não concordar com o alistamento militar
obrigatório em Angola, e Bantu deixou sua terra natal há 17 anos, por
causa do conflito interno que afetava seu país. Ambos foram convidados
a participar do “Revelando São Paulo”, que busca reunir e celebrar a
diversidade cultural e artística do mais importante estado brasileiro. O
evento é um grande encontro da cultura paulista, reunindo manifestações
artísticas de 200 municípios do estado.

Para o diretor artístico do “Revelando São Paulo”, Toninho Macedo,
a participação de Tandu e Bantu no evento é uma prova de que São Paulo é
uma cidade de oportunidades, capaz de acolher e integrar aqueles que
nela chegam para começar uma nova vida. “Muito do que está sendo
exibido aqui no festival é uma herança da cultura africana”, comenta o
diretor.

Bantu e Tandu expõem seus trabalhos em um stand organizado pelo Alto
Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e pela Cáritas
Arquidiocesana de São Paulo, que é parceria da agência no projeto de
assistência e proteção a refugiados na cidade. Embora já trabalhassem
com arte na Angola, recomeçar em outro país não foi fácil. Eles tiveram
dificuldades financeiras para se manter em São Paulo e para exercer suas
atividades artísticas. Ambos foram apoiados pela Cáritas e pelo ACNUR e,
graças ao seu esforço individual, conseguiram vencer as dificuldades.


FONTE: ACNUR

Ex-presidente do Chile Michelle Bachelet vai coordenar agência da ONU

A ex-presidente chilena Michelle Bachelet foi nomeada nesta terça-feira para liderar uma nova agência da ONU encarregada de acelerar a melhoria da condição de vida as mulheres no mundo.

Bachelet foi escolhida pelo secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, para chefiar a ONU Mulher, um organismo que unificará outros quatro já existentes e terá como missão promover a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.

"Quero anunciar a nomeação de Michelle Bachelet, a ex-presidente do Chile, como a nova responsável pela recém-criada ONU Mulher", disse em entrevista coletiva o secretário-geral das Nações Unidas

Bachelet deixou a presidência do Chile em março, depois de um mandato de quatro anos que a elegeram uma das governantes mais populares da história de seu país.

Ban ressaltou que a ex-presidente chilena (2006-2010) conta com "seu histórico de liderança dinâmica e global, habilidades políticas provadas e uma capacidade pouco comum de criar consenso".

"Tenho a confiança de que sob sua firme liderança podemos melhorar as vidas de milhões de mulheres e meninas em todo o mundo", afirmou o líder da ONU.

Dando mais detalhes sobre o processo de seleção para o cargo, Ban Ki-moon explicou que a busca começou ainda em julho de 2009, após a Assembleia Geral da entidade, em Nova York.

A nova agência está sob o mesmo "guarda-chuva" do Fundo da Onu para o Desenvolvimento da Mulher (Unifem), a Divisão da ONU para o Progresso da Mulher e o Instituto Internacional de Pesquisa e Capacitação para a Promoção da Mulher (Instraw), assim como o Escritório do Assessor Especial em Assuntos de Gênero (Osagi).


FONTE: UOL

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Parlamento europeu pede que França suspenda deportação de ciganos

O ministro da Imigração francês, Eric Besson, recebeu com frieza o pedido de parlamentares da União Europeia (UE), para que a França suspenda a deportação de integrantes do povo roma (ciganos).

Segundo jornais franceses, o ministro declarou nesta quinta-feira, em Bucareste, na Romênia, que o Parlamento Europeu "ultrapassou suas prerrogativas" ao aprovar uma resolução contrária à decisão do governo francês.

Besson disse estar "fora de questão" a mudança na política do estado com relação ao povo roma. "A França aplica escrupulosamente o direito comunitário europeu e respeita escrupulosamente a lei republicana francesa", acrescentou o ministro.

O ministro da Imigração francês está na Romênia junto com o secretário francês para Assuntos Europeus, Pierre Lellouche. Os dois se reuniram com o primeiro-ministro romeno, Emil Boc, o ministro do Interior e o ministro de Relações Exteriores do país para discutir um plano de emergência para a reintegração dos romas deportados.

O ministro de Relações Exteriores da Romênia, Teodor Baconschi, disse em uma entrevista que o país enviará forças policiais para ajudar no combate ao crime cometido por romenos na França. Em retorno, o governo francês enviará dinheiro para a reintegração do povo roma na Romênia.

O Parlamento Europeu aprovou nesta quinta-feira uma resolução exigindo o fim da expulsão de ciganos do país e cobrando ações firmes da Comissão Europeia e de governos da UE para integrar o povo roma, que vive em situação de pobreza em todo o continente.

