segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Líder de extrema direita holandês é julgado por incitar o ódio contra muçulmanos

AMSTERDAM - Depois de alegar ter direito à liberdade de expressão, o líder da extrema direita holandesa Geert Wilders permaneceu calado nesta segunda-feira ao comparecer a um tribunal onde é julgado por incitar o ódio contra mulçumanos. Figura importante para a formação de um novo governo de centro-direita no país, Wilders é acusado por promotores por ter comparado o islamismo ao nazismo ao dizer que o Alcorão, livro sagrado muçulmano, é "fascista como o Mein Kampf", de Adolf Hiltler.

O silêncio do político terminou levando à suspensão do julgamento até terça-feira. Após o juiz Jan Moors dizer que o réu estava evitando uma discussão, o advogado de Wilders, Bram Moszkowicz, acusou o magistrado de ser tendencioso e defendeu sua substituição. Se condenado, o deputado pode ser sentenciado a um ano de prisão, mas é mais provável que pague fiança.

- Eu sou suspeito aqui por ter expressado minha opinião como um representante do povo - disse o político, no início de seu julgamento, fazendo referência aos mais de 14 milhões de eleitores que em junho fizeram de seu Partido pela Liberdade (PVV) o terceiro mais importante do país. - Formalmente, eu estou sendo julgado hoje. Mas comigo a liberdade de expressão de muitas, muitas pessoas holandesas também está sendo julgada.

O julgamento do deputado deve durar mais de uma semana. Ele se tornou conhecido depois de provocar protestos ao lançar em 2008 o filme Fitna, em que mostra versos do Alcorão com imagens de ataques terroristas

O partido de Wilders aceitou formar uma nova coalizão que pode assumir o governo holandês ainda este mês. Em troca, seus aliados aceitaram levar adiante parte de suas propostas contra a imigração. Entre elas, está o corte pela metade do número de imigrantes de países não ocidentais.

A agenda defendida pelo politico conseguiu espaço na Holanda em meio ao crescimento da extrema direita, fomentado pelo temor entre cidadãos de que sua cultura esteja ameaçada por estrangeiros que não compartem os mesmos valores. Processo semelhante também acontece em outros países como a Suécia, onde a extrema direita conquistou, no mês passado, espaço no Parlamento. Hoje, 6% da população da Holanda são islâmicos.

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