A resolução dos parlamentares europeus foi adotada por 337 votos no Parlamento em Estrasburgo, com 245 votos contra e 51 abstenções. A medida foi proposta por parlamentares de centro-esquerda, liberais, comunistas e de partidos verdes.

PROFUNDA PREOCUPAÇÃO

A resolução da Comissão Europeia diz que o Parlamento "expressa profunda preocupação com as medidas tomadas por autoridades francesas e por outros estados membros com relação aos romas" e afirma que "lamenta a resposta tardia e limitada da Comissão Europeia como guardiã dos tratados europeus".

Os parlamentares da UE afirmaram estar "particularmente preocupados com a retórica abertamente discriminatória que tem caracterizado o discurso político durante as repatriações dos romas", que acreditam ter dado credibilidade a ações de grupos de extrema direita.

Discriminação contra qualquer grupo étnico ou nacionalidade é proibida pela lei da União Europeia.

Segundo a imprensa francesa, a Comissão diz aceitar a repatriação quando o retorno é voluntário ou quando o país consegue comprovar previamente que há "ameaça à ordem pública" por parte dos deportados. O secretário Pierre Lellouche disse que as expulsões são conduzidas caso a caso.

INVESTIGAÇÃO

A Comissária de Justiça da União Europeia, Viviane Reding, disse ao Parlamento Europeu nesta terça-feira que pediu mais informações à França sobre as deportações.

O parlamentar trabalhista britânico Claude Moraes, que contribuiu com a proposta da resolução, disse que é "muito incomum que o Parlamento Europeu critique um Estado membro individualmente dessa maneira, muito menos um estado fundador da UE".

Ele afirmou que a resolução "pressiona a Comissão a tomar medidas legais contra as autoridades francesas por não respeitarem a lei". A Comissão Europeia tem o poder de censurar a França, de estabelecer compensações para os romas deportados e de levar a França à Corte Europeia de Justiça se houver evidência de que o país violou a lei supranacional.

Desde agosto, a França deportou cerca de mil romas para a Romênia e a Bulgária, como parte de uma ação contra o crime no país. O presidente Nicolas Sarkozy, em pronunciamento, associou os acampamentos ciganos ao tráfico, à prostituição e à exploração de crianças.

Esta semana, a Itália concluiu o desmantelamento de acampamentos ilegais nos arredores de Milão e Roma. Dois anos atrás, o país deportou dezenas de romas, em uma grande operação.


FONTE: BBC Brasil

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Explosões matam ao menos 8 em aeroporto da Somália

Duas explosões mataram pelo menos oito pessoas nesta quinta-feira no aeroporto de Mogasdício, capital da Somália, segundo moradores.

Testemunhas disseram que um militante suicida atirou um carro-bomba contra um posto militar da União Africana, em frente ao aeroporto, e que uma segunda explosão foi ouvida logo depois dentro do terminal. Em seguida, segundo esses relatos, houve um tiroteio.

"O carro investiu violentamente contra o posto das tropas da Amisom (missão de paz africana) na porta do aeroporto", disse o comerciante Mohammed Abdi à Reuters, acrescentando que era possível ver colunas de fumaça preta se erguendo.

A polícia confirmou o ataque.

Na quarta-feira, o governo interino da Somália havia alertado para uma onda de atividade rebelde, por causa do fim do mês islâmico do Ramadã, dedicado ao jejum.

"Vi quatro soldados da União Africana sendo levados sangrando na porta (do aeroporto)", disse Abdi. "Pelo menos oito cadáveres, a maioria de soldados, estavam caídos no chão."

Uganda e Burundi têm cerca de 7 mil soldados em Mogadíscio, com a principal tarefa de proteger o presidente, o porto marítimo e o aeroporto de ataques de insurgentes islâmicos. O governo somali na prática domina apenas poucos quarteirões da capital.

A Amisom não se manifestou imediatamente sobre o ataque. O grupo insurgente Al Shabaab disse que divulgaria uma nota sobre o incidente.

Abdi Muse, funcionário do aeroporto, afirmou que passageiros e funcionários fugiram em pânico enquanto os tiros reverberavam dentro do prédio. Testemunhas disseram que soldados da União Africana confrontaram os militantes no lado de fora do aeroporto.

Segundo o Acnur (agência da ONU para refugiados), mais de 230 civis já foram mortos na atual onda de violência em Mogadíscio, que começou em 23 de agosto, quando o Al Shabaab prometeu intensificar sua "guerra santa" contra o frágil governo local.

"Não podemos desprezar a possibilidade de um (conjunto de ataques) espetacular do Al Shabaab no Eid (festividade do fim do Ramadã), para encerrar uma ofensiva que tem sido infrutífera e desesperada", afirmou o Ministério da Informação na quarta-feira.


FONTE: oglobo